O intolerável Varoufakis

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O ex-ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, dispensado da governação por se opor com determinação a que o seu país pagasse o que devia, e deve, aos credores através da contracção da despesa e da reestruturação económica e financeira, esteve em Portugal, aquando da comemoração do 25 de Abril, para apresentar o seu movimento político, o DiEM25 (Movimento Democracia na Europa 2025).

Enquanto ministro de um país em bancarrota, sobre-endividado até mais não poder, faltou-lhe em humildade, colaboração e compromisso o que lhe sobrou em exigências e arrogância. Numa Grécia que gastou, enquanto pôde, o produto do seu trabalho, o que pedia emprestado e o que lhe era concedido pelos fundos comunitários sem exigência de devolução, a sua voz nunca se ouviu. Previdência e bom senso não constam no seu discurso, nem no de ontem nem, como veremos, no de hoje.

Varoufakis desejava uma segunda oportunidade, um reboot à economia grega, como o próprio disse; que fosse possível, no fundo, um reinício, um recomeço, de preferência a partir do zero, esquecendo os erros do passado. Esta palavra do foro informático, como eufemismo no contexto da economia grega, significará o perdão da dívida ou o adiamento do seu pagamento para as calendas…

Supõe-se, ainda assim, que ninguém é obrigado a pedir emprestado para ficar refém dos credores. Porém, a um país, em determinadas e graves situações, imponderáveis trágicos ou destrutivos como um enorme terramoto, um acidente nuclear, um conflito militar para o qual não contribuiu e de que foi vítima, é aceitável que se possa perdoar uma parte ou a totalidade da sua dívida, e até ajudá-lo a reerguer-se. Esta Caridade revela-se aliás como um imperativo ético, e por isso se grafa com maiúscula inicial. Seguramente, não foi esta a situação da Grécia.

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