A TAP é a nova Lisnave

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A actual destruição da TAP, por re-nacionalização desnecessária e danosa para as contas públicas, é um bom exemplo de como Portugal inteiro é destruído há várias décadas. Isto por estar nas mãos de uma classe política incompetente e de esquerda extremista, sem alternativas nem saberes profissionais que não a política e propaganda, usando avençados na comunicação social indigente, dependente do Estado. 

Na Lisnave é sabido como os comunistas radicais da segunda metade dos anos 70 preferiram a destruição e quase nacionalização dessa companhia (23 por cento do capital ficou para o Estado, mas na prática era gerida a 100 por cento por pressão política). Isto, em vez de manterem a gestão privada de topo internacional, que tinha anteriormente apresentado resultados excelentes. Devido a essa acção política houve a consequente perda de milhares de empregos e cada vez maiores encargos para as contas públicas. 

Tal como vemos fazer hoje com a TAP, na Lisnave os esquerdistas radicais de então – como os de agora – apesar de não perceberem nada, nem de gestão, nem de indústria, insultavam os gestores privados estrangeiros especializados (chegando mesmo, então, a sequestrá-los!), intimidavam trabalhadores dedicados e censuravam críticos nas televisões e jornais, usando falsos jornalistas, simples manteigueiros elogiadores de políticos. Estes punham, assim, directa ou indirectamente os seus amigos e cúmplices à frente dos estaleiros da Lisnave, sem quaisquer competências, destruindo tudo. Tal qual vemos fazer agora na TAP. 

A diferença é que acreditamos que os comunistas de então não faziam tudo isto para roubar os portugueses, nem para dar empregos milionários e bónus injustificados a grandes amigos e esposos/as. Os comunistas dos anos 70, ao menos, tinham a desculpa de tal destruição ser feita pelas suas genuínas mas erradas convicções ideológicas. A Lisnave foi destruída e, na prática, nacionalizada pela emoção ideológica da extrema-esquerda do momento e não como meio pensado friamente para desviar milhares de milhões de euros do Estado para negócios misturados com política e lavá-los sobre falsos pretextos, de necessidade ou de bandeira nacional. 

Ora este último cenário – ou então a completa irresponsabilidade e imaturidade do Governo – é uma das hipóteses a considerar no descalabro monumental do que está a acontecer agora na desnecessária re-nacionalização da TAP, efectuada desde 2015. Iniciada por um grande amigo de Costa e finalizada por um ex-líder da juventude socialista, que foi o grande apoiante e sustento no poder de Sócrates.

A nacionalização da TAP é ainda mais danosa para as contas públicas que a Lisnave alguma vez foi. Isto porque em vez de 23 por cento da companhia, como o Estado chegou a ter na Lisnave, este tem agora 98 por cento do capital da TAP, injectando lá continuamente – e sem fim à vista – milhares de milhões de euros dos nossos impostos e criando dívida para muitas futuras gerações de portugueses. Milhões de crianças portuguesas, e ainda as que irão nascer, vão pagar a conta da hemorragia de dinheiros públicos consumidos na TAP por motivos inexplicáveis. Isto quando a companhia aérea já não tem nenhum interesse nacional, nem para os emigrantes, nem para os turistas, que voam todos directamente ponto a ponto e a bons preços em companhias privadas, muito melhor geridas e focadas no serviço ao cliente. 

A destruição actual da TAP é feita por esquerdistas radicais caviar, segundo a ideologia que eles nos mentem ao afirmar que têm. Ora estes jotas são muito menos genuínos ideologicamente e muito mais hipócritas que os comunistas dos anos 70. Logo, bastante mais perigosos e destrutivos da riqueza nacional, a níveis nunca antes vistos, de esbanjamento irresponsável de dinheiros públicos em instituições não financeiras. 

Relembremos que os comunistas dos anos 70 que destruíram a Lisnave tinham como ídolo Alvaro Cunhal que, apesar de todos os defeitos e devaneios ideológicos de querer transformar Portugal numa nova cuba ou Albânia, tinha genuinamente lutado e sofrido pelas suas convicções, sem enriquecimento ilícito, que se conheça. Ora, os ídolos dos ministros e seus assessores jotas da esquerda caviar, que agora destroem a TAP, são gente como o mentiroso e desavergonhado José Sócrates – descrito por vários juízes como ladrão e agente da corrupção, mesmo que os casos tenham prescrito – sem qualquer ideologia, que os tais jotas tanto proclamaram e sublimaram, ao ponto de pôr no poder, de novo à cabeça de PS e em Portugal, o número dois de Sócrates, António Costa, afastando o íntegro e honesto Seguro. 

Isto diz tudo sobre a ausência de qualquer ética ou convicção ideológica dos actuais governantes, todos escolhidos por terem louvado e olhado para o lado (ou pior, participado) nas actividades ilícitas e ruinosas para as contas públicas de Sócrates e amigos. Seguro, quando os combateu dentro do PS, bem avisou que estes jotas estavam ao serviço do partido invisível dos negócios misturados com políticos e não de ideologia.

Voltemos ao caso da Lisnave para analisar mais paralelos. Antes da destruição efectuada por dependentes da política, de esquerda radical, das nacionalizações, a Cova da Piedade, em Almada, era uma vizinhança vibrante e economicamente próspera. Os estaleiros da Lisnave, na Margueira, inaugurados em 1967, eram competitivos e faziam reparações em navios do mundo inteiro. Eram bem geridos por gestores especializados na indústria da construção naval e criavam riqueza para Portugal e para as inúmeras famílias dos muitos milhares de empregados.  

A Lisnave, constituída em 1961, além da gestão internacional de topo devido aos sócios privados holandeses e suecos, com metade do capital, herdava também capacidades de gestão nacional da CUF, que detinha a outra metade da empresa. A CUF que tinha a concessão do estaleiro naval do Porto de Lisboa desde 1937. Esta parceria de gestão era visionária e adaptava-se aos tempos. Perceberam, por exemplo, que estávamos, então, a entrar numa era de navios superpetroleiros, com centenas de milhares de toneladas, e construiu docas para tal. Em 1971 a Lisnave expandia a actividade e criava ainda mais postos de trabalho para mão de obra qualificada e bem paga. O número de trabalhadores chegou aos 10 mil em 1974. A Cova da Piedade tinha, então, casas óptimas e bem mantidas, além de comércio pujante por todo o lado. Outras vizinhanças por perto, como o Ginjal, também prosperavam, pois era onde os trabalhadores levavam as famílias a jantar à noite, aos fins-de-semana ou em dias de festa. Hoje, a Cova da Piedade apresenta um conjunto enorme de ruínas e edifícios abandonados, tal como o cais do Ginjal, que só agora vai ser reconstruído depois de décadas ao abandono. Isto apesar da magnífica vista sobre Lisboa. 

Com a tomada do poder pelos esquerdistas radicais, a Lisnave deixou de viver e trabalhar para servir clientes, mas passou principalmente a servir-se a si própria e viver do Estado, aumentado os encargos sociais a quase 50 por cento ao ano. Até as piscinas e clube, que inicialmente eram para ser usadas principalmente pelos clientes, tripulações dos navios, para os atrair e bem servir, enquanto esperavam pela conclusão das reparações, passam a ser para usufruto quase absoluto e irresponsável de políticos e dos seus protegidos. 

Pensávamos nunca mais assistir a tal trágica história esquerdista radical em Portugal, em pleno Século XXI. Infelizmente, na TAP testemunhamos uma nova e muito pior Lisnave. Não admira, portanto, que até os antigos satélites da União Soviética, uma vez livres de tais esquerdistas radicais, já nos ultrapassaram em prosperidade económica e individual, ou estejam todos prestes a fazê-lo, no seio da UE. ■