O actual PS devia ensinar na Sicília

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A conclusão do processo eleitoral presidencial francês, no passado domingo, culminou, na segunda volta, com a reeleição de Macron, revelando uma democracia francesa pujante. Na rica França há uma separação clara de poderes entre a Justiça e o Executivo, que tem levado à mudança e rejuvenescer da democracia via depuração da corrupção. Isso leva ao desaparecimento ou irrelevância dos partidos cheios de corruptos e negociatas, como o PS francês, cuja candidata teve 1.7% na primeira volta. Infelizmente, em Portugal, há quase 20 anos que temos quase sempre o PS socrático no poder. Isto acontece em parte por indolência dos eleitores socialistas, pouco instruídos para conseguirem perceber que têm de mudar. No entanto, acontece também devido a uma Justiça enfraquecida, que permite sempre demasiado aos mesmos políticos de sempre e aos seus amigos nos negócios ruinosos do Estado. Passemos a um país mais semelhante no passado com Portugal do que a França, em termos de contaminação doentia da Justiça: a Itália.  

Este artigo analisa a violenta máfia e o venéreo PS. No controlo da Justiça, a violenta máfia siciliana teria muito a aprender com o nada violento, mas bastante mais pragmático e mais bem-sucedido, Partido Socialista português. Ambos levam ao enfraquecimento do Estado de Direito, permeável ao esbanjamento de fundos públicos em proveito de negócios inviáveis. No entanto, ao contrário do PS, vírus dormente e insidioso que arruína a Justiça e economia portuguesas, lentamente e sem danos físicos permanentes, a máfia da Sicília é uma espécie de vírus demasiado virulento para, hoje em dia, conseguir atingir o objectivo de controlar a Justiça. Enquanto a máfia é a ébola imediatamente mortífera; o PS assemelha-se a uma doença venérea que enfraquece o organismo aos poucos. Por exemplo, saindo do campo metafórico, fazendo emigrar, desde Sócrates até agora, um milhão de jovens qualificados. Isto pesa, embora, juntamente com o seu cúmplice e amigo Rui Rio, Costa ponha a culpa no inocente Passos. 

Estamos na ilha da Sicília, onde entre muitos monumentos históricos construídos por colonos gregos, árabes ou normandos, há também murais recentes de homenagem a grandes e corajosos juízes exemplares. Heróis da Justiça, como Giovanni Falcone ou Paolo Borsellino, que pagaram com a vida nos anos 1990 a sua luta eventualmente bem-sucedida contra a máfia. Eram a favor da independência e força da Justiça na Sicília. Felizmente que em Portugal também temos heróis da Justiça contra a corrupção, como o juiz Carlos Alexandre ou os procuradores Rosa Teixeira e Joana Marques Vidal. Somos mais abençoados cá porque a intimidação ou violência física não fazem parte da nossa cultura portuguesa de brandos costumes nem, claro, do PS. Nesse aspecto somos mais avançados e comedidos que os sicilianos. Somos mais parecidos nas atitudes com Chris Rock do que com Will Smith.  No entanto, os nossos heróis da Justiça são silenciados de outra forma mais pragmática e efectiva que a violência. 

São constantemente humilhados e afastados indirectamente pelo Partido Socialista. Tal partido no Governo e na administração empreende contra estes heróis acções tão bizarras como colocar o procurador Rosa Teixeira – aquele que mais provas pragmáticas e reais deu na luta contra a corrupção em Portugal – nos últimos lugares de concursos para procuradores anticorrupção. Na nomeação ou influência política na nomeação de juízes para os tribunais mais importantes ou procuradores influentes, desde que o partido socialista tomou de novo conta do poder, pôs logo na rua a procuradora-geral da república, Joana Marques Vidal. Afastou também magistrados de integridade inquestionável em posições de topo para controlar contas fundamentais da nação. 

Pelo contrário, gente útil na Justiça que decida a favor de políticos e corruptos vê a sua carreira a progredir sem grandes preocupações ou investigações do porquê das suas decisões. Relembremos Ivo Rosa ou os mais altos membros do Tribunal Constitucional envolvidos no estranho acórdão que fez prescrever a maior parte dos crimes de corrupção de que Sócrates estava acusado. O PS não precisa de exercer violência, só influencia perniciosamente a Justiça. Como consequência, afunda a economia e democracia portuguesas. Não será certamente por acaso que, desde Sócrates, os governos do PS pagam salários mais altos aos juízes que a outros funcionários públicos, mesmo que tão ou mais qualificados. 

O PS insiste, pois, mais na cenoura que no pau para atingir os seus objectivos. Pelo contrário, a máfia siciliana intimidava a Justiça com violência, que também exercia em muitas outras áreas. Destruía fisicamente a sociedade, que parasitava economicamente. Um parasita que mata repentinamente o seu próprio hospedeiro não é viável, nem sustentável. Na era contemporânea, tal extrema violência não foi tolerada pelo povo italiano, que tudo fez para extinguir a máfia até lhe tirar quase todo o poder, que hoje em dia ainda existe, mas é pouco comparado com o passado. Longe vão os tempos em que a “Cosa Nostra”, outro nome da máfia siciliana, mandava até em Chicago, na América. 

Esta é uma organização activa, não só em actividades ilegais, mas também a querer controlar funções soberanas num território específico, que sem ela pertenceriam a autoridades públicas independentes. Isto segundo o académico histórico italiano Paolo Pezzino. Neste sentido, qualquer grupo mafioso a querer controlar funções soberanas, como a Justiça, para não ter problemas ou ver tudo a prescrever quando faz negócios estranhos com o dinheiro dos contribuintes, em territórios sicilianos ou lisboetas, tem paralelos com vírus a quererem controlar o corpo humano ou comunidades de humanos. 

Os vírus mais bem-sucedidos no mundo não são os muito violentos para os humanos. O virulentíssimo ébola, por exemplo, não tem sido um vírus bem-sucedido na sua multiplicação. Morre juntamente com os hospedeiros, que mata tão precipitadamente que nem dá oportunidade de grande contágio. Assim, os vírus mais perniciosos, são queles que são pragmáticos e não destroem por completo os hospedeiros e as sociedades onde vivem. A variante “Omicron” do SARS-Cov-2 é um bom exemplo, não mata, mas multiplica-se mais. Igualmente, o herpes vírus, labial ou genital, instala-se nos indivíduos para a vida, vivendo, dormente, nas células infectadas e provocando erupções esporádicas enquanto vive do hospedeiro. No entanto, às vezes, pode provocar episódios gravíssimos, como meningites ou infecções oculares que podem cegar. 

O PS, nesse sentido, é mais como um herpes do que como o ébola. O actual socialismo é como uma doença venérea nacional. Parasita e empobrece a nossa sociedade há décadas, desde Sócrates, sem a matar de repente, mas aos poucos. De vez em quando o PS faz umas erupções, como aumento do preço da energia ou dos impostos, noutras provoca coisas mais graves, como intervenções da “troika”. Depois esconde-se, diz que não foi ele e continua instalado no hospedeiro. Em vez de tratar esta doença, por exemplo votando em curas saudáveis como a IL, que tratem a economia e aproveitem as potencialidades de Portugal, os eleitores mais idosos e menos instruídos preferem continuar com a doença nacional no que se tornou o actual PS. Isto é lamentável, porque no passado pré-socrático e pré-costista, o PS, em vez de composto por vírus prejudicais totalmente dependentes da política, representava grandes profissionais: as boas células do sistema imunitário saudável que lutavam pela democracia, justiça, economia, ciência, debate pluralista, Europa e liberdade. ■