O Mantorras das Finanças

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Foram muitos os pontos do pântano político-financeiro a favor de Centeno. Os negócios misturados com política, quando jogam contra os portugueses para nos arruinarem, exigem, sempre, um capitão das finanças portuguesas que não lhes faça frente e falhe penálti atrás de penálti. Marcelo até já diz que devemos agradecer a Centeno, como dizia que devíamos agradecer a Salgado. Nos últimos cinco anos ficámos cada vez mais últimos na liga  do Eurostat. Os verdadeiros campeões europeus das finanças, os alemães, disseram, no jornal Frankfurter Allgemeine, que o jogo de Centeno é um “pesadelo”. Outros ministros de países com finanças sólidas já não toleram o “incapaz” na presidência do Eurogrupo. 

Assim, poderá não vir dinheiro suficiente da Europa para cobrir a incapacidade crónica dos nossos políticos, que nunca aproveitam conjunturas internacionais favoráveis pré-crise para gerir bem as finanças. Costa e a família só aproveitaram para censurar a verdade sobre austeridade. O presidente, as ministras, os ministros e as famílias deles aproveitaram para contratos do Estado. O Bloco aprovou tudo e fingiu que não sabia de nada, para ganhar cargos e opiniões na TV Doente. Nem uma única visão ética ou técnica para a nação. Éramos derrotados até por países ex-comunistas na EU, com muito maior crescimento e poder de compra. Centeno escondeu, até agora, a conta que todos sabiam ser aterradora.  

Costa sempre preferiu burros a Ferraris.  Não me surpreendeu quando escolheu Centeno para as Finanças.  Uns meses antes, no Hotel Luna, em Setúbal, numa sessão pública, o autor destas linhas perguntou a Mário o que tencionava fazer sobre Portugal ter da energia mais cara da Europa, do gás à gasolina, passando pela eletricidade. Centeno ironizou que isso não era grave e se resolvia em 20 segundos. Passaram cinco anos e já tudo aos portugueses ele cativou, até a nossa saúde. Na energia e noutros negócios ruinosos para os contribuintes, entre políticos e ex- políticos, é que nunca resolverá nada.  

Costa e o seu antigo chefe Sócrates sempre preferiram governantes que brinquem com energia a preços intragáveis e perdões fiscais ou rendas inexplicáveis a asfixiarem a nossa economia e finanças. Relembremos que o pântano foi buscar para este governo, não só Centeno, mas também ex-jotas socráticos como Pedro Nuno, Delgado Alves, Duarte Cordeiro ou João Galamba. No golpe por Costa, diziam que lhes causava “vómitos” Seguro denunciar o pântano invisível dos negócios misturados com política. Não queriam que se soubesse. Agora já são governantes e não estão indispostos. Galamba governa-se com negócios do lítio onde, soubemos por Sandra Felgueiras, entrega 350 milhões por 35 anos do património de gerações de Portugueses à empresa de dois dias dum amigo do primeiro-ministro. 

Assobiarem para o lado da possível putrefação para o estado nos negócios, é outro dos requisitos de Costa para recrutar para a governação. Centeno foi diretor de estudos do Banco de Portugal durante dez anos. Faliram o BPN, BES, BPP e BANIF, mas ele nunca se apercebeu de nada do muito que se passava. Cerca de 20 milhares de milhões, nunca estudados por Centeno na entidade que deveria estudar os bancos, desapareceram do bolso dos contribuintes para bancos e em crédito malparado a amigos e patrocinadores de políticos. Pode não haver meios para salvar ou melhorar as vidas de centenas de portugueses a morrer em florestas em 2017 ou nos lares em 2020, mas para amigos de Marcelo e Costa há sempre mais 850 milhões de euros. 

Centeno viola até a regra básica do jogo financeiro: o investimento inicial tem de ser compensado por fluxos de tesouraria maiores no futuro. Nenhum projeto é executado para só gastar sem nunca ganhar. No entanto, eles põem o contribuinte português a gastar em projetos público-privados sem ganhar nada. Pagamos em impostos e ainda preços absurdos nas pontes e autoestradas de ex-políticos. Na saúde pagamos do próprio bolso o dobro da média europeia. 

Costa sempre gostou também de maquilhar o rosto e números. O seu Centeno faz cosmética superficial, em vez de finanças sólidas através de reformas profundas. Na conjectura de juros baixos e turismo, antes do Covid-19, só soube cativar na nossa saúde e demais essenciais para apresentar déficit zero. Pó de arroz no rosto das contas do Estado, escondendo os carbúnculos disformes do maior e mais dispendioso governo de sempre: orgia doentia em negócios, fundações, bónus e contratos infindáveis do Estado com famílias dos governantes, nomeações de milhares de boys padeiros sem ética nem técnica e as maiores dívida bruta e carga fiscal de sempre; inevitável perante tal festa financeiramente irresponsável.  

Com a crise económica por Covid-19, fica à vista de todos o que une os cinquentões Centeno e Costa a todos os seus herdeiros jotas quarentões que querem continuar a desgovernar-nos. Todos sempre viveram do Estado, da política ou do pântano dos negócios políticos. Não sabem gerir nem ganhar dinheiro em nada. Com esta idade, ainda só sabem gastar o dinheiro do pai, isto é, dos contribuintes portugueses. Quando esse dinheiro não chega para sustentar o estilo de vida deles e dos colegas, mais consortes e irmãos, vão também pedir à mãe, isto é, a união Europeia. A nós, pais contribuintes, nem nos pedem: só tiram da carteira, à socapa, em cada vez mais taxas e impostos. Abusam de nós como fiadores à força em dívida pública imparável. À mãe Europa, estas crianças de meia idade nem “se faz favor” dizem. Fazem birras e insultam; querem dinheiro para o vício de nunca fazerem reformas ou boa governação, logo nunca estão preparadas para crises. Nem sequer prometem à mãe mudar de vida. 

A mãe Europa já está farta de pagar a tais políticos pedintes que nunca poupam na bonança antes das crises. Com os seus olhos azuis cada vez mais distantes e frios olha, desconfiada, para mal-agradecidos incorrigíveis ou ao serviço das jotas partidárias portuguesas e seu pântano de negócios. A verdade sobre a calamidade sem reformas das finanças portuguesas foi referida na Inglaterra primeiro pelo autor destas linhas, no Financial Times, em 2019. No início de 2020 outros indícios vieram dos nervos à flor da pele de holandeses, finlandeses e austríacos. Agora os alemães dizem-nos da sua capital financeira, Frankfurt, que não querem Centeno a negociar ajuda europeia, desprezando a sua ridícula maquilhagem de campeão das finanças. Esse sound-bite futebolístico absurdo fez Costa ganhar as eleições por poucochinho; juntamente com a censura dos negócios do lítio misturados com política. Agora parece que a própria Merkel já não está disposta a pôr os contribuintes alemães a pagarem o futebol fantasia das “elites” lisboetas de falsos jornalistas e políticos pedintes. Até o Tribunal Federal Constitucional Alemão quer pôr travão à ajuda. A única solução é uma revolução patriótica, ética e técnica em que paremos de, respectivamente, ler e eleger os jornalistas e políticos do costume. ■