Globalmente, serão 3200 milhões de euros as verbas que entraram na companhia. É dinheiro que vai sair do bolso dos contribuintes, que já estão cansados de pagar a salvação pelo governo de várias empresas, como é o caso do Novo Banco.
E os pagamentos para o buraco negro da TAP continuam. O ministro das Finanças, João Leão, afirmou que a TAP vai receber, já na próxima semana, uma injecção de cerca de 530 milhões de euros, depois de Bruxelas ter dado “luz verde” ao plano de reestruturação da transportadora.
Após o “sucesso da aprovação” do programa de reestruturação, “vamos agora, na próxima semana, injectar mais cerca de 530 milhões de euros na TAP”, disse o ministro as Finanças, confirmando o valor que tinha sido avançado pelo jornal digital “Eco”.
Ao fim de um ano Pedro Nuno Santos, o ministro das Infraestruturas e Habitação, teve assim um enorme presente de Natal, importante para quem tem claras aspirações a ser secretário-geral do PS, pois deu-lhe a notoriedade que tinha perdido desde que deixara de ser Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares.
Em suma, aquilo que é apresentado como uma vitória é um desastre, um verdadeiro assalto à carteira dos contribuintes.
O caso TAP vai ser uma presença permanente na campanha eleitoral. Vários partidos já tomaram posição sobre o “dossier”, com a questão dos custos financeiros sempre presentes. Outros estão a aguardar melhor oportunidade.
O PSD disse, assim, que ainda vai estudar o caso, mas sabe-se que Rui Rio é contra esta reestruturação.
O deputado do PSD, Afonso Oliveira frisou que o seu partido que tem sido muito crítico da injecção de dinheiros públicos na TAP sem certezas da viabilidade da companhia, realça que a Comissão Europeia “cria limitações máximas de apoio” à companhia aérea e obriga a empresa a sair de negócios que não fazem parte da sua actividade central, bem como à cedência de “slots” a concorrentes.
“Sempre dissemos que havia muitas dificuldades na TAP, que qualquer solução para a TAP seria sempre difícil. Havendo este plano aprovado, há eleições a 30 de Janeiro, o Governo a seguir é que terá de olhar para o plano e actuar sobre a TAP”, afirmou.
O PSD, que sempre criticou a nacionalização da companhia, regista alterações no discurso do Governo, depois de o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, ter admitido que o futuro da empresa terá de passar pela inclusão “num grupo grande de aviação”.
O vice-presidente da bancada do PSD salientou que a forma como o Governo do PS tratou o processo da TAP “é errada”, criticando quer a reversão da privatização da companhia aérea em 2016 “por pressão dos parceiros de esquerda”, quer, depois da crise provocada pela pandemia, “uma intervenção maximalista de apoios públicos por componentes ideológicas muito fortes”. “Não seria esse o caminho que teríamos seguido”, afirmou.
CDS privatiza
Também o presidente do CDS considera que a TAP “é um buraco negro para os contribuintes” e indicou que se o partido chegar ao governo nas eleições legislativas de Janeiro a empresa “será privatizada no dia seguinte”.
“A TAP voltou a provar que é uma birra do ministro Pedro Nuno Santos, e que é um buraco negro para os contribuintes. Com o CDS-PP no governo a TAP será privatizada no dia seguinte”, afirmou centrista.
Rodrigues dos Santos argumentou que “o atraso português também se verifica na teimosia com que a esquerda insiste que o serviço público só pode ser garantido por uma empresa detida pelo Estado”.
“Não é verdade. Portugal é um dos últimos países cuja companhia de bandeira é ainda uma empresa pública”, defendeu.
Chega quer travão aos gastos
O Chega defendeu que, “sem um limite claro ao dinheiro que os contribuintes gastarão com a TAP”, a companhia aérea portuguesa “tornar-se-á o maior sorvedouro existente de dinheiros públicos”.
Em comunicado “o Chega regista a aprovação do plano de reestruturação da TAP por Bruxelas, mas não pode de deixar de apontar a extraordinária mentira do Governo quando diz que não teremos despedimentos nem uma TAP pequenina ou uma TAPzinha”. Dizem que o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, “sabe bem que a redução operacional da TAP será muito significativa, afectando a sua capacidade e dignidade, e limitará a vida de muitos colaboradores e respectivas famílias, fruto da redução operacional da companhia”.
“Ao mesmo tempo, continuamos sem saber os custos brutais desta reestruturação, tal como desconhecemos um limite claro ao dinheiro que os contribuintes gastarão com a TAP. Tem de haver um limite aos gastos públicos, ou a TAP tornar-se-á o maior sorvedouro existente de dinheiros públicos”, afirmou o CDS.
Até o PCP critica
Mas também a esquerda contesta o processo, embora por razões diferentes. O secretário-geral comunista considerou que a aprovação do plano de restruturação da TAP é “uma punição” para os interesses do país e que o processo está a levar “ao definhamento” da companhia aérea. Jerónimo de Sousa, criticou as imposições feitas pela CE para aprovação do plano. “Consideramos inaceitável que, depois de tanto despedimento, depois de tanta conversa, venham impor daquela forma o encerramento… E até aplicam uma palavra: ‘slots’. O que é que isso significa? Menos pistas para aterrar, ou seja, menos serviço para a TAP realizar”.
“O processo é de definhamento da companhia aérea até perdermos a TAP”, acrescentou. Sousa também rejeitou que a aprovação do plano de restruturação da companhia aérea nacional seja uma conquista do Governo.
“Que vitória? Daqui a uns tempos veremos e perceberemos quais as razões destas preocupações e se o Governo tem razão para estar satisfeito”, concluiu.
PAN com reticências
O PAN considerou que a aprovação do plano de reestruturação da TAP foi importante, mas alertou que “não é a tábua de salvação” da transportadora aérea, e defendeu que competitividade tem de passar por “responsabilidade ambiental e social”.
“Não deixando, evidentemente, de ser importante que tenha existido esta aprovação, a mesma não é a tábua de salvação da TAP, porque sabemos que existem ainda muitos problemas pela frente”, afirmou a porta-voz do PAN.
Sousa Real disse esperar que “efectivamente se consiga manter o mais possível os postos de trabalho das pessoas, os funcionários e que a TAP também consiga estar numa rota de descarbonização, de transição energética”, advogando que “a competitividade aos dias de hoje também tem que ser sinónimo de responsabilidade ambiental e social”. ■




