Isabel dos Santos algures no fresco da Europa

A filha do deposto José Eduardo dos Santos tenta desesperadamente contra-atacar, mas a sua voz deixou de ter eco – tanto em Luanda como no resto do mundo.

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Em circunstâncias normais, a acusação de Isabel dos Santos a João Lourenço, feita esta semana no decorrer de uma entrevista da empresária angolana à ‘Voice of America’, seria suficiente para provocar algumas ondas de choque: segundo ela, o actual Presidente angolano (e sucessor de seu pai, o deposto José Eduardo dos Santos), teria avalizado, nos últimos dois anos, meia centena de negócios de Estado por ajuste directo. “Ele criticou o Presidente dos Santos por contratos sem licitações”, disse a empresária, “mas desde 2017 até agora o Presidente João Lourenço tem problemas com mais de 50 contratos no valor superior a três mil milhões de dólares sem licitação”.

Seria. Mas as circunstâncias não são normais: as empresas de Isabel dos Santos estão em julgamento em Luanda, por suspeita de favorecimento familiar durante o longo mandato presidencial anterior, e toda a gente já percebeu que a empresária está enterrada até ao pescoço em esquemas de duvidosa legitimidade, tendo construído um “império” à sombra dos poderes ditatoriais do pai. 

Assim, por mais que esbraceje, Isabel dos Santos não consegue ouvir uma voz levantar-se em sua defesa. E as acusações a Lourenço soam, elas também, a falsete: por mais verdadeiras que sejam, não comovem a opinião pública angolana e deixam indiferentes os meios empresariais europeus onde ela, até há pouco, se movia como “princesa”. Não são uns tantos contratos por ajuste directo que retiram autoridade ao Presidente João Lourenço para levar por diante a sua política de “limpeza” no pantanal luandense.

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