EVA CABRAL

Os avisos que chegam de Bruxelas são claros, com o poderoso ministro alemão das Finanças a demonstrar publicamente a sua preocupação grande pela evolução de Portugal. As campainhas de alerta soam com força, mas o primeiro-ministro não quer ouvi-las.

Os alemães consideram que o actual Executivo socialista de António Costa suportado pelo PCP e Bloco de Esquerda se está a isolar na falta de combate aos enormes problemas de equilíbrio macroeconómico com que a Europa se debate, quando há uma imperativa necessidade de ter uma economia saudável e que retome o crescimento.

Este isolamento de Costa ficou patente quando se ouviram as duras críticas de Bruxelas à rota de Portugal e de Espanha. Enquanto os nossos vizinhos ibéricos se apressaram a apresentar medidas adicionais do Orçamento que estimam em 6000 milhões de euros, Costa disse “não” a Bruxelas, como se com o nosso nível de dívida pública não estivéssemos nas mãos dos credores.

Esta semana, as campainhas de alerta soaram de vários lados. A Universidade Católica divulgou uma nota confirmando o pessimismo geral sobre a evolução da economia nacional este ano. Segundo as previsões actualizadas do Núcleo de Estudos sobre a Conjuntura da Economia Portuguesa (NECEP), o produto interno bruto (PIB) deverá crescer apenas 0,9% em 2016, metade do valor inscrito pelo Governo no Orçamento do Estado.

E mesmo esta estimativa apresenta riscos descendentes, conclui a Folha Trimestral de Conjuntura do NECEP. Estes 0,9% representam uma revisão em baixa de 0,4 pontos percentuais face à previsão realizada pelo NECEP há apenas três meses e é mais pessimista do que as últimas estimativas de organizações internacionais. Ao contrário do que se esperava, depois de um primeiro trimestre bastante frágil, o NECEP não vê a economia nacional recuperar entre Abril e Junho. O PIB deverá ter crescido apenas 0,1% em cadeia e 0,7% em termos homólogos.

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