Marta, má ministra, aprenda com Matt!

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No início desta semana uma idosa de 99 anos, Maria Silva, de Sete Rios, em Lisboa, não tinha sido ainda vacinada. No entanto, a ministra da Saúde, Marta Temido, com menos de metade da idade desta senhora, já tratou de se fazer vacinar, antes de milhões de portugueses mais idosos do que ela. Em total contraste, o ministro da Saúde britânico, Matt Hancock, também na casa dos 40, como Temido, ainda não o fez, mas já há muito que tratou de proteger todos os cidadãos acima dos 65 anos. 

No Reino Unido a vacinação está, pois, a ser um sucesso rápido e ordeiro, enquanto que em Portugal está a ser um desastre lento e desordeiro, revelador do egoísmo e incompetência dos governantes portugueses, mesmo que tentem desculpar o que fazem a jusante com problemas a montante na Europa. Aqui o plano de desconfinamento só agora foi apresentado; em Inglaterra já o foi há quase um mês. 

Em termos de vacinação e desconfinamento, comparemos então os qualificados e dedicados governantes britânicos aos egoís-
tas e inaptos governantes portugueses. Em Portugal, a seleção de administradores de hospitais públicos, administrações regionais e demais instituições da saúde pública do Estado é feita com base, principalmente, no favoritismo político. Nos nossos “concursos” o mérito e resultados passados pouco ou nada contam: não são abertos internacionalmente e/ou são fechados de propósito, sendo viciados para nomeados políticos. 

Por isso tantos e excelentes gestores privados a sério, MBAs, médicos, enfermeiros e farmacêuticos portugueses tiveram de sair de Portugal para se tornarem administradores de hospitais ingleses ou de outros países prósperos. Nestes o que interessa é salvar vidas e gerir os recursos públicos da melhor maneira possível. Logo, o que conta é o mérito e os resultados que os gestores conseguem para os doentes e contribuintes. Felizmente, por lá, serem amigos de Costa – ou de um outro político local de destaque – não conta para nada, nem partilharem a ideologia conveniente ao governo ou angariarem quotas e votos da JS e do PS, como infelizmente se passa no nosso país.  

São depois os administradores da saúde no Estado português, na maioria dependentes da política, sem boas qualificações nem resultados, que são muitas vezes escolhidos para ministros. Assim, temos como ministra da Saúde a doutora Marta Temido, uma dependente partidária, com uma educação muito previsível e típica dos políticos portugueses, cuja incompetência tem vindo a destruir o nosso SNS. Em geral, Temido e pares têm licenciaturas típicas da classe política portuguesa, como Direito. Depois tiram pós-especializações em saúde pública, ou graus académicos seguintes, em escolas sem grande “ranking” ou atractividade internacional. Essas especializações servem, essencialmente, para legitimar, no papel, a nomeação com origem partidária, para gerirem hospitais, apesar de não terem qualificações reais, nem como profissionais de saúde, nem como verdadeiros gestores que tivessem de comandar empresas internacionais de peso. Como se exige, e bem, aos gestores portugueses dos hospitais privados, muito melhor administrados.

Existem inclusive em Portugal vários administradores de hospitais públicos que não obtiveram, nem a dita especialização em saúde, nem qualquer qualificação em gestão (ou nunca sequer geriram nada significativo). Bastou-lhes virem da Juventude Socialista ou de Secções do PS, afectas a Costa e Pedro Nuno Santos.

Contraste-se isto com o percurso académico e profissional do ministro da Saúde do Reino Unido, Matt Hancock. Licenciou-se em três áreas (Filosofia, Política, Economia) e obteve o mestrado em Economia em duas das melhores universidades do Mundo: Oxford e Cambridge. Estas duas universidades contam, entre os actuais e antigos professores, vários prémios Nobel. Com base nessas qualificações académicas de topo, Hancock foi admitido como economista e depois como gestor no Banco Central britânico, instituição que não faz nomeações com base na filiação política, ao contrário do que se passa em Portugal.

Só após ter demonstrado qualificação e competência profissional, em 2010, Matt Hancock resolveu ir à luta política, sujeitando-se a concorrer como independente a uma eleição da sua região (West Suffolk), chegar a deputado e, depois, a governante. Isto é algo que não acontece em Portugal que, segundo a revista Economist, não é uma democracia plena. No nosso país, para ser governante não é necessário ser eleito pela população, pois nem a nomeação para ministro é feita com base no mérito, nem o povo tem oportunidade de escolher entre candidatos em eleições unipessoais e, assim, avaliar os resultados dos maus ministros, secretários de Estado, deputados e assessores que eternamente nos desgovernam. São, na maioria, escolhidos só por serem carneiros acéfalos, dizerem ‘amen’ a tudo o que Sócrates dizia, Costa diz ou Pedro Nuno Santos lhes dirá para dizer e fazer, por muito mentiroso e ruinoso que isso seja para o Estado. 

Falando precisamente de ruína do Estado, o colega de Costa – e de vários governantes portugueses, no partido invisível dos negócios ruinosos misturados com políticos e ex-políticos –, Marques Mendes, tentou atirar as culpas da deficiente vacinação imputáveis ao governo a um plano “queijo suíço” da União Europeia.  No entanto, nem os suíços estão na UE, nem os burocratas da UE mandam na Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa.  Ora foi esta ARS que no início desta semana ainda não tinha vacinado a tal senhora Maria Silva, de Sete Rios. Também não foi a UE que pediu a vários ministros portugueses na casa dos 40, incluindo a ministra da Saúde, que, vacinando-se primeiro, passasse à frente desta senhora e de milhões de outros idosos portugueses. Em 25 de Janeiro de 2021, quando morriam quase 300 idosos portugueses por Covid-19, estes batoteiros políticos bem portugueses, em vez de salvarem vidas, estavam entretidos a emitir um Despacho repugnante, o n.º 1090-D/2021, onde se asseguravam que as vacinas eram primeiro para eles, os políticos novos ou de meia idade, sem risco ou com pouco risco, e só meses depois para idosos em altíssimo risco de vida, em caso de infecção por SARS-Cov-2. Como já referimos, Marta Temido e restante companhia ministeriável precaviam-se a si próprios da sua própria incompetência e da lentidão do processo para a população em geral.   

Em vez desta selvajaria dos políticos novos, bem portugueses, não da UE, que não precisam de furar a fila, legal e ilegalmente, para roubarem vacinas aos idosos que precisam, no Reino Unido primeiro vacinaram-se as gerações ainda vivas e nascidas da década de 1910 em diante, até 1960. Como chegou recentemente a sua vez, o autor deste artigo, apesar de nascido na década de 1970, por ser residente inglês, já tomou neste mês de Março a vacina contra a Covid-19, enquanto a sua mãe, como centenas de milhares, senão milhões de idosos residentes em Portugal, apesar de nascida três décadas antes e com doenças de risco grave, ainda não recebeu a vacina. Como, infelizmente, milhões de outros portugueses idosos. 

Também em Inglaterra, os meus filhos recomeçaram esta semana a escola presencial, enquanto em Portugal, soube-se (primeiro pelo já referido Marques Mendes, porta-voz de Costa e dos seus ministros jotas, que estão ao serviço dos escritórios de advogados que compram deputados e leis) que, com um mês de atraso, o governo vai finalmente começar a imitar o plano dos ingleses. Mas, claro, a passos muito mais lentos e para já, ao que parece, só até ao primeiro ciclo do ensino básico.  Chegamos a um grau tão nulo de competência técnica no governo que são os comentadores propagandistas políticos a anunciar tais planos, antes dos peritos do INFARMED, DGS, Ministério da Saúde ou da  Educação! ■