Os 50 anos das minhas “Rodas da Capital”

Os 50 anos das minhas “Rodas da Capital”

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Vasco Callixto

Numa passagem ocasional pelo Jardim Constantino, em Lisboa, freguesia de Arroios, encontrei-me perante o antigo edifício da Junta Distrital de Lisboa (JDL), agora de portas fechadas, a aguardar por certo um triste destino, ao qual não fiquei indiferente. Com efeito, o meu historial dos meios de transporte de Lisboa, publicado em 1967, sob o título “As Rodas da Capital”, constituiu uma edição daquele extinto organismo; foi o meu sexto livro. E 50 anos vão passados. Era presidente da então muito activa JDL o engº Francisco Ribeiro Ferreira, destacado automobilista desportivo em épocas anteriores.

Em menos de uma centena e meia de páginas, muito resumidamente portanto, revelei à geração de há meio século os diversos e variados meios de transporte que rodaram por ruas, becos e travessas da primeira cidade do País, retratando fielmente a Lisboa de ontem. Eram veículos vagarosos, trôpegos e barulhentos, mas levaram ao estabelecimento da indústria dos transportes citadinos. E a história de cada meio de transporte, de cada concessionário de carreiras de serviço público representa o esforço despendido em prol do desenvolvimento da cidade. Todos cumpriram a missão de servir Lisboa

Foi a “sege”, no final do século XVIII, que levou à industrialização dos transportes na capital. Bamboleante caixa estreita, resguardada à frente por duas cortinas de oleado, alcandorada sobre duas rodas grandes e puxada por um ou dois cavalos, eis a “sege”, que transportava o lisboeta da Baixa até Belém. O mais popular segeiro era o “Assembleia”.

A “mala-posta”, ou “diligência”, mais destinada às estradas do País, foi também uma das “rodas da capital”, quando em 1798 se inaugurou o serviço entre Lisboa e Coimbra, com estação-central na Calçada do Combro, onde estava instalado o Correio-Geral.

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