OE2019: O Costa de quem ninguém gosta

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Bloquistas e comunistas já admitiram publicamente que este ano as negociações do Orçamento do Estado devem ser mais tensas, e parece evidente que não gostaram dos sucessivos recados de Marcelo Rebelo de Sousa a ‘responsabilizar’ os partidos da geringonça pela viabilização das contas públicas.

As negociações da geringonça para o Orçamento de Estado de 2019 já arrancaram, e contrariamente ao que António Costa quis dar a entender num recente debate quinzenal, estas são as mais difíceis que o Governo enfrenta, uma vez que visam um ano com eleições legislativas.

Como se isso não bastasse, as matérias base negociadas aquando da constituição desta solução de Governo estão esgotadas, pois baseavam-se essencialmente na devolução de salários, na redução fiscal da sobretaxa de IRS, no descongelamento das carreiras e na reversão da política de transportes. Este lote de matérias está já cumprido e o PCP, o BE e o PEV preparam-se para novas exigências para o Orçamento de 2019 numa altura em que a economia está a desacelerar.

Em intervenções públicas nos últimos meses, e com um tom de inflexibilidade em crescendo, Jerónimo de Sousa garante que o PCP não dá cheques em branco em nenhuma matéria. No último debate quinzenal, o secretário-geral comunista pediu mais investimento e acção ao Governo, além da continuidade da reposição de “rendimentos e direitos”, mas o chefe do Executivo alertou ser essencial “nunca dar um passo maior do que a perna”.

Jerónimo de Sousa sublinhou o perigo das carências no SNS, que podem ter “consequências imprevisíveis”, e criticou a “teimosia” do Governo relativamente ao problema da contagem do tempo de serviço dos professores, dois temas em que o Governo e os partidos de esquerda que o apoiam estão em pontos radicalmente distintos. O líder comunista diz que “tem havido dinheiro para transferir para os privados” no sector da saúde e para a banca, em vez de se canalizar recursos para aqueles problemas, incluindo os apoios ao desenvolvimento do interior do País, nomeadamente nas regiões afectadas pelos fogos florestais de 2017.

Na resposta, António Costa repetiu: “sim, vamos prosseguir o caminho de reposição de rendimentos e direitos, mas, para que possa prosseguir de forma sustentável, é absolutamente essencial nunca darmos um passo maior do que a perna, nunca sermos confrontados com a necessidade de dar um passo atrás e aguardar muitos anos para podermos dar dois passos à frente”.

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