Escândalo – Marcelo não paga a renda

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Manuel Arriaga Brum da Silveira começou por pagar cem mil réis de renda pelo palácio de Belém em 1912, mais tarde Bernardino Machado, Sidónio Pais, Canto e Castro e Manuel Teixeira Gomes também pagaram renda pelo palácio. Durante o Estado Novo os presidentes deixaram de pagar renda e Ramalho Eanes, que viveu em Belém, também não pagou renda, um facto que mancha claramente a reputação do impoluto militar de cara sisuda!

Já Marcelo Rebelo de Sousa não paga renda. É certo que não habita o palácio, mas poderia habitá-lo, e como nos já deu diversos exemplos de parcimónia, talvez queira começar a dar o exemplo e começar a pagar uma rendinha pela utilização do seu gabinete…

Vem isto a propósito do ridículo de Marcelo que anda a fazer de poupadinho para dar exemplo. Começou por recusar um mercedes deixado novo por Cavaco, que em vez de ser vendido em hasta pública permanece (!) ao serviço de António Costa, optando Marcelo por outro mercedes, alugado, mais barato.

Vem isto também a propósito da ida de Marcelo a Lyon, para ver a selecção nacional, em que o senhor presidente quis pagar 600 euros para contribuir para a gasolina do aparelho, seis mil euros a dividir pelos dez lugares do aparelho… Mas se a viagem se fez por causa do presidente, por que razão não pagou ele mesmo os seis mil euros? Ou será apenas para lavar a cara depois de o ‘Correio da Manhã’ ter denunciado a viagem de Falcon para o presidente ir ver a bola?

Se era viagem de Estado não devia ter pago, se era viagem para ver a bola devia ter ido de transporte privado, talvez alugando um avião e dividindo a conta com os amigos. Os amigos eram precisamente uns dignitários como o presidente da Assembleia, Ferro Rodrigues, homem com menos posses do que o abastado presidente e fez figura de embaçado sem ter metido os seiscentos euros da vaquinha. Será que Ferro é caloteiro? Ou será que Ferro é abusador dos recursos do Estado?

Enfim, é necessária parcimónia, mas não exageremos. O Presidente ir ver o jogo da selecção é importante para os emigrantes, para os jogadores, para o País, seria também importante tê-lo nos mundiais ou europeus de atletismo ou nos jogos olímpicos e para-olímpicos, mas o futebol é popular e até seria justificado ir de Falcon da Força Aérea ver o jogo, provavelmente seria mais caro contratar voos comerciais e os pilotos precisam de horas de voo.

Seria plenamente justificado usar o aparelho para uma viagem de Estado, agora pagar uma fracção do seu custo para contribuir para a vaquinha da gasolina para fingir que se é parcimonioso fica mal ao Chefe de Estado e não dignifica nada a sua função. Um presidente que fosse seiscentos euros mais pobre não poderia ir ver a selecção? Pede-se mais dignidade à função de presidente.

Professor Marcelo, deixe-se de partes gagas e de querer ser mais virtuoso do que a madre Teresa de Calcutá. E deixe, já agora, de pagar do seu bolso os almoços de trabalho em Belém, mesmo quando não são almoços de Estado ou protocolares. Fica-lhe mal e significa que está a rebaixar a figura de Chefe de Estado de Portugal. Faz lembrar o António José de Almeida, que pagava cinquenta escudos por mês por usar a baixela do palácio. Oh, não! Do que me fui lembrar…

Qualquer dia o Marcelo vai querer pagar cento e cinquenta euros por mês para ajudar a lavar os pratos de Belém.

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