O ano que igualou o mundo

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Desde o pós-guerra não havia um problema que atingisse a todos os povos, na economia, na saúde e nas apreensões, como o que ainda vivemos com a pandemia e que nos faz viver um momento de esperança e confiança. Em Deus e na ciência.

O que não vai mudar em 2021 é justamente os problemas serem os mesmos, na busca das perdas na economia, desde governos, a empresas e ao cidadão comum. Os mais vulneráveis, então, lutam mesmo pela sobrevivência pura e simples.

É uma oportunidade de se mudar conceitos ideológicos que não fazem mais sentido. Já não faziam, desde a queda do Muro, em 1989, mas que agora devem fazer corar os que possam teimar em negar o que o dramaturgo brasileiro Nelson Rodrigues chamaria do “óbvio ululante”.

Os novos filósofos a serem observados são os que protagonizaram bons resultados no século XX, ainda não absorvidos pelas elites culturais, empresariais ou políticas.

Dada a gravidade da situação, com centenas de milhões de pessoas, só no chamado mundo ocidental, fragilizadas com a pandemia, seria o momento de se constatar – apenas constatar, pois já não caberia discutir o “óbvio ululante” – alguns referenciais indispensáveis na recuperação dos estragos vividos e sofridos.

Na economia, parece ponto pacífico que governos servem apenas para momentos de crise, socorrendo e orientando a sociedade, sabendo o momento de se retirar de cena para não atrapalhar. Thatcher nos ensinou que o dinheiro dos governos sai do bolso de seus cidadãos pela via dos impostos. Logo, distribuir por muito tempo, incorporando benesses emergenciais, é dar um tiro no pé. A conta vem a galope, na inflação, no desabastecimento, em mais impostos e em mais desemprego. Governos centralizadores, intervencionistas, reguladores, dão em experiências como Cuba, Venezuela e a passos largos o que vai acontecer com Argentina e Espanha, já queimando gorduras.

Gerar empregos, de boa qualidade, só com investimento na formação profissional e nas políticas fiscais e laborais que estimulem o investimento e o emprego. Em muitos países, está mais fácil desfazer um casamento de décadas do que um vínculo empregatício de curto período. Anos de pregação revolucionária jogando empregados contra empregadores, como se pudesse existir empregos sem empresários.

Na hora de se contar os tostões, o mundo acorda para a leviandade das últimas décadas no inchaço do sector público, onde se emprega demais, se paga demais e se trabalha e presta serviços de menos. A pandemia vai mudar, sim, as prioridades, sob pena de um caminho sem volta para o empobrecimento.

O bom sindicato agora vai ser o que dialogar melhor com o patronato e não na política do confronto, das greves a toda hora, tornando o investimento em alguns sectores ou lugares uma aventura e uma irresponsabilidade. Todos têm de meditar sobre esta nova realidade. O que é melhor para um chefe de família: direitos no ar ou um bom emprego na mão?

Os cuidados na nova fase, pós-vacinação, são importantes também na questão da violência urbana. Pequenos delitos cresceram muito nestes meses, em todo o mundo. O agravamento da crise pode provocar ondas de violência, sempre habilmente exploradas e incentivadas pelos eternos e irresponsáveis militantes, geralmente recrutados nas classes médias e que vivem de subsídio familiar.

Muita atenção aos homens de boa vontade. A pandemia não acaba com a vacina. ■