A economia comanda a política

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As próximas eleições nas democracias devem ser marcadas pelos resultados da economia. As ideologias e as políticas populistas de curto prazo serão substituídas pelos factos, pela economia real de cada país. O povo já não aceita este negócio de esquerda e direita; quer qualidade de vida. Bons serviços por conta do Estado, como segurança pública e serviços de saúde, incluindo tratamento a idosos cada vez mais numerosos. O que não quer dizer que o eleitor vote bem, pois algumas recuperações na economia demoram, com as grandes heranças de anos de políticas equivocadas, de esquerda e com manchas de corrupção, como na Argentina. Nesta, a reversão é certa, pois o populismo peronista já assume posições reconhecidamente equivocadas, como controle cambial e de preços, inflação e inibição ao empreendedor – no caso argentino, a sua agricultura, das melhores do mundo.

No Brasil, a situação ainda não está definida. Política económica correcta, mas o Congresso demora em aprovar medidas essenciais, sempre exigindo contrapartidas que o actual governo não aceita, como nomeações de indicados para funções de comando em sectores de governo. E continua a faltar uma boa coordenação política ao governo, com o presidente e alguns ministros repetindo declarações infelizes. A meta, entretanto, permanece de crescimento de 2% este ano. Pouco para uma economia com grande capacidade ociosa em seu parque fabril.

Positivo tem sido a baixa nos juros sobre a dívida pública, a volta da Petrobras ao lucro – algo como nove mil milhões de euros, no ano passado –, assim como a Vale, segunda maior mineradora do mundo, e as licitações programadas para estradas, portos e aeroportos, com grandes investimentos vindos do sector privado nacional ou internacional. O sector financeiro está saudável, com o sistema bancário lucrando, como o caso do Itaú, que anunciou cerca de cinco mil milhões de euros de lucros no ano passado. Estamos em plena fase de balanços, que vai até 30 de Abril. E o imobiliário reage, especialmente em São Paulo.

A agricultura vive um bom momento, sendo que, neste ano, o Brasil ultrapassa os EUA na produção de soja, com cerca de 135 milhões de toneladas, aumenta a produção de açúcar, álcool e milho e continua líder mundial no comércio de carne bovina, suína e avícola. A paz voltou ao campo, contidas as invasões de propriedades rurais protegidas pelos governos anteriores.

Um desafio para muitos países, incluindo Brasil e Portugal, tem sido a capacidade de formar e manter no mercado mão-de-obra qualificada. Nas classes médias, continua comum ter pelo menos um membro das novas gerações trabalhando nos principais centros económicos do mundo, especialmente no sector financeiro. Mas fixar mão-de-obra não é com discursos nem apelos, mas com investimento que gere empregos.

Dois grandes desafios prejudicam o equilíbrio dos governos, retirando as condições de atracção de investidores: dívida pública e da população e excesso de despesas públicas com pessoal, hoje na maioria dos casos mais bem remunerados do que no sector privado. O chamado Primeiro Mundo não entende e não quer pagar por isso.

Contratar atendimento de saúde, vagas no ensino médio e superior, no sector privado, agrega economia e qualidade. Mas sofre forte contestação ideológica, com cobertura exagerada nos Media.

Os que andam nos limites de uma crise na prestação de serviços básicos com paz social devem temer que a economia neste ano dê um simples espirro. E quem souber assumir o que está no consenso do que dá certo na economia e na gestão pública só terá a ganhar.

Os chamados países emergentes, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, gigantes no mundo do comércio e da produção, estão procurando uma melhora. Rússia está cada vez mais dependente do petróleo e gás; Índia, sofrendo a concorrência asiática e com graves problemas sociais internos; a África do Sul, com metade da população em favelas e um quarto no desemprego, sem quadros para gestão e uso da tecnologia, já nem pode ser chamada de economia emergente. A África pede um choque de gestão, de ordem e de juízo.

Ao apoiar a tese dos liberais, com os resultados económicos, sociais e eleitorais de Donald Trump, os EUA tiveram crescimento no emprego, na produção, nos salários e a volta de empresas que haviam fugido das hostilidades da era Obama. Apesar da fúria dos Media locais e mundiais. ■