Espectáculos, sim, mas só os “politicamente correctos”

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A generalidade dos sectores culturais foi autorizada pelo Governo a realizar de novo espectáculos a partir da passada segunda-feira – e o Primeiro-Ministro e o Presidente da República fizeram questão de assistir a ‘shows’ cómicos no Campo Pequeno. Só que a autorização tem um “mas”: dela foi excluído o sector tauromáquico.

Conhecida pela sua aversão pessoal às corridas de toiros, a Ministra da Cultura fez a vontade ao ‘lobby’ anti-taurino e discriminou negativamente a Festa, relegando para data posterior a reabertura das actividades tauromáquicas. Logo foi saudada pelo deputado do PAN André Silva, que aproveitou para transformar um desejo em decreto: “Pelo PAN, as Praças de Touros não são para abrir, nem hoje, nem a 15 de Junho, nem nunca”, disse ele.

Todas as organizações taurinas protestaram contra a discriminação, que se inspira ostensivamente em pretextos ideológicos. Também o CDS se rebelou contra o adiamento: “É absurdo que outras actividades e espaços culturais retomem o funcionamento com recomendações da DGS e a tauromaquia e as praças de touros fiquem à margem desta realidade”, disse Francisco Mota, da organização de Juventude daquele partido. “Não há motivo algum que não o da pura discriminação negativa, sendo prova disso o facto caricato de o primeiro espectáculo cultural se realizar precisamente no Campo Pequeno”.

A perseguição à tauromaquia é uma das obstinações da “esquerda-caviar”, cujo contacto com a vida rural é nulo. Isso mesmo foi denunciado pelos cavaleiros tauromáquicos António Telles, Luís Rouxinol e Rui Fernandes, e pelo antigo forcado José Luís Gomes, que resolveram manifestar-se à porta da Praça de Toiros do Campo Pequeno contra o facto de a Tauromaquia ter sido a única excluída de retoma cultural.

Também Miguel Sousa Tavares, no seu habitual espaço de comentário na TVI, se referiu a uma “incoerência total de medidas”. E sublinhou: “Não consigo perceber como é que há um concerto no Campo Pequeno para duas mil e tal pessoas e não pode haver uma tourada. Só há uma justificação, que é a perseguição ideológica às touradas”. ■