A empresa de automóveis francesa Peugeot quer adquirir a Opel à norte-americana General Motors, mas Angela Merkel ainda não decidiu se autoriza a transacção. O famoso “proteccionismo”, afinal, não é exclusivo da América…

Em causa estão as mesmas razões que Donald Trump alegou para justificar as suas políticas: proteger empregos. Apesar de ter censurado activamente as ideias do actual Presidente para proteger empregos nos EUA, a Chanceler alemã mantém uma política interna fortemente proteccionista e que se pode considerar efectivamente nacionalista.

“Vamos fazer tudo o que podemos para manter empregos e fábricas na Alemanha”, afirmou Merkel na última sexta-feira sobre a possível venda da Opel, pela qual a Peugeot está disposta a pagar quase 2 mil milhões de euros já no dia 23 de Fevereiro. A fabricante de automóveis emprega mais de 20 mil funcionários alemães de forma directa, e muitos mais em redor das suas fábricas. Em comparação, veja-se o impacto da Autoeuropa na economia portuguesa, apesar de apenas empregar directamente menos de quatro mil funcionários.

A acicatar os nervos de Berlim está o facto de muitos dos funcionários da Opel pertencerem a sindicatos poderosos, e o tema é politicamente sensível num país que vai a eleições daqui a oito meses. O receio é que uma estrutura unificada permita despedimentos em grande escala nas fábricas alemãs, até hoje relativamente protegidas desse fenómeno.

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