Carta aos amigos de António Telmo

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Alguns Amigos de António Telmo têm promovido, ano após ano, um Encontro de Dia de Reis, logo no início de cada ano. Em geral, não tenho comparecido porque um outro grupo de Amigos, mais ligados ao Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, que também integro, tem promovido igualmente um Encontro similar. Nestes dois últimos anos, ao contrário do que por regra tem acontecido, os dois Encontros não decorreram no mesmo dia – pelo que pude participar em todos eles.

No Encontro de 2019, que decorreu em Sintra, pude antecipar, em primeira mão, que em 2020 a NOVA ÁGUIA iria dedicar um dos seus números do presente ano a António Telmo, por ocasião dos dez anos da sua partida. Entretanto, em Julho de 2019 faleceu igualmente Pinharanda Gomes – pelo que se decidiu que, no primeiro semestre, seria ele a figura em destaque na NOVA ÁGUIA; e, no segundo semestre, a figura de António Telmo. Eis o que eu próprio reiterei no Encontro de Dia de Reis deste ano, em Elvas.

Não projectámos organizar nenhum evento público em torno desta efeméride porque sabemos que, nesta década, houve alguns diferendos no universo dos Amigos de António Telmo. Para mais, os dois últimos Presidentes do Círculo António Telmo, Inácio Balesteros e Luís Paixão, faleceram igualmente nestes últimos tempos. Não havendo propriamente o clima mais propício para organizar um evento público sobre António Telmo, considerámos, porém, que a NOVA ÁGUIA poderia cumprir esse (duplo) desiderato: o de não deixar esquecer António Telmo, uma década após a sua partida, e o de dar voz a todos os seus Amigos, apesar desses referidos diferendos.

Findo o prazo de recepção de textos, no final de Junho, esse desiderato não se cumpriu plenamente – e falamos da quantidade de textos que nos chegaram, não da sua (muita) qualidade. Foram apenas cerca de uma dezena – o que consideramos escasso, dado o extenso número de Amigos de António Telmo. Assim sendo, iremos desdobrar a nossa Evocação de António Telmo em dois números da NOVA ÁGUIA: no nº26, iremos publicar alguns inéditos seus; no nº 27, iremos então publicar todos os textos sobre António Telmo: os que nos chegaram até agora, mais aqueles que nos chegarem até ao final do ano. 

Fica, pois, feito este reiterado Apelo aos Amigos de António Telmo. A NOVA ÁGUIA nunca tomou partido em qualquer espécie de diferendo interno. A NOVA ÁGUIA tem inimigos, mas esses estão lá fora, não cá dentro: são todos aqueles que, por acção ou omissão, renegam a Cultura-Pátria de Língua Portuguesa e as suas figuras maiores. Internamente, a NOVA ÁGUIA não faz fronteiras, apenas pontes: e, por isso, seremos a ponte entre todos os Amigos de António Telmo. E, por isso, como de resto antecipámos no Encontro de Dia de Reis deste ano, em Elvas, um dia haverá apenas um Encontro de Dia de Reis: em que todos os cultores da nossa Cultura-Pátria possam estar presentes. Os nossos inimigos são demasiados (pelo menos, em quantidade) para nos podermos dar ao luxo de qualquer espécie de divisão entre nós. ■