A “pandemia” económica que se avizinha

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Não se pode comparar a crise na economia em que o mundo está mergulhado – e que pode se agravar ainda mais, dependendo do andar da pandemia – com a depressão de 1929. Naquela ocasião, com os EUA já sendo a locomotiva da economia ocidental, a crise foi a partir dali, com os efeitos em escala muito menor nos demais países parceiros.

Hoje, os EUA já dividem a supremacia na produção industrial e no comércio internacional com a China. E a Europa forma um bloco económico com significado. E ainda tem economias robustas como Rússia, Golfo Pérsico, Índia, Japão e Coreia do Sul. E, mesmo nas Américas, há países com economias significativas, como o Brasil, México e Canadá. Austrália e Nova Zelândia não podem ser ignoradas. E a crise não é de um país, mas de todos, ao mesmo tempo e na mesma intensidade. Capitais escassos, com endividamento de governos e empresas de todos os tamanhos, desemprego galopante e mercado consumidor retraído.

Não vai adiantar muito retomar a produção e reabrir lojas. Afinal, o que é produzido tem de ser vendido. E para quem? As classes médias, grandes consumidoras de bens e serviços, saem da pandemia descapitalizadas. Os que guardaram a quarentena ficaram mais gordos e desfalcados de reservas. Países europeus acenam com a abertura do turismo para o Verão. Mas sem um projeto de estímulo muito criativo não haverá resposta. E o turismo a sobreviver deve ser mais o ferroviário ou rodoviário, em distâncias médias de 500 km dos centros emissores. Os aeroportos ficarão por bom tempo despertando cautela e receio nos usuários, que ficarão limitados aos deslocamentos por motivos profissionais.

Não se briga com a realidade. Não se tapa o sol com peneira. A crise não é apenas na saúde, no risco de vida que se corre; ela é fortemente económica e social. E, quem sabe, política.

Surpreendentemente a ciência não terá a tempo a resposta à pandemia, ou seja, a vacina. Esta corrida permanecerá por meses para ser definida, e outros tantos para levar à ponta do cidadão mundial.

Mais do que nunca, a ordem e a segurança dependerão da vontade política dos governos, da personalidade dos líderes. Aliás, estes andam escassos no mundo contemporâneo. Governos fracos, divididos e hesitantes diante da desordem estarão condenados e levarão de arrastão seus povos. 

A Europa vai saindo do topo da pandemia. Mas outros países, como o Brasil, entram nas grandes perdas, agora em torno de mil mortes por dia. Superado apenas pelos EUA. O Reino Unido talvez seja, na Europa, o maior prejudicado. As próximas semanas serão decisivas.

A par das pesquisas científicas, o desafio maior passa pelas esferas políticas, na busca de soluções económicas realistas, com o mínimo de efeitos sociais. Mas, para tal, o sindicalismo ideológico, por vezes violento, terá de ser detido. A esquerda mundial está exultante com a crise que atrairá as atenções de todos no arrefecer das perdas humanas. Vai tentar explodir as democracias. ■