Nova direita brasileira de alto nível

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Procura-se, no mundo, ligar movimentos populistas, com afinidades na direita no que toca à defesa dos valores da família, do patriotismo e da fé cristã, com uma direita intelectualmente preparada, com princípios históricos e filosóficos.

A direita populista tem como referências Trump, Bolsonaro, Le Pen e outros campeões de votos, mas de pouco conteúdo. Ambas as facções só têm realmente em comum a oposição às políticas e aos políticos de esquerda.

No Brasil, o movimento mais sério em relação à direita é composto por jovens, na sua maioria com menos de 50 anos, com boa base cultural e académica, que vem ganhando terreno numa aliança tácita com os jovens liberais. Estes muito presentes nos mercados financeiros. E nalguns institutos de estudos com pouca repercussão junto da população.

Uma das plataformas mais respeitadas está no Maranhão, uma região pobre no nordeste do Brasil, com grande tradição nas letras e presença na política, com nomes do peso como o presidente José Sarney, também um intelectual. Trata-se da editora Resistência Cultural, fundada e dirigida por um jovem talentoso e de grande cultura, José Lorêdo Filho, que lança livros de singular alcance no debate ideológico. É de onde saiu a edição das obras de Miguel Ayuso, de Chesterton e do luso-brasileiro Ibsen Noronha, professor de História do Direito, na Faculdade de Direito de Coimbra, e autor de livros de referência no que toca à questão da escravatura e da monarquia no Brasil. Outro editado é o ilustre professor de Direito paulista Ives Gandra Martins, uma voz respeitada no conservadorismo brasileiro.

Mas é no grupo jovem, em torno dos 40 anos, que o Brasil tem revelado talentos na imprensa e na literatura histórica. Um deles é Rodrigo Constantino, que vive nos EUA, presente na vida brasileira e com mais de dois milhões de seguidores nos medias sociais. É dele o prefácio do significativo livro “Guia Bibliográfico da Nova Direita”, do também jovem Lucas Berlanza, editado por Lorêdo.

Este guia para a formação consciente do pensamento liberal-conservador no país enumera 39 livros, a serem lidos pelos jovens não atingidos pelo discurso esquerdista, dominante nos meios académicos. Berlanza reúne indicações de nomes como Edmund Burke, Friedrich Hayek, Ludwig Von Mises, Raymond Aron e os brasileiros Roberto Campos, José Guilherme Merquior e Carlos Lacerda, um especial inspirador para o autor, e outras referências indispensáveis para dar uma base ao debate ideológico.

A nova geração chegou ao Parlamento e já se faz respeitar com o deputado Marcel Van Hattem, de forte militância liberal. Esta tendência nova não se alinha com Bolsonaro, mas os seus adeptos evitam fazer eco à acção barulhenta e bem presente nos media dos críticos do presidente, por eles considerado o “mal menor”. Mas, pelo menos na primeira volta, no próximo ano, certamente não estarão juntos nos mesmos comícios.

O grupo promove o combate aberto às esquerdas e tem como uma das suas palavras de ordem que “a esquerda, quando perde uma eleição, tenta destruir o país e, quando ganha, consegue”.

Sim, o Brasil tem uma direita civilizada e educada! ■