TAP: toca a pagar!

Srs. Contribuintes, estamos a atravessar um período de turbulência, mantenham-se atentos e com a carteira aberta…

Desde há várias semanas que a TAP tem estado no epicentro das notícias e sempre pelas piores razões. A cada semana surge um caso novo e todos eles com eventuais consequências no bolso dos contribuintes, como se já não bastassem todos os milhões que lá enterrámos.

É bom começar por recordar que a TAP é hoje um problema de todos nós, porque o Governo socialista decidiu renacionalizar a companhia aérea. Hoje, o mesmo PS já analisa e prepara o processo de reprivatização, demonstrando assim que todo o argumentário usado para defender uma companhia pública não tinha razão de ser. O problema é que o capricho ideológico da esquerda revelou-se um buraco negro em termos financeiros.

Acresce a tudo isto uma administração que parece não ter qualquer respeito pelo esforço financeiro que todos nós temos estado a fazer e que se traduz em transferências de montantes exorbitantes para as contas da TAP.

Indemnizar em meio milhão de euros uma administradora para conseguir a saída dela da empresa, por motivos de incompatibilidades surgidas, ultrapassa qualquer limite de bom senso ou sensatez. Pior do que isso: toma-se uma decisão desta natureza sem o conhecimento e aval da respectiva tutela? Vê-se que mesmo que à administração da TAP o dinheiro não lhe custa a ganhar.

Outro caso paradigmático foi o da polémica com a renovação da frota automóvel. A notícia caiu mal e em reposta à pressão da opinião pública e publicada, a empresa começa por referir que a decisão é racional e permite poupanças, avançando com umas contas que ninguém percebeu bem. Mas rapidamente decide voltar atrás, cancelando a encomenda e até devolvendo alguns carros que já tinham sido entregues. Não será muito difícil adivinhar que, pelo meio, o fornecedor terá a direito a ser indemnizado, mas sobre isso nada se sabe. Uma empresa que sobrevive à custa do dinheiro dos contribuintes, que despede trabalhadores e que mantém cortes substanciais nos vencimentos dos seus funcionários, não pode anunciar que escolheu “BMW’s” para as suas chefias. Não perceber isto é grave. Mas fica uma vez mais evidente que, à administração da TAP, o dinheiro não lhe custa a ganhar.

Actualmente a empresa está novamente nas notícias por mais uma situação que pode ter repercussões financeiras. Na questão da saída da ex-administradora Alexandra Reis, o comunicado emitido na altura em que esta cessou funções não coincide com os esclarecimentos dados agora e que pretendem justificar a indemnização. No primeiro a TAP deu conta da saída como decisão da própria, motivada por novos desafios. Nos esclarecimentos posteriores percebe-se que houve um despedimento com a negociação da consequente indemnização. Moral da história: a empresa mentiu ao regulador quando comunicou os termos da saída da administradora. Mentir à CMVM é grave e, segundo já se percebeu, poderá dar origem a uma sanção. Como se já não bastasse a situação financeira da empresa, agora ainda corre risco de pagar multa avultada. Lá está, o dinheiro não lhes custa a ganhar.

Todos estes casos e o comportamento da administração da TAP revelam falta de bom senso na gestão de uma empresa pública na qual os portugueses já injectaram mais de três mil milhões de euros, falta de respeito pelos sacrifícios dos seus trabalhadores, pelo regulador e, acima de tudo, por todos nós que andamos a sustentar este circo com os nossos impostos.

Entretanto, no Parlamento, está confirmada a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o caso TAP. Espero que não tenhamos de assistir, uma vez mais, às famosas audições cheias de “não me lembro”, “não tenho ideia”, “não me recordo”, “não consigo precisar”, etc.. É que, com esta administração da TAP, já percebemos que tudo é possível, mesmo que seja impensável!

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