Menos turismo, mais agricultura

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Depois de elencarmos alguns aspectos muito importantes do que deve ser feito pela direita no que diz respeito às leis e ao Estado de Direito, passando por uma reforma total do sistema de Justiça, transformado Portugal num   z em que a culpa não morre sempre solteira, é tempo de elencar as grandes balizas do desenvolvimento preconizado pela direita.

Existe uma série de pequenas medidas, sem custos, que poderão melhorar o País. Portugal não pode ser dependente em recursos alimentares do exterior. Deve investir numa agricultura desenvolvida, inteligente, ligada à tradição e à terra, com produção de bens tradicionais da cultura mediterrânica e atlântica a que Portugal deve a sua história. Analisamos neste ponto a agricultura no futuro de Portugal. 

A primeira medida será a actualização do cadastro da propriedade rural em Portugal e a realização do censo de todas as terras com potencial agrícola, pecuário ou de silvicultura. Depois será a constituição efectiva, e não apenas demagógica e ‘para inglês ver’, de um verdadeiro banco de terras. Quem não quiser explorar as terras deverá cedê-las, a preços reduzidos, ou por rendas a serem cobradas apenas depois de as mesmas atingirem os seus picos de rendibilidade, ao banco de terras que fará a gestão da propriedade rural actualmente sem préstimo produtivo. 

As terras sem qualquer rendibilidade, por defeito de dimensão, deverão ser emparceladas em zonamentos maiores, de forma a que se possam explorar de forma rentável, sendo os rendimentos redistribuí-
dos pelos proprietários.

O País não ter industrializado a sua agricultura de forma excessiva pode ser um factor positivo. O montado no Alentejo, com produção de cortiça e do porco preto, animal sustentável por excelência, investindo no longo prazo, será uma mais valia num comércio mundial cada vez mais à procura dos bens genuínos e valorizando cada vez mais a diferença e a qualidade. As culturas da azeitona, para produção de azeite, da vinha, para produção de vinhos de qualidade, devem ser fortemente incentivadas, sobretudo com recurso a benefícios fiscais. 

A produção de biomassa, resultante das limpezas das matas e da sua saudável manutenção, deve ser incentivada e deve existir um sistema de alimentação das centrais de transformação de biomassa ou de conversão em energia, intrinsecamente renovável, que ajudará a reduzir a factura de CO2 de Portugal. 

A pastorícia, a criação de gado equino de valor acrescentado, a criação de caprinos e ovinos, com o aumento da produção de queijos e outros derivados de natureza tradicional, devem ser incentivados. 

Todas as actividades rurais que se traduzem em bens de altíssimo valor acrescentado devem ser fortemente desenvolvidas. Isto inclui as madeiras nobres para o artesanato, os couros e cabedais, o mel, a doçaria tradicional, a produção de sabões e sabonetes artesanais a partir de gorduras tradicionais, como o azeite, o cultivo de ervas aromáticas em grande escala, uma vez que estas espécies não dependem, na sua esmagadora maioria, de pesticidas, são alternativas ou complementos viáveis e rentáveis a formas de agricultura convencional. 

Todos os incentivos devem ser de natureza fiscal, balizados no tempo de forma a dar confiança aos pequenos e grandes investidores. Deve existir uma política de exportações e de promoção dos produtos portugueses nos grandes mercados internacionais feita de forma profissional e em grande escala, quer por associações do sector, quer pelo próprio Estado a partir das estruturas existentes que não têm, actualmente, missões bem definidas e que são sorvedores de dinheiros públicos sem retornos de vulto. 

Neste mesmo sentido deve ser entendida a proibição da cultura do eucalipto de uma vez por todas e a expulsão das indústrias da pasta de papel, tão nocivas para o nosso PIB e para a nossa factura de CO2, para países subdesenvolvidos onde ainda têm lugar.

A tauromaquia, sobretudo na sua vertente a cavalo, tradicional de Portugal, deve ser incentivada, também como factor de diferenciação da nossa vizinha Espanha. A arte de bem cavalgar, o cavalo lusitano e o touro bravo são exemplos de excelência que se devem incentivar, e que trazem atrás de si a arte e emoção da corrida de touros e o turista que paga um valor elevado, mas justo, para aceder à cultura tradicional portuguesa. 

O turismo rural poderá ser um complemento da actividade agrícola, mas deverá ser sempre visto como uma actividade de baixa intensidade. O turismo excessivo destrói e corrói. É como o observador na mecânica quântica, cuja simples presença perturba a experiência. 

O desenvolvimento do País deve ser feito por e para os portugueses ou aqueles que escolham genuinamente viver integrados na nossa cultura, nunca para servir os outros como criados, acabando os nacionais por não ter dinheiro para aceder aos benefícios do turismo que, na sua esmagadora maioria, é composto por hordas de europeus de classe média baixa à procura de um falso pitoresco que é inventado sob a forma de um repugnante pastel de bacalhau com queijo da serra… 

Os turistas devem ser moderados, reduzidos, os seus números devem ser controlados, devem pagar taxas altíssimas, de forma a termos apenas os turistas com maior potencial aquisitivo, limitando drasticamente os turistas de pé-descalço que apenas conspurcam, sujam, utilizam os meios de transportes, utilizam os sistemas de saúde públicos, sem terem pago por nenhum destes serviços, e que oneram os habitantes de Portugal que pagam os seus impostos para terem de competir por um lugar num eléctrico nº 15 em Lisboa ou por um lugar num Alfa pendular, sobrelotado, ou, pior, por uma cama de hospital. 

O turista em Portugal deve pagar, e muito, para ter o privilégio de pisar as terras do V Império. Se, por maioria de razão, quiser ter o privilégio de fazer turismo rural, num País que se quer cada vez mais ordenado, desenvolvido, exclusivo, se quiser beber o nosso vinho de qualidade e comer um excelente e verdadeiro queijo da serra, deve pagar de forma exclusiva para o fazer. 

A pressão da horda turística deve ser reduzida a limites mínimos, e o turista deve pagar e bem para poder viver como um português médio. Isso apenas se consegue com elevadíssimas taxas turísticas que os onerem e com serviços e produtos de excelência que atraiam os mais abastados. 

Ficaram aqui alguns exemplos de políticas que podem servir para um desígnio nacional, mas o que verdadeiramente acarretará desenvolvimento será o potenciar do nosso elevado capital humano. Falaremos deste assunto na próxima edição. ■