Problemas do dinheiro velho no Brasil (conclusão)

Braguinha fez bom uso do dinheiro, não foi avarento, não tinha prazer em ter, mas, sim, de usufruir. Sabedoria de quem se serve do dinheiro e não serve ao dinheiro. Caso julgasse justo alguma alteração no pactuado, teve tempo para o fazer mas não fez. A fortuna no Brasil foi constituída pelo pai, Antônio, casado com Lúcia Pereira Bueno, de tradicional família paulista, a partir de criativa proposta de parceria com a cidade de São Paulo, nos anos vinte, de receber em terrenos os trabalhos de saneamento de larga faixa de várzea, onde hoje está o Mercado Municipal e a rua 25 de Março, a de maior comércio em todo o Brasil, e o Parque D. Pedro II, na participação no Banco Português do Brasil e na seguradora Atlântica, fundada  em 1934, no Rio, e depois incorporada ao Bradesco. Os Almeida Braga são sobrinhos do notável intelectual português, advogado, político e monárquico de referência Luís de Almeida Braga, irmão do pai Antônio, e mantiveram toda a vida uma propriedade em Gondarém, berço da família.

Tem sido comum fortunas tradicionais terminarem na terceira geração. Famílias como Rocha Miranda, segurador e minerador de presença internacional, controlador da Panair do Brasil, Grupo Peixoto de Castro, de refinaria de petróleo, banco, imóveis, Guinle, entre outras coisas o Copacabana Palace e a Docas de Santos. Outro caso, no Brasil, é a dos Monteiro de Carvalho, que foram sócios do Grupo Espírito Santo, no banco, no Brasil, e no empreendimento Quinta Patino, no Estoril. Também viveram entre Rio, Paris – onde a família chegou a ter três apartamentos –,  casa em Cap Ferrat, no Mediterrâneo, apartamento em Nova York, além de praias privadas, uma ilha e herdades, no Brasil. Hoje, a terceira geração administra o que sobrou do império, que, no passado, incluiu 10% da Volkswagen do Brasil. A quebra do Banco Espírito Santo – Interatlantico no Brasil – teria custado quase cem milhões de dólares ao Grupo Monteiro Aranha. 

Exemplo maior foi o final das indústrias Matarazzo, com mais de cem fábricas de vários produtos, e outros negócios, fechou as portas nos anos oitenta. O Império de Assis Chateaubriand, os Diários Associados, que teve a primeira rede nacional de televisão, meia centena de emissoras de rádio e 31 jornais e a emblemática revista O Cruzeiro, que chegou a vender nos anos sessenta mais de quinhentos mil exemplares por semana. O grupo hoje possui meia dúzia de jornais e de rádios, sem expressão. E os bancos de grande porte que sucumbiram, como Comércio e Indústria de SP, Auxiliar de SP, Boavista, Econômico, Bamerindus, e grandes casas comerciais de presença nacional, como MESBLA, Lojas Brasileiras, Mappin. 

Este chamado “dinheiro velho” teve a vantagem de nenhum caso de naufrágio ter envolvido fraude, escândalo de qualquer monta. Saíram de mãos limpas e bolsos vazios. Outros tempos! ■

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