A máquina de fazer pobres da esquerda

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A nossa esquerda não ama os pobres, ama fazer-nos pobres a todos, há décadas. O PCP e o Bloco (UDP, PSR) pregam em Portugal há 100 e 50 anos, respectivamente, a mesma religião cansada de extrema-esquerda conservadora, obcecada e focada na pobreza, logo, obviamente, empobrecedora do país. Arrastaram com eles o PS que antes era anticomunista, mas agora participa fervorosamente nesta oração do passado distante, que faz de nós velhos – mesmo os novos – e todos tão pobres como na Bulgária. Não saem disso. Estes partidos pararam no tempo louvando comunistas, também produtores de pobres noutros países, nada recomendáveis e há muito mortos. São avessos à criação de riqueza, só querem pobreza. Querem-nos condenar todos à pobreza; todos de mão estendida para o estado deles. 

Na missa enfadonha da nossa esquerda os portugueses, quanto mais pobres, mais taxados, mais frios no Inverno sem conseguirem pagar energia para o aquecimento, mais a viverem na casa dos pais e sem dinheiro para terem filhos, mais dependentes do Estado (da esquerda), logo mais virtuosos se tornam. Vivemos, assim, segundo PS, PCP, e BE, no céu comunista na terra. Adoram a pobreza e consequente dependência dos apoios selectivos do Estado (decididos pela esquerda) como um novo Deus Menino. Por isso há décadas que asfixiam o desenvolvimento económico e carregam-nos com impostos crescentes. Ai do jovem que quiser pagar menos impostos e ganhar como ganhará se emigrar para países livres de esquerda compulsiva: é logo apelidado de salazarista, mesmo nascido em 2000. 

Os bons portugueses, para a esquerda, são os que se conformam em ter habitações com várias gerações de portugueses sempre amontoadas em marquises suburbanas, nunca no centro de Lisboa, com os mais novos a nunca ganharem o suficiente para comprarem casa própria ou sequer fundarem família. Para esta esquerda até ter filhos é um luxo cada vez menos possível. Em férias, querem-nos sempre só remediados, eternamente com os tostões contados e angustiados, na Quarteira e nunca – credo, que pecado – na Quinta do Lago, com abundância e sem preocupações económicas, como os estrangeiros ricos. 

A nossa esquerda quer que em Portugal todos os que cá ficam se acomodem à pobreza sendo pouco produtivos ou, então, emigrem para produzirem riqueza, mas lá bem longe, noutros países. Para a esquerda lusa quem conseguir ganhar mais que o salário-mínimo é um pecador fascista e burguês que deve ser punido em nove ciclos do inferno, perdão, escalões fiscais. Os “ricos”, isto é, quem consiga cá o raro milagre de atingir um salário igual ao médio noutros países europeus, são para eliminar logo, confiscando-lhes metade do salário em IRS e ainda mais em segurança social e IVA. É para aprenderem a não ser produtivos nem quererem subir na vida! O lema desta esquerda é: quem nasce num país cheio de pobres tem de ficar pobre, por muito que se esforce para criar riqueza e sair da pobreza. 

Os partidos de esquerda só querem fazer pobres cá dentro e até só importar pobres lá de fora.  Dizem sim aos refugiados que chegam sem nada, mas não aos vistos “gold” dos estrangeiros ricos que querem trazer para cá milhões de euros. Xenófilos só para pobres, mas xenófobos para os ricos de todas as etnias. Na realidade a nossa esquerda é tão, mas mesmo tão “prosperidadofóbica” que não hesita em ser racista, pois promover a diversidade significa criar riqueza. 

As tentações desta esquerda inebriada pela eterna beleza da pobreza são saudosistas em vez de realistas: o diabo deles nunca mudou, não é Sócrates nem Salgado, nem sequer todos os outros os negócios ruinosos que fazem desaparecer milhares de milhões de euros dos nossos bolsos em impostos; é o há muito falecido Salazar, que só ainda vive nas suas cabeças anacrónicas todos os dias, mais os fascistas e “antidemocráticos,” redefinidos como todos aqueles que ao centro e à direita democraticamente ousarem questionar tal esquerda passadista, propondo novas alternativas que nos tirem da pobreza. A inflação, os preços de energia, a falta de saúde, as rendas de energia e outros negócios ruinosos empobrecedores dos portugueses, como a TAP e BES, não são para eles um problema, mas um maná criador de ainda mais pobreza portuguesa de que tanto gostam. 

Na TAP, esta esquerda até foi a correr, no meio da pandemia com tanta gente mais afectada, comprar a dívida enorme do brasileiro-americano seu ex-accionista principal, que nem queria acreditar quando recebeu 50 milhões de euros nossos e ainda se desembaraçou de dívidas da TAP, no valor de vários milhares de milhões de euros, magicamente atiradas para cima de nós. Ele, rico, voltou para o Brasil ainda mais rico do que já era, nós ficamos mais pobres, como a esquerda gosta. 

Portanto, há um ciclo vicioso (virtuoso para o proveito próprio da esquerda) de pobreza baseado na imposição de grandes e crescentes dificuldades para os cidadãos a troco de pequenos apoios, pois os grandes vão para os negócios mananciais, incluindo os das companhias de aviação e energia (pelos utentes empresariais e pessoais dos quais a esquerda chora lágrimas de crocodilo), fundações de uma suposta elite faminta pelos nossos impostos, composta por personalidades de esquerda. Assim o Estado não pára de crescer e de nos exigir impostos e taxas. 

Nenhum padre ou beato vindo desta esquerda lusitana, religiosamente dogmática e bolorenta, é original ou capaz de pensar em novidades. Nenhuma proposta desta esquerda imobilizada é ainda “fixe”, atractiva para jovens de corpo ou de espírito, relevante para o Portugal contemporâneo, boa, moderna, reformista, criativa, disruptiva, promotora de felicidade, alegria, frescura, inovação bem-estar ou da realização individual e da nação. Só sabem falar em Mao, Estaline, Lenine ou Trotsky. Francisco Louçã, o catequista de Pedro Nuno Santos, por exemplo, foi seminarista e é, pois, especialista em endeusar estes artistas mortais.

O vocabulário e pensamento esquerdista imobilista que povoa o nosso Governo, o nosso Parlamento, a nossa imprensa e comentadores de esquerda por todo o lado, não evolui tirando meia dúzia de causas politicamente correctas importadas da velha Inglaterra por uma filial do Bloco, o Livre, irrelevantes ou insustentáveis para a maioria dos portugueses. 

O Livre, em vez de nos aliviar a taxa fiscal para podermos criar riqueza livres de impostos, quer aumentar ainda mais os impostos sobre quem trabalha. Isto para pôr quem não quer trabalhar a estudar, de graça e pagos pelos outros contribuintes, teoria marxista, sociologia de todos os géneros do mundo e mais dos outros mundos ou história ocidental rescrita por comunistas como eles, que odeiam a civilização ocidental. Tirando estas propostas requentadas do jornal inglês “The Guardian”, todo o resto é ainda mais velho e mais do mesmo, exactamente como Marx e Engels apregoavam. Pregam o mesmo que o Santo Cunhal deles pregava em 1974, não por qualquer simpatia para connosco, mas para serventia pessoal dele, quando simplesmente queria substituir uma ditadura salazarista por uma marxista soviética. Os comunistas e os socialistas revolucionários, relembramos, em 1974, com raiva e desejo de fazer de nós todos pobres, perseguiam e nacionalizavam todas as empresas de sucesso, para destruírem toda a riqueza, como destruíram a Lisnave e quase toda a nossa indústria. A 30 de Janeiro, deixemos esta esquerda sozinha parada em 1974, para o resto de nós finalmente podermos viver bem em 2022. ■