Marta Brito

Com o ciclo das eleições europeias e legislativas a aproximar-se – e respaldado no apoio de Rui Rio, líder do PSD, em matéria de acordos de regime – António Costa decidiu responder ao Bloco de Esquerda e criticar o seu parceiro de geringonça pela posição negativa que este tem em relação à União Europeia e ao Eurogrupo. A um ano e meio do final da legislatura, a frente parlamentar de esquerda atravessa a sua maior crise desde as eleições de 2015.

Nas relações entre António Costa e o Bloco de Esquerda parece haver ultimamente uma escalada de afastamento, um esticar de cordas que revela o receio dos bloquistas de perderem votos para o PS nas próximas eleições, uma tendência que se tem verificado nas sondagens. Perdida a “frescura” e a novidade de um partido que nasceu muito depois do 25 de Abril, Catarina Martins tem dificuldade em manter a mística criada por Francisco Louçã, e nem as irmãs Mortágua salvam a situação.

Hoje, a maioria dos portugueses tem do Bloco não essa visão difusa e modernaça dos primeiros anos, mas sim a realidade: trata-se de um partido de raiz marxista, que ataca a propriedade privada e que defende para Portugal um regime como os que falharam em países como a Albânia, a Venezuela ou a Bolívia.

O último episódio do mau clima entre o Bloco e Costa teve por palco o dia 25 de Abril, muito dado a cerimónias entediantes quando se evocavam os 44 anos do que a esquerda baptizou como “revolução dos cravos”. Não discursando, por tradição, na cerimónia comemorativa no Parlamento, António Costa aproveitou a abertura da residência oficial do PM aos populares para assestar baterias críticas em Isabel Pires, a jovem deputada do Bloco de Esquerda destacada para este 25 de Abril.

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