Maduro quase a cair de podre

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O tempo joga contra o ditador esquerdista Nicolás Maduro, a quem o líder oposicionista Juan Guaidó deu xeque-mate ao auto-proclamar-se Presidente interino. Mas joga, também, contra um povo sem comida e sem medicamentos e contra um país à beira do precipício económico e social. Mesmo que se consiga alterar a situação a breve trecho, o futuro da Venezuela passará por um longo e penoso período de recuperação e convalescença.

Os dados estão lançados com as grandes potências mundiais apoiando a ditadura ou incitando a oposição à resistência. A Rússia e a China, que não afastam o olho do petróleo venezuelano, fazem finca-pé em Maduro em nome da “independência nacional” e contra “a ingerência” externa – como se a “independência nacional” da Venezuela lhes interessasse e não fossem eles os dois principais “ingerentes”. As democracias, com os Estados Unidos e a Europa à frente, reclamam eleições livres e dão a Nicolás Maduro a última escapatória de ser ele a convocá-las – esperando, naturalmente, que a vitória retumbante caia no regaço do líder oposicionista Juan Guaidó.

Enquanto na ONU e pelos telefones vermelhos de chancelarias de todo o mundo se joga este interessante jogo de xadrez, poucos se lembram de que, a cada hora que passa, mais aperta a fome de um povo que se abeira do limite da resistência. As lojas há muito esgotaram os seus ‘stocks’ e encon- trar comida tornou-se a principal ocupação diária dos venezuelanos. Nos hospitais e centros de saúde, agoniza-se sem sequer o consolo de uma aspirina. As empresas en- traram em falência e já nem pensam em pagar ordenados – aliás, mesmo que o serviria, com o salário mínimo nacional a equivaler a meio frango (que já não se encontra) e a um pão de quilo (que já só se obtém em longas bichas, em bairros sortudos).

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