O índice de felicidade

A direita portuguesa tem de se assumir como alternativa a esta situação terrível que afecta o nosso País e que é característica de uma sociedade envelhecida, a definhar, quase morta. Se esta situação não se inverter nos próximos vinte anos, Portugal está condenado como país

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Qual o indicador mais importante para um país? O índice de desigualdade, aqui já falado? Provavelmente, não. 

Imagine-se um país que obedece escrupulosamente às doutrinas marxistas, um país enfadonho, triste, cinzento, em que todos são iguais. Todos têm a mesma educação, comem o mesmo, vestem de igual. Apesar de realizarem tarefas diferentes, recebem todos exactamente o mesmo. Todos andam nos mesmos transportes, lêem os mesmos livros aprovados, mesmo os dirigentes têm as mesmas condições, os mesmos apartamentos miseráveis com uma assoalhada a mais pelo primeiro filho e, após o primeiro filho, uma assoalhada a mais por cada dois filhos. Todas com a mesma distribuição e as mesmas áreas. 

O índice de desigualdade nesse país é de 0, todos recebem o mesmo. No entanto, são todos pobres, pois todos se esforçam por fazer o mínimo possível, uma vez que não têm quaisquer incentivos para produzir mais e melhor, ninguém tem incentivos para estudar. Todos se encostam aos outros. Será esse um país feliz? Não, o coeficiente de Gini, apesar de importante, não mede a riqueza de cada pessoa. 

Imagine-se agora um país muito rico, com um PIB per capita muito elevado. No entanto, existe uma enorme desigualdade, um sistema capitalista desregulado, globalizado, procura produzir fora, em países de baixíssimos salários, gerando elevado desemprego. Num país como os Estados Unidos da América, existem oportunidades, mas também muitos excluídos, que não conseguem aceder a essas oportunidades. O liberalismo económico puro produz muita desigualdade e, sobretudo, demasiado desemprego. O PIB per capita também não será o melhor indicador. 

Uma sociedade justa deve procurar o equilíbrio entre o rendimento, a desigualdade mínima e a felicidade dos habitantes. A felicidade depende de vários factores, uns puramente naturais, o clima, a exposição solar. Basta lembrar alguns países das Caraíbas onde, apesar do rendimento global baixo, todos vivem mais ou menos sorridentes. Todavia, a filosofia de governo não se deve basear no clima ou na presença de praia ao alcance de todas as bolsas. A filosofia de governo deve orientar-se para a felicidade das pessoas, para a sua realização plena. Essa realização deve passar, naturalmente, pelo trabalho e esse trabalho deve ser uma contribuição para a sociedade. O Ser Humano vive melhor se se sentir parte de uma sociedade para a qual é importante. 

Como se consegue medir o índice de satisfação pessoal das pessoas com a sua sociedade e com o seu papel nessa mesma sociedade? Existem diversos índices, mas o índice de desenvolvimento humano da ONU mede objectivamente o desenvolvimento de qualquer Nação; nesse índice, Portugal figura em 41º lugar (já figurou em posições abaixo do 30º mas os últimos anos têm sido um descalabro vergonhoso que bem ilustra a miserável governação deste País nas duas últimas décadas. 

Já no que respeita ao recentemente introduzido índice de felicidade, que se baseia em questionários e análises de indicadores quantitativos como (1) económicos, (2) participação social dos cidadãos, (3) comunicação e tecnologia, (4) diversidade e sua aceitação, (5) educação e famílias, (6) bem-estar, (7) ambiente e energia, (8) alimentação e abrigo, (9) governo e políticas, (10) lei e ordem, (11) saúde, (12) religião e ética, (13) transporte, e (14) trabalho, Portugal figura na miserabilíssima posição 89, atrás de países tão carismáticos como El Salvador, Equador, Jamaica, Venezuela (!), Azerbaijão e Líbia. O Brasil figura em 22º lugar e a Espanha em 34ª posição! A Noruega encabeça ambos os índices, mesmo com falta de luz solar e o fresquinho que lá faz. 

É caso para dizer que o nosso país é velho, triste, cinzento, e que temos dos piores índices da OCDE. O problema desta falsa democracia em que vivemos é que matámos a esperança de todo um País. Nem o Europeu de futebol nem os malabarismos de Marcelo à cata de ‘selfies’ conseguem disfarçar que Portugal não acredita em si próprio. O que era evidente através de indicadores de desesperança, como a baixa natalidade específica das mulheres portuguesas, torna-se evidente com este indicador de bem-estar geral que aparece no “World Happiness Report”.

A direita portuguesa tem de se assumir como alternativa a esta situação terrível que afecta o nosso País e que é característica de uma sociedade envelhecida, a definhar, quase morta. Se esta situação não se inverter nos próximos vinte anos, Portugal está condenado como país. A Espanha está numa posição muito acima da nossa. 

Surpreendente é também que nenhum político, dirigente, responsável, cite este índice. Seria muito útil, para a oposição utilizar dados factuais para combater as políticas inimigas dos cidadãos que têm sido desenvolvidas nos últimos 45 anos. 

Durante os governos da falsa direita portuguesa, estes índices agravaram-se muitíssimo. Apenas com qualificação e investimento no ser humano poderemos ultrapassar esta situação. É tempo de deixar cair os bancos que têm de cair, e investir nas pessoas, nas suas qualificações, e dar-lhes igualdade de oportunidades. 

O sistema actual de Portugal é de um socialismo mafioso, em que apenas os amigos dos membros da governação têm acesso aos capitais, aos contratos, à legislação favorável. Não existe competitividade porque à corrupção endémica não lhe interessa a competitividade. 

Como sair deste ciclo vicioso? Apenas através de novos partidos, informados, com dirigentes qualificados, que falem ao coração dos portugueses e lhes mostrem as alternativas. Essas passam por uma justiça séria, pela qualificação e pela verdadeira liberdade de oportunidades na economia. ■