A nova energia

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A tecnologia no sector energético é talvez o que mais evolui no momento que vivemos. E as mudanças nos próximos dez anos serão enormes. A Espanha, por exemplo, prevê que, em 2030, três quartos de sua geração eléctrica usem fontes renováveis, com custos cada vez mais competitivos com os combustíveis fósseis. Foi-se o tempo em que a solução poderia vir do melhor desempenho e menor dano ambiental dos motores e geradores. A energia eléctrica é o futuro e a geração solar e eólica ocupará grandes espaços, com o hidrogénio, que está bem próximo de equacionar problemas de armazenamento nos custos e dimensões desejáveis. O uso residencial e rural com autogeração já se propaga em todo mundo.

O petróleo manterá sua importância nas próximas décadas, mas em declínio inexorável, sofrendo perda substancial de mercado nos próximos quatro a cinco anos. Os países do Golfo já entenderam isso e buscam novas fontes de renda, sendo exemplo a recente venda de acções da Aramco e os investimentos feitos  em turismo e na criação de um mercado financeiro confiável e sólido.

Dentro deste quadro, é realmente mais do que oportuna a venda de activos em mãos dos governos, para diminuir endividamento e poupar no investimento. A França tem problemas com questões laborais oriundas dos anos de gestão estatal no sector.

Portugal não soube colocar a questão do IVA na electricidade nos parâmetros razoáveis. Na verdade, a redução deveria se limitar aos consumidores de baixo consumo, que dependem da energia para o aquecimento de suas casas. E não para todos.  Tem de incentivar mais o bio-combustível.

Não se pode esperar muito neste momento em que o mundo corre na busca do tempo perdido. A economia tem de ser ágil, acompanhar a tecnologia e contar com quadros afinados com a eficiência na gestão e actualização tecnológica. Burocracia, demora no licenciamento de novos projectos não tem sentido. Portugal tem sol e vento, não tem é petróleo. 

A Europa, nos próximos anos, tentará recuperar o espaço que perdeu com os anos de políticas indiferentes ao gasto criterioso de recursos. Por um lado, endividou-se e, por outro, viu crescer demais as despesas públicas, empregando e tolerando uma imigração que sobrecarregou seus sistemas de segurança pública e saúde. A energia anda com o crescimento da economia e da qualidade de vida dos povos. Não pode faltar nem ter preços altos.

Essa realidade mostra o quanto é irresponsável, diria até que cruel, com as multidões excluídas, a pauta inútil, elitista, baseada em ressentimentos e intolerância dos que desviam  governos e povos da rota do desenvolvimento, económico e social. Não existe felicidade na pobreza, nem liberdade onde se procura impor ou subverter valores, sejam da sociedade ou individuais.

A energia mais cara é a escuridão, o racionamento; e a maior poluição é a pobreza. ■