Venezuela: cenas eventualmente chocantes

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Com a sociedade em ruptura e a economia em ruínas (já não há sequer dinheiro para explorar a enorme riqueza petrolífera do país), milhares de venezuelanos fogem diariamente à miséria de um país entregue ao delírio socialista. Mais de um milhão de pessoas deixaram nos últimos tempos aquela que chegou a ser a nação mais rica da América Latina.

No filme de terror em que se transformou a Venezuela, um Presidente sádico como Nicolás Maduro pode dar-se ao luxo de anunciar, com um sorriso de orelha a orelha, um aumento de 103,7 por cento no salário mensal mínimo, como ele fez na semana passada.

Parece muito. E ainda parece mais quando percebemos que, após este quarto aumento salarial do ano, o rendimento mínimo do venezuelano subiu para 5.196.000 bolívares (por extenso, para o caso de dúvida: cinco milhões, cento e noventa e seis mil bolívares).

Parece muito, sim. Mas já começa a parecer menos quando transformamos estes quilos e quilos de bolívares em moeda forte, ao câmbio oficial: dão apenas 56,7 euros mensais. E como ninguém consegue cambiá-los à taxa oficial, a verdade é que aqueles cinco milhões de bolívares de salário mínimo se transformam (no mercado paralelo, o único que existe) em apenas 1,60 euros por mês. Que mal dão para comprar dois ovos por dia. Quando os há à venda. Um salário mínimo não chega para comprar um quilo de carne ou meio quilo de café.

É assim que funciona hoje a ditadura venezuelana: torrentes de doutrina comunista, discursos de horas, uma pitada de cinismo e muita carga policial.

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