A aristocracia da incompetência

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Substituir a aristocracia de sangue pela aristocracia do talento foi o que fez a maior parte da Europa rica. Uma sociedade baseada no talento é muito poderosa porque atribui os empregos de liderança e maior responsabilidade aos indivíduos com mais mérito e capacidades para impulsionarem as suas instituições e os países para o topo. Pelo contrário, os países e sociedades baseadas em padrinhos, nepotismo e cunhas definham, mal geridos, pobres e endividados. Portugal, comandado de Lisboa, é último na economia europeia, porque o seu governo desdenha a meritocracia enquanto perpetua e amplifica a incompetência. O primeiro-ministro Costa tem pouco talento para nos gerir e atingir padrões europeus de topo. Por ter consciência disso é inseguro e escolhe ministros ainda mais fraquinhos que ele, como Cabrita, Fernandes, Silva ou Santos. Estes, por sua vez e pelas mesmas razões, descem ainda mais na qualidade dos secretários de Estado, assessores e nomeados que escolhem para vários cargos do Estado. Este ciclo vicioso causa muita incompetência junta e poucochinhos resultados. 

O competente Rui Moreira, ex-empresário e actualmente presidente independente da câmara do Porto, já avisou que não quer a incompetente TAP deste governo a drenar nenhum “slot” no aeroporto do Porto, com aviões vazios ou parados para nada, senão perpetuar a sua nulidade em fazer crescer o turismo do Norte. A TAP só tem dois voos internacionais regulares para o Porto enquanto a Ryanair tem dezenas e dezenas. Por isso Moreia quer a Ryanair a voar ainda mais e com os aviões cheios, a aproveitar realmente todos os “slots”, usando-os para algo de produtivo para o Porto. Desde que as companhias “low cost” apareceram no Porto o turismo ali desenvolveu-se exponencialmente, enquanto que com a TAP estava estagnado. Não é difícil perceber porquê. Enquanto a Ryanair contrata para a sua gestão quem tem mérito na aviação, a TAP, de Pedro Nuno Santos e do amigo de Costa, Lacerda de Machado, contratou a mulher do Fernando Medina e o amigo e ex-empregado de Ricardo Espírito Santo Salgado, Miguel Frasquilho. Medina, em troca, dá lugares na câmara à mulher de Pedro Nuno. Em Lisboa está pois sediada uma aristocracia da incompetência baseada no nepotismo, cunha e compadrio partidário ou de interesses, que prejudica todo o Portugal. Foi também a Ryanair que revolucionou o turismo nos Açores, o que a TAP nunca conseguiu. É à competente Ryanair que a grande maioria dos emigrantes e turistas internacionais recorrem quando querem vir visitar o nosso país. Na TAP têm medo dos preços absurdos e de cancelamentos. 

A verdadeira elite da região do Porto sempre foi uma sociedade mais focada no mérito que a falsa elite de Lisboa, porque, ao contrário desta última, não açambarca os recursos do país inteiro, tem que produzir riqueza e singrar por si própria. Daí que, por exemplo, no Porto uma colaboração entre portugueses e britânicos de mérito deu ao mundo um tipo de vinho – o do Porto – e uma zona vinícola – o Douro – dos mais respeitados em todo o planeta. Em Lisboa não há nada parecido, apesar de vários “terroirs” vinícolas com idênticas potencialidades. Os exemplos noutras áreas são demasiados para os estar aqui a nomear todos, por isso evidenciamos apenas mais um: a Salvador Caetano, com sede em Gaia e em colaboração com japoneses, exporta autocarros de passageiros para o mundo inteiro. É um orgulho patriótico ver o nome português Caetano em tantos autocarros pelo Reino Unido. 

Da mesma forma no norte existem, por exemplo, na TV Porto Canal, jornalistas corajosos e pertinentes, como Tiago Girão, que alertam para o despesismo de Lisboa ao pagar 350 000 euros a um “aparatchick” do PS, Pedro Adão e Silva, para organizar um evento de um de dia, valor centenas de vezes superior ao praticado no mercado internacional de organizadores de eventos. Já várias TVs e jornais de Lisboa estão povoados de “boys” do PS e BE que, em vez de jornalismo ou comentário, fazem a promoção do PS. Assim, recebem pagamentos de milhões sobre qualquer pretexto, desde a pandemia ao fundo de resolução. É que na aristocracia da incompetência do PS, as nomeações focam-se em pagarem favores políticos. Como os que Adão e Silva fez a telefonar aos caciques do PS para votarem em Costa contra Seguro, em vez de servirem a população ao melhor nível mundial na área para que são nomeados, seja a organização de eventos ou a aviação e turismo. Ainda por cima perante a evidência, para todos, do que se passa, Adão insulta Girão, aos gritos, quando o Porto Canal lhe pede opinião sobre o evento nacional que tanto lhe estamos já a pagar para organizar, daqui a cinco anos. Adão quer ser pago anos a fio para organizar um só dia e, ainda por cima, espera que ninguém o questione ou critique por algo tão estranho e bizarro. 

Não deveria ser difícil para os portugueses perceberem tudo isto, já que gostam tanto de futebol. Neste desporto, felizmente, aplica-se a meritocracia em vez da cunha. Se um clube mantivesse treinadores e jogadores que falhassem e perdessem tantas vezes como o ministro Cabrita ou Pedro Nuno na economia, ou pusessem lá a jogar gente só porque são amigos ou familiares dos outros jogadores, rapidamente perdia tudo, tal como economicamente Portugal perde sempre na Europa. Assim, somos encarados pelos outros países europeus como os mendigos do continente, sempre de mão estendida para os fundos e a endividarmo-nos cada vez mais, porque, na realidade, a maior parte das vezes a Europa não dá, empresta e faz-nos ficar mais endividados. 

Também por tudo isto o incompetente ministro Vieira da Silva, quando saiu de cena, deu lugar à filha, a incompetente ministra Viera da Silva. Esta, mesmo quando já estamos vacinados e a desfrutar de actividades ao ar livre, no Verão, quer privar-nos de liberdade, mantendo tudo de máscara e continuando confinar todos até às vésperas de eleições, com regras e regrinhas para tudo, quando já nada ou muito pouco o justifica. A vacina da Pfizer é poderosamente eficaz e o nosso militar fez um excelente trabalho na vacinação, mas não contaram com o vírus da incompetência do PS e da dependência total que a aristocracia da incompetência tem da política, ao ponto de pôr a campanha acima da saúde pública e da economia. Desconfinaremos totalmente só quando for eleitoralmente útil ao PS, e não por razões de saúde pública, ou quando for necessário para o turismo. 

É surreal para o autor destas linhas a viajar frequentemente entre Grécia, Inglaterra e Portugal – sempre a voar na competente Ryanair (que na incompetente TAP é tudo demasiadas vezes cancelado ou injustificavelmente caro). Quando chego a Lisboa, Porto ou Faro, depois da vacinação, não consigo explicar nem aos meus filhos de seis anos porque é que só em Portugal continuamos todos, durante tanto tempo, numa espécie de prisão de horários bizarros e amordaçados com falta de ar, mesmo ao ar livre. Cá, os horários de fechos dos estabelecimentos parecem ser apertados para nos concentrarmos mais, logo nos contaminarmos mais. Nem as crianças de seis anos percebem como isso nos pode proteger do vírus SARS-Cov-2. É mais um dos poucochinhos resultados da aristocracia da incompetência. Não há ciência nem economia que resistam à incompetência política. ■