MARIA D’ALJUBARROTA

Durante uma recente visita a São Tomé e Príncipe, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que Portugal “assume a responsabilidade” (presume-se que histórica) pelo chamado “massacre de Batepá” – pois, segundo acrescentou, “Portugal assume a sua história naquilo que tem de bom e de mau”.

Não me lembro de Marcelo ter anunciado, durante a campanha eleitoral em que pediu o voto dos portugueses, a intenção de andar por África a assumir “responsabilidades” históricas em nome de Portugal.

Tampouco me lembro de lhe ter encomendado o sermão – eu ou qualquer outro português.

Não pode, pois, ter sido em nome de Portugal que o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa “assumiu a responsabilidade” por acontecimentos que a Historiografia ainda não encerrou e continua a estudar, podendo dar-se o caso (como tão frequentemente ocorre com as “verdades” históricas) de aquilo que hoje parece uma coisa parecer outra dentro de dez, vinte ou cinquenta anos.

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O chamado “massacre de Batepá” começa por não envolver “Portugal”, enquanto Nação: os portugueses da Metrópole, de Angola, Moçambique, Guiné, Cabo Verde, Timor ou Índia não foram consultados para nada do que aconteceu em São Tomé em Fevereiro de 1953.

A maior parte dos portugueses só tomou conhecimento do caso de Batepá depois de 1974 – e a maior parte dos portugueses de hoje nem sequer era viva à data dos acontecimentos. Aliás, nem sequer as autoridades centrais de Lisboa intervieram nas ocorrências, de que só tiveram conhecimento posteriormente.

Assim, nem Portugal nem os portugueses podem ser “responsabilizados” pelo que se passou em São Tomé em 1953.

E que se passou, em concreto?

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