Miguel Albuquerque sem medo da esquerda

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Uma coligação com o CDS na Madeira é uma hipótese? Em resposta a um questionário d’O Diabo, Miguel albuquerque, Presidente do Governo Regional, começa por sublinhar que “o progresso e o desenvolvimento da Região autónoma nestes 40 anos de autonomia devem-se à vontade e à confiança do nosso povo no Partido Social Democrata”. Mas admite sem complexos que “o CDS constitui, não obstante todas as diferenças, a força política mais próxima ao PSD Madeira” – razão pela qual, “num cenário de maioria relativa”, os centristas serão “o parceiro preferencial”. Conhecido melómano, Miguel albuquerque revela que consegue encontrar tempo para tocar piano todos os dias. Mas quando lhe perguntamos pela sua célebre paixão pelas rosas, confessa que “infelizmente” não tem tempo para elas. “Essa é uma das consequências das funções que desempenho. Como também não passo tanto tempo com a minha família, com os meus filhos, como gostaria. Quem assume as causas da governação sabe que este é um trabalho a tempo inteiro. Não tem horários, não tem feriados, não tem Domingos ou Sábados”.

A esquerda acha que vai ganhar a Madeira nas próximas eleições regionais, em Setembro/Outubro de 2019. Teme esse cenário?

Sinceramente, não! Seria muito mau para a Madeira e para os madeirenses e porto-santenses. E todos têm a consciência disso. Se há algo de que o nosso povo já deu provas é de inteligência e de que tem boa memória. Sabe muito bem o que quer e não se deixa enganar por “cantos de sereia”, por muito melodiosos que tentem ser. Esta agenda político-partidária engendrada a partir do Largo do Rato com recurso ao poder do Estado está hoje perfeitamente percepcionada pelos madeirenses e porto-santenses e já não tem efeito. Porque há uma consciência colectiva de que o Partido Socialista, quer em Lisboa, quer na Região Autónoma, não olha a meios para atingir o fim. Há, efectivamente, nesta estratégia socialista, um problema mal equacionado desde o início, que é o desconhecerem e de não compreenderem o nosso povo, a sua forma de pensar. Os madeirenses e porto-santenses perceberam há muito a acção política dos socialistas diametralmente oposta aos seus legítimos interesses e aspirações. E não admitem, nem aceitam, essa intrusão e esse ataque ao que tanto trabalho deu para conquistar: a sua Autonomia. Não temo, portanto, essa tentativa de tomada de poder da esquerda na Região. E não a temo, repito, pela inteligência e sabedoria do povo da Madeira e do Porto Santo. A memória é algo essencial em democracia. E, neste sentido, importa termos presentes duas ordens de ideias. A primeira, e a mero título de exemplo – há muitos outros – importa lembrar a ignomínia perpetrada pelos governos socialistas de José Sócrates relativamente ao Centro Internacional de Negócios da Madeira (CINM). A decisão do então governo socialista da Re- pública de suspender em 2011 o processo de negociação do regime fiscal com a Comissão Europeia levou a que mais de metade das empresas então sediadas no CINM encerrassem portas, implicando uma colossal e relevantíssima perda de receita fiscal para a Região Autónoma da Madeira. O forte crescimento das três principais áreas de investimento – Zona Franca Industrial, Registo Internacional de Navios e Serviços Internacionais – a que se assiste nos últimos anos, só foi possível com o retomar do processo negocial pelo Governo de Pedro Passos Coelho. Por outro lado, temos hoje um Primeiro-Ministro que se comprometeu com os madeirenses e porto-santenses em apoiar em 50% o custo total da construção e aquisição de equipamentos do novo Hospital Central da Madeira. Contudo, a resolução emanada do Conselho de Ministros prevê comparticipação da República inferior a 13%. Temos um Governo da República que se comporta como um verdadeiro agiota, ao impor à Madeira uma taxa de juro associada ao empréstimo da dívida superior àquela a que o próprio Estado se financia, ou seja, o Governo socialista lucra com a Região Autónoma da Madeira, onerando os contribuintes da Madeira e Porto Santo. Temos uma companhia aérea com maioria de capital público que pratica tarifas pornográficas nos voos entre a Madeira e os aeroportos nacionais, sem qualquer tomada de posição deste Governo socialista.

Lisboa não se mostra disponível para mudar as tarifas?

O mesmo governo, ao fim de anos, mantém-se indisponível para rever, conforme previsto, o subsídio social de mobilidade, que não apoia a operação marítima de passageiros e de mercadorias, não apoia a operação de carga aérea – importa lembrar que os Açores beneficiam de apoio do Estado na ordem dos 9 milhões de euros ano – e não apoia encargos associados ao helicóptero de combate aos incêndios florestais. Estes são alguns exemplos que marcam a acção do Governo de António Costa no que concerne à Madeira e ao Porto Santo. E há um objectivo claro e indisfarçável para estes ataques gravíssimos e sem paralelo na história da Autonomia: a tentativa de tomada de poder pelo Partido Socialista na Região Autónoma da Madeira.

O CDS de Rui Barreto disse a O DIABO que as maiorias absolutas dificilmente se vão repetir. Concorda?

Como sabemos, em democracia, o povo é soberano. E isso é, na verdade, o suficiente para entender que cada candidato, cada força política terá o resultado que o eleitorado entender atribuir. Recordo que, num cenário que se adivinhava difícil para o PSD-Madeira – legislativas regionais de 2015 – o partido agregou em torno do seu projecto político a maioria dos madeirenses e dos porto-santenses. Mais. Quando assumimos um contrato com a população e cumprimo-lo escrupulosamente, como o fizemos, julgo podermos sempre almejar resultados anteriormente alcançados.

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