Abril desonrado pelas festas socialistas

0
839

Portugal é o único país do mundo a ilegalizar a avaliação dos clientes feita pelos motoristas da Uber, mas não também vice-versa como referimos no último artigo e agora corrigimos. Como num país rico que funcione por mérito, quer fornecedores quer clientes se devem avaliar mutualmente. A ideia base de o PS ser contra a meritocracia permanece válida. O Governo socialista faz de nós pobres, nunca avaliando, logo nunca melhorando resultados. Trata heróis eficientes e trastes contraproducentes por igual. Talvez por isso mesmo o atual PS desonre o 25 de Abril, o 25 de Novembro e a própria história do PS, equiparando patrióticos lutadores genuínos pela liberdade como Salgueiro Maia, Ramalho Eanes ou Mário Soares com comunistas ditatoriais em prol da Rússia como Vasco Gonçalves. Isto para evitar “dividir”, segundo o ex-comissário cheio de mordomias, comentador da bola, ministro e mais um dos muitos sociólogos do ISCTE-PS, Adão e Silva. A decrepitude a que chegou o actual PS condenou o país a caminho de último da UE em poder de compra.

Estamos na cidade italiana de Nápoles neste 25 de Abril que se avizinha em Portugal. Violência à parte, que felizmente já praticamente não existe na Itália e nunca existiu em Portugal, a estrutura, entreajuda familiar, nepotismo, favores inexplicáveis, laços de longa duração, nomeações por cunha sem nada a ver com mérito, influências na comunicação social, controlo das nomeações no topo da Justiça e auto-encobrimento mútuo dos membros da Camorra de Nápoles, faz-nos lembrar o socialismo português socrático pró-corrupção iniciado por Sócrates. Este, além de fazer muitas festas de desperdício de dinheiros públicos, deixou o seu número dois, Costa, no poder. Na nossa economia em estagnação e democracia em degeneração, deste então, há já uma terceira geração de grandes elogiadores e encobridores de Sócrates no passado, na calha para quererem ser primeiro-ministro. Todos e todas ao mesmo nível hierárquico e continuadores das mesmas práticas. São ex-membros da Juventude Socialista, filhos de ministros e/ou vindos de uma faculdade de sociologia, albergue de socialistas.  

Esta estrutura socialista portuguesa é liderada actualmente por Costa, mas a “famiglia” já tem, pelo menos, quatro herdeiros e mais uns tantos outros de bicos de pés, quase todos ao mesmo nível hierárquico, nascidos nos anos 1970s. Alguns são até literalmente família de anteriores governantes socialistas muito amigos de Costa. Os laços familiares de nepotismo, cunha e ausência de mérito ou ética são fortes nas estruturas deploráveis que mandam e arruínam as regiões mais pobres da Europa, como Portugal ou o sul da Itália. O grande economista Thomas Sowell compara o fraco poder de compra de europeus do sul, como nós, com a riqueza dos povos europeus do norte, atribuindo essa discrepância à democracia mais avançada e madura no norte versus as fracas lideranças políticas no sul, com maus hábitos nepotistas, típicos do passado, e da europa atrasada de outros tempos, com democracias pouco evoluídas. 

Vêm estas considerações a propósito de o 25 de Abril ser cada vez mais desonrado por esta meia dúzia de herdeiros de Sócrates, seus antigos elogiadores. Relembremos que uma das razões principais porque estas actuais famílias no poder no PS deram o golpe no honesto Seguro foi, precisamente, por dizerem querem honrar a história de José Sócrates, a quem Seguro sempre se opôs, e eles adoravam como o seu deus-menino de ouro do PS.

Não é assim surpreendente que esta nova gente socialista honre o pior da nossa história e desonre o melhor da história do socialismo pré-Socrático e da democracia portuguesa, como o 25 de Abril e o 25 de Novembro. A nomeação de Adão e Silva para comissário executivo do 25 de Abril – agora demissionário por ser ministro da Cultura –, rodeada de toda a típica festa socrática, de mercedes, motoristas, assessores, e demais mordomias e desperdícios financeiros infindáveis e inexplicáveis durante cinco anos para organizar um evento de um só dia de aniversário de 50 anos, foi uma machadada feroz no prestígio do 25 de Abril de 1974. Foi uma anedota de mau gosto. Houve tentativa de celebração de mais uma festa socrática, em vez de uma democracia avançada que não se presta a tais festas escandalosamente terceiro-mundistas. Nem os organizadores do Jubileu de Platina da Rainha da Inglaterra recebem tanto dinheiro e tantas mordomias de emprego durante tantos anos para organizar um evento de um só dia. Tal alarvidade, seria impensável numa democracia tão madura, rica e prudente como a britânica. 

Ainda por cima Adão, antes de sair de comissário, denegriu o 25 de Novembro de 1975 como divisivo, como se tivesse vergonha da defesa da liberdade liderada por Ramalho Eanes e pelo PS e PSD de então, que representavam a maioria da população portuguesa, oposta a Portugal ser um satélite comunista da Rússia sem liberdade. Algo que teria destruído por completo a conquista democrática do 25 de Abril. 

Como já referimos, estamos férias na região da cidade de Nápoles, em Itália, onde existe a Camorra, que é a máfia desta região. Está divida em clãs familiares, com laços apertados e cúmplices desde a juventude, tendo uma estrutura mais horizontal e menos hierárquica que a sua congénere na ilha da Sicília, que iremos também visitar na próxima semana de onde vos escreveremos. Portugal e esta região do sul da Itália, por terem práticas nepotistas políticas comuns, são das regiões mais pobres da Europa.

Obviamente os socialistas portugueses, nisso fazemos-lhes a devida justiça e diferenciação, não são violentos e não ameaçam fisicamente os juízes, por exemplo, como a Camorra faz. No entanto, em vez de pau usam cenouras para atrair e fazer calar os juízes. Para lhes agradarem, desde Sócrates que os socialistas dão altíssimos salários e regalias aos juízes, muito acima da população noutras áreas igualmente qualificadas, inclusivamente, em muitos casos, ganhando mais que os médicos especialistas. Os socialistas, na sua tradição anti-mérito, nomeiam para os cargos mais altos na Justiça quem mais se calar, mais compactuar passivamente, mais mentir que não há corrupção, mais escrever pareceres privados pagos por advogados de corruptos nas horas vagas, que depois se tornam em acordos oficiais dos tribunais públicos que ilibam gente como Sócrates. Assim, assistimos nas últimas décadas a quase todos os crimes de corrupção de políticos a prescreverem. A Justiça portuguesa controlada e manipulada pelos nossos políticos, logo não verdadeiramente independente, é uma das razões que não somos um estado de direito forte nem uma democracia avançada, como tantos sonharam em Abril. Outra é a fraquíssima qualidade do Estado, cada vez mais gordo, pesado e inútil. O nosso Estado serve principalmente para se auto-servir e cobrar impostos, por exemplo lucrando ainda mais e alegremente com os aumentos dos preços de energia que esmagam os portugueses e as empresas portuguesas. 

Mesmo antes de virmos para a Itália fizemos um teste oficial do governo britânico para a obtenção da cidadania britânica, onde há perguntas muito reveladoras sobre Portugal e o sul da Itália serem pobres. No teste ensaio, da autoria do advogado Tom Bradford, há uma pergunta com duas opções de resposta sobre o que é e como é constituído o Governo do Reino Unido.  Uma errada e outra certa. A primeira opção de escolha afirma que o Governo é constituído pelos (56) amigos pessoais e políticos do primeiro-ministro, escolhidos entre o círculo pessoal muito restrito deste. Obviamente isto é a opção errada sobre o governo britânico, mas infelizmente seria verdadeira se estivéssemos a fazer um teste sobre a actual democracia portuguesa, tão degenerada e abaixo das potencialidades e promessas de Abril de 1974.

A opção correcta num país rico e próspero, sem práticas mafiosas nem nepotistas, como o Reino Unido, é que o Governo britânico é uma equipa de apenas cerca 20 indivíduos, cada um deles eleitos pela população, individualmente em círculos unipessoais de deputados. De entre os deputados eleitos assim, o primeiro-ministro escolhe estes 20 ministros para as diversas pastas, como a Defesa ou a Saúde, de acordo com as suas competências. Além disto, abaixo deste grupo restrito de governantes para um país muito maior que Portugal, há um corpo de funcionários públicos independentes politicamente, não nomeados por cunha socialista anti-mérito, mas por mérito. Não admira que com esta diferença abismal para com a Europa do norte na maneira de serem governados e geridos, Portugal e o sul da Itália sejam tão pobres. Continuarão a ser pobres enquanto não abandonarem, respectivamente, o nepotismo socialista e a mafia da Camorra. Em Portugal falta claramente cumprir as promessas de Abril. ■