Bomba de hidrogénio a explodir nos contribuintes!

0
426

A bomba de hidrogénio pode ser milhares de vezes mais explosiva que a bomba atómica.  De igual forma, os valores que os portugueses poderão pagar para subsidiar o negócio privado do hidrogénio poderá ser muito mais explosivo nas suas carteiras do que já foi e pagaram nas décadas anteriores por outras energias, eólica e fósseis, aos mesmos interesses.

Segundo contas que fizemos com o economista Ventura Leite, nos últimos 15 anos – o período do reinado do ex-Ministro Mexia como CEO da EDP – o equivalente a cerca de 450 toneladas de ouro foi extraí-
do a milhões de portugueses nascidos e por nascer, em subsídios para benefício de meia dúzia de negócios de energia misturados com política, para as eólicas e energias fósseis. Falso capitalismo e falso socialismo, aliados numa promiscuidade sem igual no mundo ocidental, que explica por que, apesar de todo o esforço dos portugueses e de todo o dinheiro europeu que entra e tem entrado nas últimas décadas, sejamos um dos povos mais pobres, endividados e mal pagos da Europa.  Agora com o negócio do hidrogénio vamos dar subsídios aos mesmos interesses, no valor de milhares de toneladas de ouro que não temos, por uma forma de energia ainda imatura que não queremos nem podemos subsidiar? 

Perante números tão explosivos e consequências tão dramáticas para todos os Portugueses, o debate é fundamental. Este Domingo, 13 de Dezembro, os leitores d’O Diabo têm a oportunidade de ver e interagir com três cronistas habituais deste jornal, Henrique Neto, Sofia Afonso Ferreira e Pedro Cae-
tano (autor deste artigo), em directo, às 21 horas, a debater o tema “Hidrogénio – Negócio ou Necessidade Energética?”. É um debate com uma urgência, profundidade e independência patriótica que nenhuma televisão nacional se arrisca a fazer por medo de personagens repugnantes como Mexia, que ao longo das últimas décadas tem tido a sua companhia de energia a pagar uma grande fatia da publicidade nos ‘Media’, ou João Galamba, branqueado e protegido, devido aos apoios do Governo à comunicação social na pandemia, muito mais generosos, por exemplo, do que os oferecidos à restauração.  

Para este Governo com muitos ministros e secretários de Estado vindos das juventudes partidárias, incompetentes ou pior, a propaganda governativa na TV e jornais é mais crucial para a sobrevivência do que comida para a boca, especialmente na energia! O nosso debate contará ainda com a presença de Paulo Morais, Mira Amaral, Clemente Nunes, Ventura Leite e Joaquim Delgado e poderá resultar numa petição pública importante sobre o hidrogénio, como complemento ao manifesto já existente. Como a TV doente (‘sick’ em Inglês), por exemplo, não tem espírito jornalístico para o fazer, os leitores podem, no dia e hora do debate, abrir o link em  https://www.facebook.com/independentes.mais.  

Não perca, porque a verdade deste e dos anteriores negócios políticos da energia tem de ser entendida e difundida por o maior número possível dos contribuintes que pagamos a factura da dívida pública, em grande medida gerada pelos apoios governativos a negócios de energia privados, e utentes que pagamos a factura da electricidade, em cerca de um terço a metade, devido ao CIEG, um acrónimo e nome benigno, custos de interesse económico geral, para um tumor muito maligno e sempre a crescer anualmente, de pagamentos de milhares de milhões anuais de euros dos utentes para subsidiar, na maioria (quase 80%), energias fósseis e renováveis de meia dúzia de interesses privados que não têm interesse geral económico nenhum, só tendo “interesse económico” útil para teias de interesses. 

Repetimos e explicamos a analogia: a bomba de hidrogénio pode ser milhares de vezes mais explosiva que uma bomba atómica. Segundo os engenheiros nucleares, a bomba atómica, já de si muito potente, usa a fissão, uma reacção em que o núcleo dos átomos de urânio (ou plutónio) se separa em dois. Já a bomba de hidrogénio combina essa fissão com o uso de dois isótopos do hidrogénio – o deutério e o trítio – na reação de fusão, que combina dois átomos, formando um terceiro. Estas reações libertam muita energia, levando à explosão. 

Da mesma maneira, os custos da energia do hidrogénio são ainda mais explosivos para os contribuintes que os da energia eólica já foram e são diariamente para os contribuintes portugueses. O hidrogénio é uma energia alternativa e respectiva tecnologia ainda precoce e imatura, logo com muito risco financeiro. As novas tecnologias têm de ser desenvolvidas por verdadeiros capitalistas de risco da Califórnia, Alemanha ou Japão, por exemplo, que sabem contratar e ser representados por grandes especialistas em energia, incluindo prémios Nobel, e só assim arriscar algum capital, estudando a fundo todos os possíveis riscos e retornos. Uma tecnologia ainda não comprovada não pode ser subsidiada pelos pobres contribuintes portugueses, representados por especialistas em nada criados na política. 

Quem vai pagar os 7 mil milhões de euros que Joao Galamba prometeu para o hidrogénio aos negócios do costume? Não é difícil supor que mais uma vez será o Estado – ou seja, os Portugueses – em subsídios governamentais e os utentes – ou seja, e de novo, os Portugueses – em custos do CIEG para a electricidade ainda maiores do que já são devido às energias eólicas por exemplo.

Na nossa factura de eletricidade, além da electricidade que consumimos e respetivos preços de electricidade, dos mais altos da OCDE, por poder de paridade de compra, e impostos como o IVA, ainda pagamos cerca de um terço a 50% a mais em algo que não usamos. O CIEG que só de 2006 a 2016, por exemplo, cresceu de 500 milhões de euros para 2.500 milhões de euros. Isto significa que damos todos os anos cerca de mil milhões para interesses privados nas energias fósseis do carvão e gás natural, e mais outros mil milhões para energias renováveis como a eólica. 

Para perspectiva, os custos de Portugal inteiro da despesa da Segurança Social com o Rendimento Mínimo Garantido e Rendimento Social de Inserção são cerca de 350 milhões de euros. No entanto, estes subsídios do Estado são ainda mais caros. Há falsos empresários que se meteram num negócio de eólicas, que sabiam sem rendimento nem retorno em condições de mercado nos próximos tempos, algo que nenhum verdadeiro empresário faz, porque tinham amigos na política que lhes garantiam um rendimento máximo assegurado para indigentes e pedintes, obtido por via do sacrifício dos utentes. 

Agora, os mesmos, à nossa custa e usando os mesmos políticos, planeiam multiplicar por muito mais o que ganharam nas eólicas com o que vão ganhar com o hidrogénio. Esta é uma fonte de energia em que, segundo um dos oradores do debate, Joaquim Delgado, só na electrólise da água para produzir o hidrogénio isolado, perdem-se pelo menos 30% de energia. Depois, no transporte, além dos custos enormes da infraestrutura para transportar hidrogénio, perdem-se mais 25%, no mínimo, da energia. Quando o hidrogénio chega finalmente ao local de consumo, para ser convertido em energia utilizável, perdem-se mais 50%. Contas feitas, desde o transporte ao uso perdem-se 75% da energia. Portanto, pagaríamos por cada unidade de hidrogénio usada, quatro unidades produzidas. Grande negócio para quem vive do Estado e pode esbanjar, péssimo negócio para os contribuintes que temos de subsidiar tamanho esbanjamento de uma energia imatura, ainda não eficiente. Não percam, portanto, este debate fundamental para os próximos 15 anos das nossas vidas e da economia de Portugal. 

Não podemos estar sempre a repetir os mesmos erros explosivos com as mesmas personagens tóxicas. ■