O renascimento do Marxismo no PS

A máquina de propaganda do PS está a fazer uma lavagem ao cérebro digna dos tempos da Alemanha nazi e que deixa a anos-luz António Ferro…

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O Governo de António Costa não me dá descanso. Quando eu penso que poderei escrever sobre temas mais interessantes e adequados, destinados a propor uma estratégia futura para Portugal e para a melhoria da vida dos portugueses, logo o Governo faz uma das suas e obriga-me a voltar atrás e a perder tempo.

Pois não é que no passado Domingo de Páscoa o Governo avançou com o contrato para a construção da Linha Circular do Metro, linha chumbada por duas vezes na Assembleia da República e uma vez na autarquia de Lisboa, em que a maioria votou contra a construção daquela linha? Antes disso, o Governo já tinha lançado uma ‘fakenews’ destinada a gerar a confusão, que optava por construir a continuação da Linha Vermelha até Alcântara e daí, presumo, com continuação até Oeiras. Poeira para os olhos dos portugueses, quando o que o Governo pretende realmente é satisfazer as exigências da especulação imobiliário na Baixa de Lisboa.

Entretanto, continuam as obras na linha ferroviária do Sul para Beja, em via única e bitola ibérica, uma verdadeira aberração estratégica e um enorme desperdício do dinheiro dos portugueses e da União Europeia.

Ao mesmo tempo, o ministro das Infraestruturas e  da Habitação, Pedro Nuno Santos, saiu da hibernação em que a pandemia o tinha colocado e foi à Assembleia da República para dar cabo da administração da TAP e julgar negativamente a sua gestão – por onde andará um tal Lacerda, amigo de António Costa? – e também para pronunciar uma diatribe revolucionária e populista para agradar ao bom povo do PCP e do Bloco de Esquerda, além, pelo que vejo, agradar a algum povo socialista. Pelas nacionalizações, marchar, em frente!

A pandemia do Covid-19 tem servido para mostrar o medo que o PS, o Governo e o Presidente da República têm da CGTP. Em conluio, fizeram uma lei em que exceptuaram as comemorações do 25 de Abril e do 1º de Maio de todas as outras celebrações, desde o 13 de Maio em Fátima ao Dia de Portugal. Ao mesmo tempo que abriram algum comércio, mantêm as igrejas fechadas, que, como é sabido, têm todas as condições de distanciamento dos fiéis.

Não sou religioso, mas sou democrata e vejo com crescente preocupação a deriva do Partido Socialista, ou se preferirem da sua plutocracia dirigente, para quem o poder é essencial para alimentar a grande família socialista. E, apesar de as propostas políticas e económicas do PCP e do Bloco de Esquerda serem uma versão requentada do marxismo leninista e afins, condenada por cem anos de realidade histórica, com centenas de milhões de mortos, o PS não se importa e retirou da gaveta, onde o Mário Soares o tinha arrumado, o marxismo. 

É impressionante a forma como o PS convive com as teses marxistas dos partidos à sua esquerda e ao mesmo tempo avança com todas as suas ligações entre a política e os negócios e convive bem com a ética da Maçonaria e da corrupção. Com ou sem regime de excepção, o PS, o Governo e o Presidente da República já passaram as fases da separação de poderes e de defesa da Constituição, para passarem a governar por decreto. e por encontros no Palácio de Belém. 

Mário Soares e Salgado Zenha combateram em devido tempo tudo que o PS de António Costa anda agora a fazer. Não o faz sequer por convicção política ou ideológica de esquerda, seria do mal o menos, mas pura e simplesmente por oportunismo de sobrevivência. Razão por que o ministro Pedro Nuno Santos anda muito enganado e, simultaneamente, a fazer alguns fretes aos negócios nas obras públicas, ao mesmo tempo que abre a porta às nacionalizações pretendidas pelo Bloco e PCP. De facto, com António Costa, Pedro Nuno Santos não tem qualquer hipótese de ascender a Secretário-Geral do PS em alternativa a Fernando Medina. Este, Fernando Medina, é o sósia perfeito e conveniente de António Costa, sem ideias e sem projecto para o futuro, mas ‘the show must go on’.

É igualmente impressionante a forma como o PS está a aproveitar a pandemia para reforçar a sua máquina de propaganda. Não é hoje possível ligar qualquer dos canais de televisão, nomeadamente a SIC e a RTP, sem encontrar António Costa, Sisa Vieira ou algum outro dos ministros, ou dos comentadores de serviço, a reforçar as teses governamentais. Trata-se de uma lavagem ao cérebro digna dos tempos da Alemanha nazi e que deixa a anos-luz António Ferro. Para mais agora, quando não é bonito ter ideias alternativas às do Governo. 

Com os partidos da esquerda parlamentar a fazerem de conta que fazem oposição, não consigo entender Rui Rio e o PSD. Não se trata de haver uma política do bota abaixo, que é estúpida em qualquer circunstância, mas de fazer oposição inteligente e fundamentada, com base na realidade e em propostas viáveis que, pelo menos nas questões de regime e da economia, entram pelos olhos dentro para quem os tiver abertos. Veja-se, por exemplo, a questão do Metro, chumbado na Assembleia da República, da TAP, da ferrovia, das reformas eleitorais e da Segurança Social, cujo dinheiro dos utentes é usado para tapar buracos no Estado.

Nesta coluna tenho feito propostas para vencer a crise económica e social que aí vem: mercado interno ou exortações; obras públicas para o futuro da economia e uma logística de exportação, ou contratos para satisfazer interesses de algumas empresas do regime; nacionalizações, ou liberdade de iniciativa; mais Estado, ou reforço das instituições livres da sociedade; concorrência no Serviço Nacional de Saúde, valorização do mérito e da ciência, ou estatização, burocracia e corrupção; pensar o futuro e antecipar os acontecimentos, ou deixar Portugal atrasar-se relativamente aos outros países da União Europeia. São estes alguns dos temas em que tenho feito opções e propostas claras, nestes meus escritos. Será que Rui Rio e o PSD não encontram ali nada que valha a pena debater e colocar na agenda política?

Chegámos à vigésima quinta hora de haver uma ideia clara sobre o modelo de economia que sobreviverá quando a pandemia terminar. Há dias, para ser lido pelos empresários da região de Leiria, escrevi o seguinte: “Temos agora uma oportunidade única com a nascente consciência de que os Estados e as empresas ocidentais estão a desenvolver o reconhecimento de que não poderão continuar a depender da China, um país que se rege por regras não democráticas e não confiáveis. Além de um país que tem uma estratégia de domínio global da economia”.  

Escrevi ainda: “Como tenho defendido, a indústria de moldes deve evoluir, com ou sem crise, para uma indústria inovadora de produtos de consumo. Temos para isso tudo o que é necessário além dos moldes, desde a engenharia de desenvolvimento de produtos, a prototipagem, o controlo de qualidade, a transformação de materiais plásticos e ligas de metal leves, a estampagem de metais, pintura, decoração, cartonagem, sistemas de automação, de montagens e de embalagem. Além de uma localização de eleição no centro do Ocidente e do Atlântico”.

Estou certo de que os empresários da Marinha Grande compreenderão a mensagem. Mas o ministro de Estado e da Economia, o advogado Sisa Vieira, agora especialista de pandemias, compreenderá? ■

Nota: Sabemos que o Presidente Marcelo falou com o seu homólogo Donald Trump e gostaria de saber se intercedeu a favor do bom povo de Moçambique, atacado pelo Daesh. E, ainda a propósito, onde está a solidariedade portuguesa? Será que já oferecemos a ajuda das Forças Armadas portuguesas ao Governo de Moçambique para combater os terroristas (ao menos a Força Aérea e a Marinha)?
Ou metemos o rabo entre as pernas? ■