Política e tribalismo

Vivemos na época da política do tribalismo. Habituem-se!

Dantes, o tribalismo estava (ou aparentava estar) circunscrito ao futebol. Chegava a ser confrangedor a intensidade com que os adeptos defendiam para o seu clube aquilo que criticavam aos adversários. Em vez de defenderem o cumprimento das regras, apregoavam o mesmo favorecimento, justificando-o com o que era feito para os outros. Enfim, as regras e os princípios que se lixassem.

A prática do “aquilo que é feito pelos nossos é perdoável; o que é feito pelos outros é condenável” alastrou-se à sociedade e chegou à política. Há uns tempos afirmei a minha tristeza por ver amigos meus de esquerda, pelos quais tenho consideração, a apontar o dedo a todos aqueles que são de direita e a fechar os olhos aos seus “partidários”. Não acredito que desconheçam a diferença. Por isso, a sua atitude “as regras e os princípios que se lixem” não é compreensível. Mas ver socialistas e marxistas a fazer ataques de carácter, ou a prescindir do mesmo, não é surpreendente. Já o Marx e o Engels agiam assim quando não tinham argumentos substantivos para contra-argumentar. Infelizmente, a política do tribalismo já é transversal.

No âmbito da política do tribalismo é de estranhar que toda a esquerda, incluindo o PS, tenha reagido às declarações de Cavaco Silva e que a não consigam ultrapassar a gestão de Pedro Passos Coelho? Não. Sabem porquê? Porque tanto Cavaco Silva como Pedro Passos Coelho fizeram aquilo que o PS (e a esquerda), mesmo com maioria, é incapaz de fazer: melhorar e recuperar o país. Portugal está pior do que estava quando António Costa chegou ao poder.

Cavaco Silva fez as reformas que deram outra estrutura ao país; Pedro Passos Coelho, que teve de governar com a soberania e a capacidade de gestão condicionada e limitada, levantou Portugal do buraco da gestão socialista. Ainda se lembram da maioria do Sócrates? Uma autêntica desgraça. A maioria de António Costa é idêntica. Ou pior. Os tão propagandeados resultados económicos não chegam à carteira dos portugueses. O Governo cada vez cobra mais impostos, tem receitas fiscais adicionais por causa da inflação e beneficia de apoios extraordinários como o PPR. Porém, mesmo assim, os portugueses estão mais pobres e o dinheiro não chega para nada. O exemplo paradigmático é a Saúde. Os socialistas arrogam-se os criadores do SNS. Pois bem, António Costa conseguiu dar cabo do “seu” SNS. Quase nada funciona e o que ainda funciona deve-se ao profissionalismo e dedicação dos profissionais da saúde.

Contudo, a política do tribalismo tem outra característica, tão ou ainda mais nefasta, que não deve ser negligenciada: a falta de vergonha na cara (pelo uso da mentira e pela incapacidade de reconhecer erros).

António Costa disse recentemente que os portugueses resolveram a crise política dando uma maioria absoluta ao PS em 2022, pelo que os políticos devem respeitar a decisão dos portugueses.

É claro que a opinião deste primeiro-ministro tem um valor e substância adicional por António Costa ser um homem que sempre respeitou a decisão dos portugueses. Alguma vez António Costa perdeu eleições? Alguma vez António Costa traiu um companheiro de partido por este ter ganho eleições?

Mas vamos supor que tudo é diferente por ter sido alcançada uma maioria? Bem, nesse caso, não deixa de ser curioso que, com uma maioria, o Governo de António Costa já tenha criado mais crises do que as que criou sem a mesma. E se o padrão for esse, mais crises, só vai piorar.

Vivemos na época da política do tribalismo. Habituem-se. Até porque quem manda são as Eugénias Correias que pululam por aí.

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