Um Governo sem rumo, estratégia ou coerência

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ANTÓNIO COSTA
Primeiro-Ministro
Governar em tempos de pandemia apenas gerindo o dia-a-dia e empurrando os grandes problemas com a barriga – eis o que António Costa fez durante boa parte de 2020. Mas o agravamento dos custos sociais e económicos da doença em 2021 fazem adivinhar tempos muito difíceis para o PM.

Costa acumulará o primeiro semestre do ano com a presidência do Conselho da UE (ver página 2 desta edição), o que a nível interno vai retirar-lhe margem de negociação ‘dossier’ a ‘dossier’ a que o obriga o seu Executivo de minoria. Para já, Costa continua nas mãos do PCP, PEV e BE – isto é, da extrema-esquerda.

O PM parte, assim, para 2021 com um suporte político mais frágil no Parlamento, após a demarcação do BE, e com os desafios de coordenar a vacinação contra a Covid-19 e promover a recuperação económico-social do país.

Recorde-se que, em Julho, a proposta de Orçamento Suplementar foi viabilizada pelas abstenções de PSD, PAN e Bloco de Esquerda, mas recebeu votos contra de PCP e PEV. António Costa optou nessa altura por desdramatizar o sentido de voto dos comunistas, considerando apenas que tinham cometido um “erro de avaliação”. Já o OE para 2021 foi viabilizado pelo PAN, novamente, e à esquerda pelo PCP e pelo PEV, mas desta vez teve o voto contra do Bloco de Esquerda, o que motivou uma reacção dura do PM. Este acusou os bloquistas de se terem “posto ao fresco numa atitude de oportunismo” que, no seu entender, “será penalizada pelos eleitores”.

Portugal entra em 2021 em situação de estado de emergência em consequência da Covid-19 e, de acordo com as previsões do Executivo de António Costa, deverá fechar este ano económico de 2020 com uma recessão recorde de 8,5%, um défice de 7,3% e um desemprego na ordem dos 8%. Para Costa, o grande desafio será conter a epidemia de Covid-19 em níveis que não coloquem em causa a capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde.

PEDRO SIZA VIEIRA
Ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital
Devia ser o Nº 2 do Executivo, mas já se percebeu que não tem estaleca possível para o cargo. Nos últimos meses tem passado a vida a desenhar pacotes de ajuda aos prejuízos da pandemia, mas estes são sempre considerados insuficientes. Recentemente considerou uma boa notícia o acordo alcançado no Conselho Europeu sobre o Orçamento Plurianual e o Fundo de Recuperação, mas apressou-se a sublinhar que ainda há muito por fazer para dar “novo fôlego às empresas” afectadas pela crise. Um discurso em tom algo desalentado, incapaz de instilar entusiasmo aos agentes económicos.

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