Maria d’Aljubarrota: O ódio ao papel

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Maria d’Aljubarrota

O exemplo (que em Portugal vem sempre do mais baixo, do mais bronco e do mais bruto, e nunca de cima) deu-o José Pinto de Sousa, esse indivíduo que insolentemente usa o nome de um filósofo. Ao acabar com o ‘Diário da República’ em papel, o homenzinho conseguiu interromper um fluxo cartorial quase milenar sem se aperceber da gravidade do seu acto. Parece que o pretexto para esta enormidade foi poupar não sei quantos tostões por mês. O que faz a ignorância atrevida!

O registo da governação e da legislação portuguesa deu origem, desde o século XII, a uma das chancelarias mais ricas do mundo. Só a temos porque tudo foi sendo registado por escrito em suporte durável, e guardado com o cuidado de quem trata de um tesouro. Em 2006, um primeiro-ministro ainda mais burro do que todos os seus assessores e conselheiros pôs fim a esta prática multi-centenária e criou uma idiotia chamada “Diário da República digital” – algo que, como o próprio nome indica, pode desaparecer da face da Terra ao simples toque de um interruptor.

O ódio desta gentinha ao papel nada tem de preocupação com os custos da escrituração clássica (poupar, convenhamos, não era o verbo de eleição do Pinto de Sousa).

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