Diferenças ideológicas

0
1015

O mundo vive um momento diferente. Antes, ou se viviam os princípios atribuídos à Revolução Francesa – supostos, mas sem consenso de ser verdade –, da liberdade de opinião, ou a ditadura imposta pelos regimes totalitários, como os da Cortina de Ferro e da Alemanha nazi. Não se devem incluir regimes como o de Franco, em Espanha, de Salazar, em Portugal, e de Mussolini, em Itália. Os latinos sempre foram diferentes. E a direita é biodegradável, os regimes acabam com os líderes.

Agora a situação é “sui generis”. Não basta ter-se uma posição madura e aceitar o casamento de pessoas do mesmo sexo, é também preciso aceitar as que optam por uma terceira via, com adopção e outras modalidades. Os “media”, especialmente cinema e televisão, querem que sejamos adeptos e não nos limitemos a aceitar. Situação tão absurda que um actor brasileiro, em entrevista, declarou que “pedia desculpas por ser heterossexual, embora nada tivesse contra os ‘homoafectivos’”. Nada mais natural que as diferentes opções, tão abertas hoje, sejam respeitadas. Mas daí ao constrangimento de uma situação compatível com a história universal, existe uma indiferença. Decorrido mais de meio século, a ideologia socialista francesa parece actual. Ela era do tempo em que o socialismo não se aliava ao comunismo. Já agora.

No campo histórico, vive-se o absurdo de se condenar vultos, que viveram outros momentos, há séculos. Desde o caso de Catarina de Bragança, a Rainha de Inglaterra, portuguesa, que teve uma estátua interditada no bairro nova-iorquino de Queens, nome dado em sua homenagem, pois reinou em regime esclavagista. Ora, como se os escravos recebidos pelos ingleses no Caribe não tivessem sido vendidos e transportados por negros. Temos agora católicos em Espanha que condenam, ou omitem, as perseguições a Franco e seus seguidores, numa mesquinha troca de nomes em locais públicos. Como se Franco não se tivesse oposto a um grupo que matou milhares  de religiosos e executou indiscriminadamente a burguesia, no triste episódio de Paracuellos. A nova burguesia sabe de tudo, mas cala-se. A reacção, em Espanha, parece que chegou, mas através das bases mais modestas, que mostram ser as mais dignas.

O dinheiro novo provém de jovens talentosos, operadores nos mercados financeiros capitalistas, que não receberam educação cívica e ideológica dos pais. Estão a acumular riquezas para entregar a movimentos irresponsáveis, como os bolivarianos na América Latina, os comunistas no passado. Não se conhecem sucessos socialistas sem o saque, a destruição do património acumulado por gerações no trabalho. Portugal conhece esta história muito bem.

A grande questão desta década é de se saber até onde a burguesia endinheirada vai ser conivente com seus algozes. Até quando os controladores e executivos das grandes empresas continuarão a financiar os mais radicais esquerdistas, anticapitalistas, coniventes com regimes execráveis como os de Maduro e da dinastia Castro, nos seus eventos “culturais” e nos “media” que os prestigia e oferece generosos espaços e salários?

Faz lembrar o “best-seller” dos anos 1960, “Em cima da hora”, da deputada socialista francesa Suzanne Labin, democrata horrorizada com o que era o comunismo. No seu livro, traduzido para português por Carlos Lacerda, ela falava do projecto comunista de conquistar o mundo livre sem dar um tiro, apenas através do controlo dos meios de comunicação e dos intelectuais. Em segundo plano, professores e médicos.

Formando a cabeça da juventude, iremos vencendo as resistências das classes médias, bases das sociedades democráticas e capitalistas. Daí, também, o estímulo desses governos à fusão de empresas, gerando gigantes, para facilitar, amanhã, a derrocada. ■