Especial Big Brother, agora a partir de Cascais

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É irresistível: estou a imaginá-lo, de avental posto e espanador na mão, a tratar da lida da casa, cantarolando “três corpetes, um avental, sete fronhas e um lençol” e espreitando de vez em quando a rubrica de culinária do programa da manhã. Não me assaquem culpas pela cena delirante, pois o próprio m’a inspirou, numa entrevista que deu, por ‘videochamada’, às televisões nativas: “Lavo a louça, arrumo o que é essencial na casa, trato de pôr a roupa a lavar e faço as refeições”. Este ser tão prendado e trabalhadeiro, esta fada doméstica digna de uma “Casa dos Segredos”, de um “Big-Brother Especial Famosos da Política”, é Sua Excelência o Chefe do Estado, Marcelo Nuno Rebelo de Sousa, retido em penates. Pois quem havia de ser?

Marcelo é um caso sem cura: mesmo que quisesse, não conseguiria fazer diferente. A cegada que ele agora armou a propósito do Coronavírus é digna de banda desenhada. Uma caricatura da sua própria caricatura.

Começou por anunciar que não visitaria doentes infectados com o vírus “para que se não diga que o Presidente da República está a ter protagonismo excessivo”. Sempre referindo-se a si mesmo na terceira pessoa do singular, como fazem os cromos da bola e fazia o saudoso Almirante Américo Thomaz, o venerando Presidente acrescentou: “Quando o Governo entender que é adequado o Presidente ir, o Presidente irá. Sabem que por vontade do Presidente já lá estava, mas aqui o protagonismo deve ser dado ao Governo”.