Partido Socialista: que futuro?

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O primeiro cartaz da campanha eleitoral do PS com a fotografia de António Costa diz o seguinte: “Juntos Seguimos e Conseguimos”. Trata-se de um cartaz que faz todo o sentido para quem ganhe o salário mínimo, não pague impostos, habite numa casa do Estado ou de renda antiga e, eventualmente, seja funcionário público ou trabalhe na segunda economia. Duvido que o cartaz tenha a mesma eficácia para quem trabalhe numa empresa da primeira economia, pague impostos, renda de casa, ou casa própria, e pense pela sua cabeça. Isto é, trata-se de uma mensagem destinada a preservar um Portugal pobre, endividado, dependente do Estado e com poucas ou nenhumas ideias para desenvolver o país, é um verdadeiro programa destinado a manter a pobreza e aumentar a dependência dos portugueses do Estado socialista. Não é, portanto, a base de um programa destinado a criar riqueza, libertar a sociedade e a desenvolver a independência e a criatividade dos portugueses.

De acordo com o cartaz, vejamos agora aquilo que os portugueses conseguiram com o PS em geral e com António Costa em particular:

1.

Vinte anos de estagnação económica, atrás da grande maioria dos países da União Europeia, que cresceram mais e com maior aumento do rendimento das famílias.

2.

 Conseguiram um dos mais altos níveis de impostos da União Europeia e uma das mais baixas protecções do Estado. Recordo os fogos de 2017, os milhares de mortos nos lares de idosos sem qualquer protecção, centenas de milhares de utentes sem médico de família, um Serviço Nacional de Saúde caótico e a perder, ou a abandonar, os seus melhores profissionais. O exemplo da tragédia no Lar de Comércio no Porto, ficará para a história como o exemplo do que António Costa conseguiu nos últimos seis anos.

3.

 Conseguiu ainda a recusa da reforma das leis eleitorais e a manutenção de um regime político de democracia condicionada, com deputados na Assembleia da República escolhidos pelas oligarquias partidárias por razões de fidelidade pessoal e não pelos eleitores portugueses através do voto livre e descomprometido.

4.

Conseguiu a manutenção de um regime político de partido quase único, no poder há 18 dos últimos 25 anos, que pretende continuar a fazer mais do mesmo, seguindo a ortodoxia marxista do século XIX, que não deu bom resultado em lado algum nos séculos XX e XXI. Modelo que tem permitido criar empregos bem remunerados no Estado e nas organizações dependentes do Estado aos fiéis militantes do PS, ou para os seus companheiros de estrada. O presidente do partido dá o exemplo e tem toda a família com bons empregos.

5.

 O PS legou-nos um sistema de educação laxista, sem exigência, focado num modelo de ensino universitário burocratizado e desligado da realidade económica e no desconhecimento de que o futuro do país se joga nas creches e no pré-escolar, com o objectivo de interromper o círculo vicioso da pobreza e da ignorância que se reproduz no seio das famílias mais pobres. Além de não permitir que as crianças cheguem à entrada do ensino obrigatório com níveis de desenvolvimento semelhantes. 

6.

O PS vai deixar-nos uma ferrovia mantida teimosamente em bitola ibérica, com comboios que não saem de Portugal, com a perda de milhares de milhões de euros de fundos destinados à sua modernização, à integração na rede europeia e ficando a nossa economia dependente da Espanha para o transporte das mercadorias portuguesas da e para a Europa.

7.

Conseguiu ainda a protecção das grandes empresas do regime, como a EDP, REN, Efacec e Novo Banco, como no passado recente, o BES, o BPN, BPP, BANIF, empresas principalmente dos sectores de bens não transaccionáveis. Conseguiu o privilégio político do mercado interno e a despreocupação com o investimento externo e as exportações. Igual despreocupação com a excessiva dualidade da nossa economia, em que os apoios são direccionados para a parte mais pobre e mais dependente do Estado, que serve os interesses da manutenção do PS no poder, mas não serve o país ou o futuro dos portugueses.

8.

O PS conseguiu ainda tornar-se dependente das exigências do PCP e do Bloco de Esquerda, dependência que tem aumentado a despesa fixa do Estado e reduzido a quantidade e a qualidade do trabalho, além de aumentar o conservadorismo do poder político, incapaz das mudanças que a passagem do tempo exige e que são urgentes para melhorar a competitividade da economia portuguesa. A cedência ao PCP na nacionalização da TAP, que interrompeu um ciclo de grande crescimento da empresa enquanto privada, terá custos insustentáveis no futuro da empresa e do país.

9.

Foi-nos legada uma política energética inventada por José Sócrates e continuada por António Costa, baseada no excesso de energias renováveis, para mais as mais fortemente intermitentes, fazendo com que Portugal tenha os custos mais elevados da Europa para as famílias e empresas, que os portugueses tenham frio nas suas casas, que os transporte públicos e privados sejam ambientalmente desadequados, além de escassos e de má qualidade e que cresçam os níveis de importação de energia de Espanha, Marrocos e França, países com critérios menos fundamentalistas nas questões do ambiente. Tudo isto apesar da capacidade de produção de electricidade instalada em Portugal ser mais do dobro do consumo, tornando Portugal num caso extremo de estupidez na sua política energética.

10.

Finalmente, a corrupção ficará como uma marca distintiva da governação de José Sócrates e de António Costa, corrupção conhecida por minar a democracia e atrasar o processo de modernização e de progresso dos países. Talvez que Manuel Pinho, mais do que Ricardo Salgado ou outros da longa lista de corruptos conhecidos, seja o exemplo mais pedagógico da governação do PS. Este ex-ministro do PS não viu nada, não soube de nada e não favoreceu nada. A Justiça é, por definição, a culpada de tudo.

António Costa é essencialmente um homem do passado, um produto estagnado da luta contra o anterior regime, que utiliza alguma inteligência e sabedoria política para se manter no poder, que é o seu único grande objectivo, depois de ter perdido as eleições de 2015. É a continuação de José Sócrates, uma continuidade que conduziu à negação dos valores do Partido Socialista de Mário Soares e a tornar o partido dos ideais democráticos do 25 de Abril na enorme família dos interesses que é hoje.     

O mal que o Partido Socialista fez a Portugal e aos portugueses, nomeadamente às futuras gerações, não tem perdão. Estamos a viver um dos piores períodos da nossa história, com mais de vinte anos de estagnação económica, com uma corrupção galopante e com a certeza de que mesmo as poucas melhorias havidas não são sustentáveis porque a economia não o permite. O cartaz que me conduziu a escrever este texto é o melhor exemplo de um partido que hoje sobrevive do passado e dedicado a desconhecer e a negar o futuro. ■