O comunismo está morto? O marxismo foi erradicado com a queda do Muro de Berlim? Não: ainda vive e, fazendo jus à forma metódica e progressiva como sempre operou, conspira para regressar ao poder. O DIABO recorda o famoso “Livro Negro do Comunismo”, que tanta celeuma causou entre os marxistas, e analisa o sistema de operação dos partidos comunistas internacionais e o perigo das frentes populares. 

O Portugal de 2016 é um País governado por um partido socialista que enfiou o “marxismo na gaveta”, ou seja, um partido social-democrático. Mas apenas em teoria.

Na verdade, esse Governo supostamente liderado por um partido moderado, que no infamoso PREC se notabilizou a lutar pelas liberdades que os comunistas pretendiam usurpar em nome do “proletariado”, necessita desesperadamente do apoio parlamentar de dois partidos marxistas para sobreviver – dois partidos que, a bem dizer, se auto-excluíram da vida democrática e se colocaram à margem da lógica parlamentar, que apenas usam para fins de propaganda. É aqui, essencialmente, que reside o horror da maioria silenciosa do povo português à solução artificial inventada por António Costa para salvar a sua carreira política.

Um desses partidos, o Partido Comunista Português, esteve durante muito tempo a mando de uma potência estrangeira, hoje extinta: a União Soviética. E serviu os seus propósitos estratégicos dessa potência no “momento certo”, quando entregou as nossas províncias ultramarinas, a quase totalidade do território nacional, a Estados fantoches da URSS.

Apesar do discurso das “políticas patrióticas e de esquerda”, é hoje convenientemente esquecido que o PCP foi fundado pela União Soviética em 1921, no âmbito da Internacional Comunista, mais vulgarmente conhecida por “Comitern”. No “Livro Negro do Comunismo”, os historiadores notam como, longe de ser uma organização de solidariedade conforme propagandeado, “o Comintern foi concebido por Lenine como um instrumento de subversão internacional” e que a “sua doutrina política era completamente decalcada da dos bolcheviques”.

Tal, de facto, estava presente nos seus estatutos originais, onde se podia ler que “A Internacional Comunista é o partido internacional da insurreição e da ditadura do proletariado”. Cada partido membro do Comitern encontrava-se em perfeita sintonia com Moscovo, notando os autores que cada um tinha secções de controlo ao modelo bolchevique, que “estavam encarregadas de organizar dossiers completos sobre os militantes e de reunir questionários biográficos e autobiográficos detalhados de todos os dirigentes”.

Moscovo podia, assim, enviar uma “revolução pronto-a-vestir” para cada país, sempre com os seus objectivos como prioridade. As enormes redes de espionagem comunista que existiram durante a Guerra Fria nasceram neste momento, pois “desde muito cedo, se não foi desde a origem, as secções do Comintern serviram como celeiros para o recrutamento de agentes de informação ao serviço da URSS”. Toda a informação reunida era enviada para a capital do império vermelho, tal como os arquivos da PIDE eram enviados para Moscovo durante o PREC. É esta a génese de um dos partidos que apoia o Governo de António Costa.

Amigos da onça

Nas várias “frentes populares” em que os marxistas-leninistas participaram ao longo da história da Europa no último século, como a que temos hoje em vigor, uma constante se verificou: o partido comunista local nunca foi minimamente leal aos seus parceiros de coligação, nem sequer à legitimidade do Estado em cujas instituições participava. Tal se viu nas múltiplas revoluções que aconteceram na Europa após a I Grande Guerra.

Na Hungria, os comunistas conseguiram jogar com o oportunismo dos social-democratas, os quais convenceram a fundir o seu partido com o partido comunista. Erro crasso – e os autores notam como os comunistas organizaram as turbas enraivecidas para destruir inclusive os seus supostos aliados: “O jornal oficial dos social-democratas, o Nepszava (A Voz do Povo) foi atacado no dia 18 de Fevereiro de 1919 por uma multidão de desempregados e soldados, mobilizados pelos comunistas com a intenção de ocupar ou destruir a tipografia”.

Os socialistas mais antigos certamente notarão a semelhança com o famoso “Caso República”, onde as forças vermelhas tomaram conta do jornal, um dos últimos ainda livres de influência comunista durante o PREC, com total conivência das forças armadas.

“Se os comunistas combatiam a extrema-direita e o nazismo nascente, também não hesitavam em atacar os comícios dos socialistas — descritos como “social-traidores” e “social-fascistas” — e as polícias de uma república tida como reaccionária, e talvez até fascista”, comentam os autores do “Livro Negro do Comunismo” ao analisarem as tácticas comunistas usadas vezes e vezes sem conta. Em Portugal, nos anos 70, o PS acabou por se aliar às forças moderadas contra o PCP, mas muitos dos seus líderes apenas não foram levados para o “Campo Pequeno” porque o 25 de Novembro travou a tomada de poder comunista.

Noutros países não houve a mesma sorte. Na Hungria, a república socialista acabou por ser proclamada e os “parceiros de coligação” foram executados. Em Espanha, a “frente popular” foi composta por membros da mesma natureza do “governo de esquerda” de Costa: elementos supostamente moderados do socialismo à mistura com um partido estalinista, o Partido Comunista de Espanha, e um partido trostkista, o Partido Operário de Unificação Marxista. Mal os comunistas se viram no poder, renegaram quaisquer compromissos de moderação e deram início a nacionalizações e ocupações radicais.

Os socialistas espanhóis fecharam os olhos à destruição de igrejas e à perseguição de qualquer pobre inocente que tivesse o azar de ser proclamado “fascista”. A Frente Popular acabou por ser mais e mais influenciada pelos comunistas, que fizeram chantagem com as forças republicanas, visto apenas a URSS estar disposta a fornecê-las com armamento. A táctica, segundo os autores, consistia em “em ocupar cada vez mais posições para ‘orientar’ a política do governo republicano no mesmo sentido daquela tomada pelo Estado soviético”.

De facto, em 1937 os serviços secretos russos já se confundiam com o aparelho de Estado espanhol: “o NKVD (antecessor do KGB) tornara-se uma espécie de escritório anexo ao Ministério do Interior, com o nome de ‘Grupo de Información’. Os agentes comunistas controlavam também a Direção da Segurança”. No fim, os comunistas perderam quase mais tempo a combater outros grupelhos de esquerda no que restava da república espanhola do que a combater as forças de Franco. O jornal comunista soviético ‘Pravda’ chegou a proclamar que “começou na Catalunha a eliminação dos trotskistas e dos anarco-sindicalistas; esse combate será levado até o fim com a mesma energia com que foi feito na URSS”. O crime destes grupos esquerdóides: não seguirem as ordens de Moscovo…

Em França, após terem impedido o necessário reforço militar durante a fase da “Frente Popular”, os comunistas sabotaram activamente o esforço de guerra. A centenas de quilómetros da frente, o Partido Comunista Francês, a mando de Moscovo, fez greve à produção de aviões de guerra, isto quando não sabotava linhas de comboio. O “anti-fascismo” tinha dado lugar ao “pacifismo” desde o acordo entre Estaline e Hitler para dividir a Polónia. O “patriotismo” dos comunistas estava agora à vista de todos.

No entanto, apesar destes esforços, a organização de insurreições armadas largamente fracassou no Ocidente, e apesar de metade da Europa ter sido escravizada por Moscovo, a outra metade permaneceu estoicamente livre. Os comunistas mudaram então de rumo, acabaram com o Comitern e passaram a aproveitar-se das “guerras de descolonização, para criar verdadeiras formações militares – os guerrilheiros -, grupos que se transformaram pouco a pouco em tropas regulares, em verdadeiros exércitos vermelhos”. A estratégia comunista passou, então, a trabalhar com outro fito em vista: criar uma “quinta coluna” no Ocidente.

A génese do terrorismo

A guerra no Ultramar português, nos anos 60 do século XX, não teve origens “espontâneas”: foi incentivada e financiada por Moscovo, que soube habilmente levar os Estados Unidos a apoiarem uma facção dos supostos “libertadores”. Recorde-se que, desde Janeiro de 1961, a administração norte-americana passou a ser chefiada por John Kennedy, cuja equipa na Casa Branca se encontrava dominada por complexos de esquerda refinados nas universidades onde era ‘chic’ ser “progressista”. A URSS sabia-o e usou esta fraqueza de forma maquiavélica.

Os primeiros incidentes do conflito tiveram capítulos verdadeiramente macabros, durante os quais os terroristas massacraram milhares de inocentes. Apesar de as primeiras ondas de choque terem sido comummente associadas a um certo “barbarismo” dos povos bakongo, do Norte de Angola, a verdade é que a população local também foi massacrada. De resto, negros e brancos vinham convivendo pacificamente, há séculos, até os agentes comunistas entrarem em campo.

O terrorismo foi, no Ultramar português, uma prática que os comunistas incentivavam. Como os autores notam, “numerosos movimentos de libertação nacional, de acordo com a terminologia em vigor, combinavam terrorismo e guerrilha na sua acção armada”. Os portugueses não se deixaram, no entanto, intimidar e reordenaram as suas forças militares para contra-guerrilha, tendo vencido a guerra no terreno. “No momento em que, para grande fúria da população branca, os oficiais no poder em Lisboa se manifestam a favor da independência das colónias, em 27 de Julho de 1974, o exército português era senhor de Angola”. Tendo fracassado militarmente no Ultramar, os comunistas conseguiram conquistar influência suficiente no MFA, em Lisboa, para cumprir as ordens de Moscovo: entregar o Ultramar aos movimentos comunistas.

No resto da Europa, nos anos 70, os terroristas a mando de Moscovo lançaram uma sangrenta campanha de desestabilização do Ocidente. Na Alemanha, estiveram envolvidos na “manipulação da Rote Armee Fraktion (RAF – Fracção do Exército Vermelho)” e albergaram os seus líderes na Alemanha de Leste “a troco de uma subordinação cada vez mais acentuada à Stasi (serviço secreto soviético na Alemanha de Leste), da qual passou a ser, de certa forma, o braço armado oculto”.

Em Itália, a instabilidade causada pelas Brigadas Vermelhas chegou a tal nível que, em 1978, Aldo Moro, o presidente do maior partido de direita do país, o Partido da Democracia Cristã, foi raptado e brutalmente assassinado por terroristas de esquerda. Durante os “anos de chumbo”, centenas de inocentes encontraram a morte pela mão da extrema-esquerda, enquanto o Partido Comunista local esteve sempre a um passo do poder, alcançando sistematicamente o segundo lugar nas eleições.

Em França, o Partido Comunista Francês ainda se preparava para a guerrilha interna nos anos 70, visto que continuavam “os treinos na URSS (tiro, montagem e desmontagem de armas, fabrico de armas artesanais, transmissões, técnicas de sabotagem) com as Spetsnaz, as tropas soviéticas especiais postas à disposição dos serviços secretos”. E até ao fim da Guerra Fria todos os partidos comunistas, incluindo os partidos legais, “mantiveram no seu interior a existência de um ‘aparelho militar’ secreto, capaz de vir a público quando fosse a ocasião”.

Quando não existia um grupo para aproveitar, Moscovo tratava de fundá-lo. Como notam os autores, o KGB esteve por detrás da criação do “Movimiento de Acción Revolucionaria (MAR)” mexicano, que foi dissolvido em 1970 pela polícia desse país.

No fim, o terrorismo comunista acabou por vitimar mais inocentes do que o actual terrorismo islâmico, cuja génese também foi incentivada e financiada por Moscovo. Hoje, a União Soviética já não existe, mas os métodos e o historial anti-patriótico marxista não podem ser esquecidos, especialmente quando os partidos que representam essa história vão voltando a ganhar poder.

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