Péssimos dirigentes

“Tudo isto é muito mau. Esta ministra e esta directora-geral da Saúde deviam ter ido à sua vida há muito”

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Continuamos a analisar esta crise do Corona Vírus. Hoje analisamos a falta de qualidade de informação e a forma de comunicar dos políticos que deveriam controlar esta situação.

É triste ver a forma de comunicar dos políticos, sempre a esconder, sempre a nunca revelar toda a verdade. Por outro lado, é evidente a incompetência da forma como os números são tratados, registados e comunicados, de forma obscura, sem transparência, tentado eliminar outras fontes, como os autarcas. O sistema de referenciação, registo e reporte de informação é tão fraco que os boletins da Direcção-Geral da Saúde vêm sempre cheios de erros, as flutuações seguem os dias da semana, com reflexos de fins-de-semana e feriados. Finalmente, os políticos e dirigentes da DGS andam a acenar com picos e piquinhos, e planaltos, que nem sequer definem, com curvas que não explicam, com definições erradas, fruto de incompetência na preparação desta crise, nomeadamente num robusto sistema de informação e numa base de dados credível e auditada, mas também de tentar esconder erros atrás de erros. Ainda não atingimos o pico, que não será atingido enquanto os casos de infectados não pararem de subir, essa é a única verdade desta crise.

Felizmente, o primeiro-ministro Costa interveio, sendo seguido por Marcelo, o mesmo que primeiramente se fechou em casa, a reboque do povo português, povo que exigiu que se fizesse algo no início da crise do Corona Vírus, senão as abencerragens do Conselho Nacional de Saúde Pública (onde pontifica o catedrático Torgal, o mesmo que se cobriu de ridículo e descrédito quando disse que o COVID era menos perigoso do que a gripe, e as duas senhoras, ministra e DGS) ainda andavam a tentar decidir se fechavam ou não as escolas.

Estamos a ser elogiados como país, nomeadamente no estrangeiro, mas temos mais de 600 mortos, hoje. Mortos que teriam sido evitados, em grande medida, com compras atempadas de testes, de fatos de protecção, de viseira e máscaras e com um fecho atempado de fronteiras e aeroportos, que estiveram abertos até há poucos dias e, sobretudo, com organização.

Um grande escândalo é o que se passa com as máscaras, uma vergonha sem fim, até fizeram campanhas na televisão contra o uso das mesmas. A senhora dra. Graça Freitas nunca consegiu assumir nenhuma posição, escudando-se sempre em consensos científicos e argumentários que não têm qualquer adesão à realidade. Um espelho incrível de uma incompetência criminosa e de uma teimosia acéfala, estúpida, que acabou com um comunicado que não assume erros nenhuns e que é um hino à ambiguidade e à contradição.

Finalmente, é ver a senhora directora-geral olhar para os números e querer que estes digam coisas que não dizem, mais a ministra, como a história no início, de que a curva não era exponencial, e o planalto que ninguém observou, o que revela, para além de uma grande incompetência, ou ignorância ou má fé.

Existe uma desorganização total na forma como as bases de dados estão feitas. Tudo é feito às escondidas. Os dados deviam ser actualizados ao minuto, ou lançados exactamente à mesma hora todos os dias, e não com atrasos cada vez maiores, porque compilados à mão, sem bases de dados credíveis, ao falso meio dia, num boletim sempre errado, já sem actualidade, 12h ou 13h depois de cada dia estar «fechado», aliás oficialmente errado, porque diz que os casos locais correspondem apenas a cerca de 78% dos reais. 

Felizmente há médicos, enfermeiros e restante pessoal, directores de hospitais, sociedade civil, etc, etc, etc. E quando esta sociedade civil mandava emails, como a investigadora Maria Manuel Mota que conseguiu produzir testes em Portugal, ficou quase uma semana sem resposta e teve de meter uma «cunha» ao ministro da Ciência e Ensino Superior Manuel Heitor e uma provável intervenção de Costa para ter a atenção de ministra e DGS. Temos agora testes, mas a desorganização é tal que o número de testes feitos é inferior ao dos casos activos, apesar de uma cada vez maior disponibilidade.

Os privados continuam a aproveitar-se a situação, e em vez de serem requisitados, como em Espanha, cobram testes de 5 euros a mais de cem e ainda fazem negociatas para receber os pacientes não COVID nas suas unidades, incapazes de lidar com casos da pandemia.

Resta uma palavra para os «cérebros» epidemiologistas que dão apoio à DGS e que nunca são nomeados e que Fausto Pinto e Altamiro Costa Pereira (directores das maiores escolas médicas do país, Lisboa e Porto) dizem que não conhecem, provavelmente porque estes «sábios anónimos» nem sequer são epidemiologistas. A directora de divisão de estatística e epidemiologia, principal responsável pela situação miserável dos dados desta crise, é uma jovem (o que seria bom se fosse competente e tivesse meios) que anda a dizer que a constante R0, o número de infectados que cada pessoa infecta quando todos são susceptíveis, variou! 

Tudo isto é muito mau. Esta ministra e esta directora-geral da Saúde deviam ter ido à sua vida há muito. Antóno Costa conseguiu controlar as coisas com medidas vindas do topo e Marcelo Rebelo de Sousa insistiu com o estado de emergência. Têm o nosso elogio, muito limitado. Mas não devia ser o PM a intervir, devia ter escolhido um ministro ou ministra competente. Falta um Ricardo Jorge. Fernando Araújo, director do hospital S. João, ele também do PS, seria certamente um muitíssimo melhor director-geral da Saúde, entre outros mais capazes do que esta senhora cansada e que sabe muito pouco de epidemiologia. Faltam generais e temos demasiados cabos. A ministra e a directora Graça Freitas são muitíssimo limitadas. São incapazes de previsão e revelam-se incompetentes, talvez sejam capazes de gerir o dia-a-dia, mas foram incapazes de ver a dimensão da crise que aí vinha.

Temos um número de mortos por milhão de habitante (mortalidade global) superior ao da Grécia e, pasme-se, que já supera o da Alemanha, que ultrapassámos nesta semana, país que começou muitíssimo antes de Portugal no arranque desta terrível pandemia global. Esperamos que a situação não se descontrole, esperamos que daqui a meses, quando se contarem os mortos, não apareçam milhares de casos acima das médias para a época do ano, registados como “pneumonia” e nunca diagnosticados como Covid, para além das centenas ou milhares de mortos que vão surgir devido ao facto de os cuidados médicos apenas reflectirem a precupação com esta doença, esquecendo tudo o resto.

Estamos a ter alguma sorte, mas vamos ter mais de um milhar de mortos (oficiais) e muitos mais não oficiais, um número que se poderia ter reduzido grandemente se houvesse capacidade no ministério e na DGS, se existisse organização. ■