Pinóquio Costa

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Itália trouxe-nos os desportivos, a pizza, a pasta, o glamour da moda, o renascentismo, todo um império e tanto mais. Trouxe-nos Dante, Maquiavel, Calvino, Umberto Eco e Moravia. Mas também nos trouxe o Topo Gigio, o Corto Maltese e, claro, Pinocchio. O boneco feito de madeira que ganhou vida nas mãos de Geppetto, afoito, destemido, imprudente e irresponsável como grande maioria dos petizes, tinha uma particularidade: o seu nariz crescia sempre que dizia uma mentira.

Da linguística e semântica aprendemos conceitos como a falácia. Grosso modo, são argumentos que têm a pretensão de ser correctos e conclusivos, mas que contêm erros na sua estrutura ou conteúdo que enfermam a conclusão. Embora o argumento possa parecer correcto, a premissa é errada ou o raciocínio ilusório. Quando há a intenção propositada de enganar terceiros, chama-se sofisma ou, em português corrente, mentira. E nesta arte Costa é um catedrático.

Do programa do PS constam medidas de criação de emprego, de redução de impostos, de investimento na Saúde, na Educação, de reformas na Justiça, de redução da dívida pública e tantos outros aprazíveis ao ouvido. Mas esta Meca de promessas só existe mesmo no papel…

O que a realidade nos mostra é que, no que respeita a indicadores económicos, Portugal foi o 2º país da OCDE com maior queda face a 2019. 38 desses países já recuperaram e encontram-se em patamares superiores ao período pré-pandémico. Nós, nem perto. Ao PS e aos partidos de esquerda devemos a maior carga fiscal de sempre, superior ao período da “Troika”. Em termos de paridade com o poder de compra temos combustível, electricidade e gás, dos mais caros da Europa, fruto de uma caterva de impostos sem igual. O crescimento “per capita” da última década foi o menor dos últimos 100 anos (sim, leu bem, 100). Para que se tenha uma ideia, na década de 60-70, no Estado Novo, crescemos 6%. Na democracia de esquerda, 0,1%… Em 2005, o salário médio tinha uma correlação de 49% com o salário mínimo. Hoje é de 63%, ou seja, os portugueses, no geral, ganham manifestamente menos. Costa disse que no seu Governo o salário médio aumentou 25%. É falso! Tal aumento foi menos de metade (11,5%). Somos o país da EU onde se ganha menos, em termos líquidos, já que temos a 7ª carga fiscal mais alta. Para que se tenha uma ideia, para que um trabalhador aufira 14.000 euros por ano, a empresa terá que lhe pagar 24.000 euros, ou dito de outro modo, o Estado retém 41% do seu rendimento. A percentagem de jovens qualificados a emigrar é das mais altas da Europa. A dívida pública mais do que duplicou em 20 anos, colocando-nos no pelotão da frente com 135,2% do PIB. Ao PS e ao Governo Sócrates devemos um salto de quase 40 pontos percentuais…

44% das famílias portuguesas não auferem rendimentos para pagar IRS, sendo a máquina fiscal do Estado suportada, na sua maioria, por 5% dos agregados familiares mais ricos…

Somos o 7º país da Europa que gera menos riqueza por hora de trabalho. Em 2000, a Lituânia gerava metade do nosso valor. Hoje, gera mais 1,2 euros por cada hora de trabalho.

Face a este cenário, dizer que se pretende reduzir impostos, implementar desdobramentos de escalões, reduções para os jovens, reduzir a dívida pública para 110% do PIB ou reduzir a semana de trabalho para quatro dias, já nem falácias são. São mentiras descaradas!

Na Saúde também os indicadores são desoladores. A mortalidade global subiu, não (só) por causa da pandemia, mas por uma sobrecarga dos serviços de saúde, pela redução do número de profissionais (o número de enfermeiros que emigra é assustador!), pelo adiamento das consultas e de diagnósticos, pela falta de meios, pelas demissões em bloco dos médicos, pela falta de pagamento das parcerias contratualizadas, pela obstinação de não recorrer a serviços privados capazes de dar resposta eficaz, mais célere e, por vezes, mais barata. No primeiro ano da pandemia, 1/3 dos portugueses não viram as suas necessidades de saúde satisfeitas. Na Europa só a Hungria foi pior…

Somos o país da Europa com maior percentagem de pessoas que sofrem de depressão crónica. Nas mulheres a ordem de grandeza é do dobro (sim, leu bem, o dobro!) da média europeia. Não há política de saúde mental no programa do PS, como se esta realidade não existisse!

A promessa de médico de família para todos os portugueses não foi cumprida, mas é retomada. O que Costa não diz é que cerca de metade da população recorre a seguros de saúde privados ou beneficia da ADSE… O SNS é apenas uma bandeira de campanha! 

Temos os professores mais envelhecidos da Europa. Temos falta de meios nas escolas. Temos uma iliteracia digital brutal. A percentagem de portugueses que nunca acedeu à internet (18%) é o dobro da média europeia! A despesa pública com a cultura é pouco mais de metade do que a do início do século… Mas todos achamos que é a esquerda quem defende e investe na cultura!

Lisboa emprega cerca de 14% da população. Mas receberá 82% dos fundos do PRR. Mas todos achamos que é a esquerda quem melhor distribui a riqueza! Portugal só aprovou 23% dos pedidos de asilo, a 7ª taxa mais baixa da Europa (em Espanha o número foi cerca de 70 vezes superior!)… Mas todos achamos que a esquerda se preocupa com os refugiados e os migrantes! Em 2020 fomos o único país a cair em três parâmetros da análise da democracia: a independência da Justiça; a ausência de corrupção; a igualdade perante a lei. Fomos humilhados na Europa por causa da nomeação, falsificação de currículos, interferência do Estado e viciação de concursos para Procurador Europeu. Somos o 2º país europeu onde mais se acede aos serviços públicos por cunhas ou favores… Mas é a esquerda que combate o nepotismo, a corrupção e defende a igualdade!

E vendem-nos a TAP como companhia de bandeira e desígnio nacional. A TAP do PS custou-nos 3,2 mil milhões de euros (a factura poderá chegar aos 3,7). Qualquer coisa como quase o triplo do que o Estado gastou em apoios às empresas que recorreram ao “lay-off” simplificado e a um milhão de portugueses. Face aos lucros operacionais dos últimos cinco anos a TAP demoraria cerca de 35 anos a pagar os apoios concedidos (a British Airways, a Ibéria, a Luftansa e a KLM já pagaram ou estão em vias de o fazer). E são vários os países que optaram por deixar cair as suas companhias bandeira, porque as mesmas não justificavam o sorvedouro de verbas públicas que entenderam ser necessárias noutros sectores…

Costa, se visse que tal lhe traria votos, prometeria que iria reduzir o período de gravidez para seis meses… Mas nem tudo é mau neste nosso boneco. Ao ritmo a que lhe cresce o nariz, a ponte para a Madeira está concluída. Com a imaginação do Pedro Nuno Santos, coloca-lhe carris na nariganga e temos travessia ferroviária para o arquipélago! ■