O amigo maçon de Salazar

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1925

Todos os Sábados, ao longo de décadas, o insigne médico de Coimbra jantava com Salazar na residência oficial do Presidente do Conselho. O ritual pontuava uma amizade que vinha da juventude e que nascera indiferente às grandes diferenças ideológicas entre Bissaya Barreto, o republicano radical, maçon e carbonário, e Oliveira Salazar, o dirigente católico e conservador. O destino os uniu para sempre numa amizade a toda a prova.

Ironias do destino. O homem que em jovem fora um republicano radical, membro da Maçonaria e militante da Carbonária, terá, em Setembro de 1974, as suas exéquias ultrajadas pelo estralejar de foguetes lançados festivamente por energúmenos.

Meses antes já o catedrático de Cirurgia jubilado tinha sido destituído de todos os cargos oficiais que ainda exercia e sujeito ao vexame de ser expulso do gabinete que conservava na Faculdade de Medicina, inerente ao seu estatuto docente, por decisão abjecta da direcção dos Hospitais da Universidade de Coimbra.

Era esta a homenagem que o ‘Abril das liberdades’ consagrava a um médico insigne e a um ímpar filantropo que se chamava Fernando Bissaya Barreto.

Notável inteligência, desde cedo revelou a sua apetência para o estudo. Criança de 13 anos, deixou o aconchego familiar em Castanheira de Pera para enfrentar as obrigações académicas em Coimbra. Findo o liceu, ingressa no Ensino Superior em 1903. Pierre Goemaere, que lhe escreve uma biografia com termo em 1942, indaga-lhe das razões que o motivaram a matricular-se em três Faculdades simultaneamente. A resposta foi pronta e simples: “estudava Medicina para satisfazer as tradições da minha família, a Filosofia para me satisfazer a mim próprio, e as Matemáticas porque estava persuadido que era a engenharia a carreira que me esperava”.

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