Economia comanda a política

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Neste mundo conturbado, procuram fazer crer que vivemos um momento de intensa actividade política, que, mesmo com pandemia, desperta as atenções gerais. Mas não é bem assim.

Atrás dessas manifestações está o factor económico, pois os povos, hoje, estão mais interessados no bem-estar social do que em abraçar ideologias. Já se sabe o que dá certo e o que leva à perda na qualidade de vida.

A movimentação política, especialmente na área urbana, deve-se ao projecto de enfraquecer aqueles países alvos da cobiça desta nova esquerda, que tem o objectivo de mudança, mas não possui propostas que não destruir os valores da civilização judaico-cristã. No poder, vigora o estado policial, como na Venezuela, Nicarágua e Cuba. E a referência maior é a Rússia de Putin que, no fundo, além de controlar a Ucrânia, quer enfraquecer a economia ocidental, começando pela Europa e a sua dependência energética. Antes, Moscovo já beneficiava do preço do petróleo, que o salvou ano passado.

A batalha por uma economia que cresça, que ocupe a massa trabalhadora, que gere riqueza com avanço tecnológico e social, enfrenta gargalos sérios e pouco se trata da questão, provavelmente dentro dos interiores desta nova esquerda que se confunde com o simples populismo nacionalista.

A Ucrânia é peça importante no fornecimento de gás para a Europa. Por isso a guerra está no programa mundial e a omissão do Ocidente vai levar em breve à invasão de Taiwan e, depois, novas investidas contra Israel. Parece claro que o apoio da China diminui muito as acções do Ocidente na economia russa.

E a falta de chips, com produção concentrada na Ásia, gera problemas em todo o mundo, incluindo na suposta robusta economia dos EUA. O Brasil, que é o único produtor na América Latina, pensa em fechar a sua fábrica, que é estatal, e acolher investimento russo. É preciso uma solução de curto prazo. Outro gargalo grave é o transporte marítimo, base do comércio internacional. Faltam barcos e contentores e a segurança afecta o sector.

A MSC, gigante mundial, suspendeu as operações no Brasil em consequência do uso dos contentores de seus clientes para a introdução criminosa de drogas. Esta prática tem dado aborrecimentos aos seus clientes e prejuízos à empresa. Recentemente, pagou cinquenta milhões de dólares de multa nos EUA.

Mas o perigo ronda a economia em todos os flancos. A fragilidade dos bancos europeus foi agravada com a pandemia e, hoje, vive-se o susto da inadimplência. E a esta junta-se o endividamento do sector público, com ameaça de juros crescentes. A inflação está de volta em meio mundo.

A complicar tudo está a ausência de lideranças fortes, carismáticas, capazes de impor programas com coragem e aceitação popular. Quase todos os países ocidentais pedem reformas, diante de uma legislação construída com muita ideologia, irresponsabilidade e demagogia. Mexer em privilégios nunca foi tarefa fácil. Não temos um Reagan nem uma Thatcher. E a América do Sul, onde a crise deve crescer, ficou órfã de seus militares. Sobram caudilhos populistas e despreparados. E uma volta ao domínio estatal na economia, como no Peru, Chile e Argentina, com intervenções antigas, como o controlo de preços. 

No geral, a classe política anda desgastada em todo Ocidente, com casos de corrupção e incompetência. E a Justiça acabou servindo para bons empregos e protecção a malfeitores. Impunidade com decisões de envergonhar os magistrados dignos.

Embora, com certo risco, na reforma política que se impõe os mandatos precisam ser de cinco anos, pois como hoje, com a maioria de quatro anos, não há tempo para se corrigir erros mais recentes.

Os países de democracia consolidada não resistem a prateleiras vazias, desemprego e carestia. E nessas horas não se sabe o que pode acontecer. A realidade é cruel. O mundo parece estar por um fio. E afrontado com a violência russa, ameaças a outros países à sua volta. ■