Em Portugal os líderes políticos são mais mesquinhos e vingativos que magnânimos e inclusivos. Especialmente quando têm o bizarro poder inusitado, típico de chefe de partido lusitano, para escolher por completo a lista dos seus deputados. Portugal é raro nesse aspecto entre o mundo ocidental. Poucos ou nenhuns partidos fazem as listas de deputados com base em quaisquer critérios de qualidade ou representatividade da população, mas apenas de amizade e lealdade lacaia pessoal total ao chefe.
Nos outros países há ‘primárias’ com os cidadãos a votar, ou ‘directas’ com os militantes de um partido a escolherem aqueles que vão para as listas de deputados. Isto para os melhores serem escolhidos como seus representantes. Ou isso ou então há entrevistas, audiências, considerações várias de poder de oratória, de historial de intervenção cívica e outras capacidades para o bem público. Cá não. Regra geral, os piores dos portugueses são escolhidos para as listas do parlamento por uma única pessoa, o chefe do partido. Em última instância, para os nossos deputados é condição suficiente e necessária serem mentalmente quase bonecos básicos para bebés cuja única coisa que sabem dizer é sim, sim mamã, quando são levados ao colo pelo líder.
Assim, os deputados portugueses normalmente não procuram representar as preocupações do português anónimo nem tentam agradar e representar milhões de cidadãos. Para chegarem ao parlamento até podem causar repugnância total à população e não terem nada a ver com o território que era suposto representarem, como por exemplo Joao Galamba, eleito pelo distrito de Setúbal. Só têm que agradar e rastejar perante o líder mesquinho do partido. Quanto menos sombra e questões fizerem ao líder mais chances têm de ir parar à assembleia. Daí não ser surpreendente que o nosso parlamento esteja cheio de acéfalos lisonjeadores do chefe que pouco ou nada sabem fazer pelo país. Nunca reformam nem melhoram nada apesar de estarmos sempre em últimos da Europa. A parte terrível disto para Portugal é que é desse conjunto de gente sem cabeça, seguidista e geralmente sem profissão senão a bajulação, que sai sempre o próximo líder. Sócrates gera Costa que por sua vez gera Pedro Nuno.
Num país campeão da purgação de gente inteligente para inclusão só de bajuladores no parlamento, Costa é o campeão dessa purgação. No passado, o PS excluiu das listas muito mais gente que Rui Rio limpando das listas de deputados os apoiantes do adversário Rangel. Mesmo agora excluiu das listas de deputados Francisco Assis, que se tinha oferecido para ser deputado com vista a o PS ficar mais ao centro. Aliás, quem não se lembra da enorme purga e perseguição costista a todos os apoiantes de Seguro, desde os secretários nacionais a milhares de militantes expulsos nos distritos do Porto e Braga, passando por ex-presidentes federativos de Setúbal? Claro que, agora, para 2022, Costa não purga a lista de deputados pois já lá tem a tralha socrática e jota bajuladora toda que lhe é fiel e que participa com ele há muito nos negócios ruinosos misturados com política, sem nenhum crítico nem qualquer reforma da ineficiente justiça portuguesa. Isto para poderem esbanjar a bazuca europeia sem escrutínio nem consequência. No fundo, para continuarem a festa socrática.
Não abunda, pois, a magnanimidade nem a inteligência na nossa classe política mesquinha auto-selecionada. A magnanimidade significa grandeza de alma, segundo Aristóteles. Uma alma grande é autoconfiante e paira acima da vingança, deliciando-se na justiça e benevolência para com os outros, visando atingir o bem comum da nação. Um líder magnânimo é cerebral e adulto. O seu oposto é um chefe mesquinho, emocional e infantil, que só pensa no seu bem-estar imediato querendo lá saber dos destinos e bem da nação.
Nesse sentido, Costa é um espécime perfeito de mesquinhez e vilania. Insistimos e detalhamos, Costa é o campeão da purgação. Depois de derrotar Seguro, eliminou das listas de deputados do PS 166 nomes, mantendo só a tralha socrática e jota que sempre lhe foi fiel, mas purgando os secretários nacionais de Seguro como António Galamba (não confundir com outro Galamba, o João dos negócios socráticos ruinosos da energia), Miguel Laranjeiro, João Ribeiro. Aliás, Costa purgou e afastou todo o núcleo duro nacional de Seguro, desde Isabel Coutinho a Álvaro Beleza, passando por João Proença ou Francisco Assis. A nível distrital fez a mesma coisa, em Braga, por exemplo, onde só de uma assentada expulsou 300 militantes afectos a Seguro, incluindo os mais válidos e pensadores, que mais apoios tinham entre os militantes locais. Isto com vista principalmente a asfixiar e isolar uma das poucas vozes inteligentes na política socialista nacional, o filósofo Ricardo Goncalves. Em Matosinhos, Costa ignorou a escolha dos militantes locais do PS para candidato a presidente da câmara e impôs a sua protegida. Idem em todo o norte, como Fafe ou Barcelos, ou em todo o sul como por todo o Alentejo, de Elvas ao Crato. Em Setúbal, a sua delfina, Ana Catarina Mendes, seguindo o exemplo de Costa a nível nacional, em 2015 disse com todos os dentes que a sua lista de deputados não excluía ninguém e que se tinha focado única e exclusivamente em critérios de qualidade, sem olhar a que líder os candidatos a deputados tinham apoiado entre Costa e Seguro. Só por coincidência, afirmou então Ana Catarina Mendes, com um sorriso à Costa, é que a lista de deputados não tinha um único apoiante de Seguro do distrito de Setúbal.
Gengis Khan, o famoso líder mongol do século XIII, chacinava todos aqueles corajosos que se lhe opunham, mais as suas mulheres e crianças. No total, o seu exército terá matado entre 37 a 60 milhões de seres humanos. Khan gostava mais de vassalos cobardes. Aqueles que não resistissem não eram aniquilados, mas tinham que pagar impostos altíssimos e dizer que sim a tudo o que o Khan dissesse.
Passados 700 anos, os líderes socialistas não evoluíram muito. Não podem matar fisicamente mas matam retirando das listas do parlamento qualquer voz crítica pensante. Tornam assim o parlamento português numa câmara inútil de eco do chefe. Em vez de seres humanos pensantes, temos como deputados penedos duros de entendimento, meras caixas de ressonância do chefe, sem nada de original ou reformista a dizer em prol do bem dos Portugueses que deveriam representar, mas que, ao invés, preferem trair. Por isso não são de espantar decisões governamentais, comissões de inquérito que nunca dão em nada, votações pela calada para injetar milhares de milhões de euros na TAP, no novo banco, no hidrogénio, nos carris velhos mas caros de bitola ibérica da CP que já ninguém, nem a Espanha, quer.
A única solução para este terceiro-mundismo, em que tantos deputados não servem para nada nem representam nenhum português a não ser o chefe do seu partido, são ‘primárias’ e círculos unipessoais. As ‘primárias’ permitiriam aos portugueses escolherem qual o melhor deputado para representar um partido ou grupo de independentes naquele distrito. Os círculos unipessoais serviram para, uma vez eleito, cada deputado específico por uma terra específica ter de prestar contas à população daquela terra que o elegeu, se quisesse ser reeleito. Isto em vez de ignorar a população e andar sempre a prestar vassalagem ao chefe, como acontece agora. ■




