Ex-ministros escapam ao banco dos réus

Na mesma semana em que o ex-banqueiro João Rendeiro era detido na África do Sul com vista à sua extradição, em que o ex-ministro Manuel Pinho era detido no âmbito das “luvas” no processo EDP (e contra sua mulher era também emitido mandado de detenção), em que empresários do mundo futebolístico eram detidos por lavagem de dinheiro e em que o Ministério Público pedia a perda de mandato para o autarca do Porto, Rui Moreira, pelo seu envolvimento no “caso Solminho”, soube-se em Lisboa que três antigos ministros dos Governos de Sócrates acusados no “caso PPP” escaparam a sentar-se no banco dos réus por terem sido ultrapassados os prazos legais.

Mário Lino, Teixeira dos Santos e António Mendonça, todos ministros dos Governos do ex-líder socialista José Sócrates, foram constituídos arguidos demasiado tarde para poderem ser responsabilizados por corrupção ou abuso de poder no caso das Parcerias Público-Privadas (PPP) – soube-se na última semana. Aos acusados cujos processos não prescreveram o Ministério Público pede agora mais de três mil milhões de euros de benefícios ilegalmente concedidos.

Os ex-ministros de Sócrates foram acusados do crime de participação económica em negócio, por terem alegadamente prejudicado o Estado nas negociações dos contratos das subconcessões rodoviários e na renegociação dos contratos das antigas auto-estradas Sem Custos para o Utilizado (SCUT) entre 2009 e 2010. Contudo, sacudiram a água do capote ao declararem que tinham delegado competências nos secretários de Estado Paulo Campos e Carlos Costa Pina. De qualquer das formas, esgotaram-se os prazos que permitiriam sentá-los no banco dos réus.

Desta forma, só os ex-secretários de Estado Paulo Campos e Carlos Costa Pina e um ex-diretor da Estradas de Portugal, Almerindo Marques, foram acusados pelo Ministério Público da alegada prática do crime de participação económica em negócios. Contudo, Almerindo Marques não chegou a ser interrogado como arguido por razões de saúde, tendo sido recolhido o seu depoimento como testemunha para memória futura. O antigo presidente da Estradas de Portugal morreu uma semana antes de ser proferida a acusação.

O inquérito foi aberto na sequência de uma denúncia feita num canal de televisão pelo comentador Luís Marques Mendes, segundo a qual a renegociação com a Mota-Engil de várias concessões feita no segundo Governo de Sócrates teria resultado numa assunção de encargos de mais de mil milhões por parte do Estado. O Ministério Público recebeu várias queixas sobre o tema das parcerias público privadas (PPP) rodoviárias, entregues por associações como o Automóvel Clube de Portugal, mas também de forma anónima através do portal da PGR. 

O país passou a semana a ouvir a repetição nauseante de “notícias” sobre as detenções de João Rendeiro, Manuel Pinho e empresários da área do futebol e sobre o “caso Solminho”. Mas sobre a estranha “sorte” de Mário Lino, Teixeira dos Santos e António Mendonça ouvimos uma notícia fugidia – e, depois, um profundo silêncio… ■

- Advertisement -spot_img
- Advertisement -spot_img

Últimos artigos