O triunfo dos porcos

“Com tantos atributos creditados aos suínos, custa a perceber a indignação do primeiro-ministro”

O porco sempre me fascinou.

Anatomicamente é o animal mais parecido com o homem, o que faz dele um dos bichos mais estudados pela medicina e outras ciências para percebermos o funcionamento do nosso corpo, algumas maleitas e respectivas curas.

Depois, os porcos não são esquisitos: são capazes de comer literalmente tudo, o que é bom para os criadores que não têm que lhes dar “ticket restaurant” para evitar as coimas da ASAE, como também, segundo os filmes de Hollywood, para quem se queira livrar do corpo do cônjuge e não ser apanhado pela polícia forense.

Há, igualmente, uma questão económica de monta, a do custo benefício. Para além de não ser um animal especialmente caro de adquirir e manter, no fim do seu ciclo de vida, tudo se aproveita, das orelhas aos pezinhos, passando pelos tão afamados enchidos.

O porco representa também uma louvável e democrática inversão dos valores tradicionais. É dos poucos animais em que o preto tem mais valor que o branco. No reino animal, o urso polar, o elefante, a vaca, o lobo e outros quantos albinos, ascendem ao estatuto de deuses. Nos porcos é ao contrário: o preto é rei, mais caro, mais cobiçado e mais saboroso…

É, igualmente, dos animais mais dados a comparações com os humanos. Pareces um porco, suas como um porco, comes como um porco, chafurdas na lama ou a tua casa parece uma pocilga, são epítetos comuns na nossa linguagem. Há, ainda, a questão do orgasmo. Consta que o orgasmo de um porco dura trinta minutos, o que é motivo de profunda inveja a qualquer garanhão que se preze. Tive que confirmar se se tratava de um mito ou se a coisa era mesmo assim. Ao que parece não é e, citando um dos estudos, “pode-se confirmar que não dura mais que alguns minutos”, como se a contagem orgásmica masculina se fizesse em minutos e não em segundos. Ao autor do estudo um grande “Ah! Leão!” pelas “performances” que considera normais…

Histórica e politicamente, em Abril de 61, os Estados Unidos tentaram invadir a costa sudoeste de Cuba e derrubar o regime de Fidel Castro. A invasão da Baía dos Porcos durou três dias e as tropas paramilitares treinadas pela CIA renderam-se às forças armadas cubanas, treinadas e municiadas pelo Bloco de Leste. Fidel qualificou a tentativa frustrada como a “vitória sobre o imperialismo americano”.

No plano literário, George Orwell, em pleno ocaso da Segunda Guerra Mundial, relata o sonho que o Velho Major, o porco mais respeitado da quinta de Jones, conta aos restantes animais que, chegada a hora da sua morte, compreendera o sentido da vida e que os animais devem a sua miserável existência à tirania dos homens, preguiçosos e incompetentes, que usufruem do seu trabalho e os exploram, incitando à revolta. O Major morre, mas a revolução continua triunfando sobre os humanos e pressupondo uma nova ordem em que os animais seriam todos iguais. Acabando o período de harmonia e vivência utópica, surgem as quezílias, intrigas e disputas, o que implica uma adenda ao princípio, que passa a postular “mas alguns animais são mais iguais que outros”. O romance é uma alegoria sobre a ascensão de Estaline ao poder e a consequente inversão dos ideais revolucionários, mas também uma fábula sobre a queda moral dos regimes e a falência dos modelos teóricos de governação face ao confronto com a realidade e a inata e inevitável avidez humana.

Por cá, temos a Popota, os porcos do Entroncamento que mais parecem touros, uns vídeos esquisitos do Castelo Branco, os guinchos dos liberais e o António Costa em forma de cartaz.

Ora, com tantos atributos creditados aos suínos, custa a perceber a indignação do primeiro-ministro e o apodo de racista à criação artística. Mais não fosse pela questão orgásmica, a comparação seria sempre motivo de regozijo e inflamação. Costa optou por menorizar os protestos dos professores, vitimizando-se pelo cartaz que lhe emprestou umas orelhas e focinho que se sente incapaz de usar. Continuam as greves e protestos e todo um sistema educativo parado com consequências para milhares de docentes, alunos e pais face às promessas incumpridas dos Governos socialistas durante os últimos sete anos.

Importaria fazer um exercício de memória (e aqui os elefantes têm manifesta vantagem face aos porcos) para percebermos quais das promessas de Costa que foram efectivamente cumpridas. Não foi na Educação, não foi na Saúde, que apresenta rácios terceiro mundistas, nem seguramente na Justiça, que continua tardia, inoperante, em benefício de Sócrates e de outros poucos.

E Costa vai-se pavoneando, incólume à lama que o rodeia, passeando-se pelo país e vendendo-se no estrangeiro, permitindo-se desviar falcões para ir à Turquia abraçar ditadores nos intervalos dos jogos de futebol, capitalizando, assim, e com os recursos de todos, a sua corrida europeia.

Li que os porcos, para além de dançarem e andarem de bicicleta, aprendem, muito mais depressa que os chimpanzés, a manobrar os “joysticks” dos videojogos. Pode ser que no seu próximo périplo à caça de votos, ao invés de desviar os “Falcons” da Força Aérea, Costa opte por requisitar um submarino à Marinha e deixar um porco aos comandos…

Afinal, quem não gosta de toucinho do céu?

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