O Rosa das rosas corruptas

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Portugal já se parece mais com uma ditadura exercida por gananciosos incivilizados do que uma democracia europeia civilizada. O que de positivo existiu em 25 de Abril de 1974 tem sido destruído, paulatinamente, nas últimas duas décadas, pelos governantes e subordinados do partido côr de rosa. Sem surpresas, de forma mais abrupta e descarada do que habitual, a 9 de Abril de 2021, outra rosa, o juiz Ivo Rosa, continuou a destruição, fazendo pouco da nação inteira, para agradar a meia dúzia de poderosos. 

Ao assegurar a impunidade para o passado duvidoso de Sócrates, mais do que beneficiar em particular essa rosa já murcha e gasta, o regime degenerado quis premiar e aliciar, com a promessa de impunidade geral, todas as novas e rosadas cópias de Sócrates, nos actuais e futuros governos do PS. 

Quem beneficia com a impunidade para governantes que queiram enriquecer ilicitamente, tomando decisões que prejudicam milhões de Portugueses? Quem quer que tais práticas lesivas continuem ainda por mais décadas? A quem interessa não termos nem uma lei que condene o enriquecimento ilícito, nem nenhuma outra maneira de punir políticos, tão ou mais corruptos ainda que Sócrates, no presente e futuro?

Quem manda em Portugal já não são os portugueses. O que temos é um regime que se tornou quase ditatorial, não representativo da população, nem focado no nosso melhor interesse. O poder é exercido e defendido por meia dúzia de fachadas de escritórios de advogados, ao serviço de falsos negócios improdutivos, que não teriam nenhuma viabilidade empresarial em países democráticos e civilizados. No entanto, cá prosperam a desviar milhares de milhões de euros dos contribuintes e a arruinar o Estado e os portugueses há pelo menos duas décadas, apesar de todo o dinheiro vindo da Europa. 

Estes falsos escritórios e falsos negócios que nos (des)governam contratam, como empregados, muitos deputados e governantes, que não são escolhidos pelos portugueses, como acontece nos países civilizados e democráticos, mas que se disfarçam como nossos representantes, só para poderem desviar os recursos do país, quase exclusivamente para proveito próprio e dos seus empregadores.  

O paraíso da impunidade nos tribunais é fundamental para este regime ditatorial, já que o proveito atinge proporções gigantescas e permite o controlo total dos cargos melhores pagos pelo Estado, incluindo no topo do sistema judicial, onde os bons profissionais são afastados e os maus promovidos, “sorteados” e “selecionados”, sem qualquer moralidade, incluindo através da falsificação de currículos de procuradores coniventes. Relembremos que, segundo professores do MIT e de Chicago, uma das principais razões porque certas nações fracassam e os seus povos são pobres é a existência duma justiça deficiente e controlada pelos políticos.

Claramente, o regime depravado não quer a governar portugueses honestos e qualificados, com profissão. Apesar dos trágicos resultados da última década, quer continuar a ter, em São Bento e nos vários ministérios, desonestos e/ou dependentes da política.  Contando com a abstenção, apenas 17 por cento dos eleitores votaram rosa. Mais de oito em cada 10 portugueses desprezam o partido que tem nomeado ou “sorteado” tantos magistrados pró-corrupção. O regime rosado, apodrecido, já quase não tem legitimidade. 

No Inferno de Dante, o nono e pior círculo, aquele onde reside Satanás, é reservado para políticos corruptos e outros traidores do Estado. Se Portugal fosse realmente uma democracia civilizada verdadeiramente representativa, a grande maioria dos cidadãos desejariam ver, quer José Sócrates e os seus cúmplices na corrupção, quer o juiz Rosa e seus cúmplices na prescrição e ilibação de corruptos, num nono círculo de um inferno, figurativo para eles, onde a Justiça e o Estado de direito funcionassem. 

Nos países civilizados e democráticos, quer os políticos corruptos, quer os magistrados que os favoreçam de forma suspeita e bizarramente parcial – por exemplo aceitando só testemunhas favoráveis e casos prescritos, mas ignorando testemunhas incriminatórias e casos por prescrever – são investigados e podem cair no inferno da punição judicial terrena. Sobretudo quando se vê um magistrado escarnecer, durante horas, com óbvio prazer pessoal, o trabalho dos procuradores e não apontar a corrupção dos políticos. 

O controlo dos recursos do Estado – e o enorme proveito financeiro que os falsos escritórios  ou os negócios que compram políticos e influenciam magistrados assim tão bizarros –  são ainda usados para comprar ou intimidar muita gente na comunicação social. 

A propaganda e o elogio descarado (muitas vezes até o auto-elogio, uma vez que Portugal é o único país da Europa onde os comentadores políticos, na TV e nos principais jornais, são os próprios políticos a auto-elogiarem-se) estão também assegurados por este regime ditatorial, que raramente é contrariado ou tem de responder a perguntas difíceis sobre as suas acções. Se alguém questionar de forma duras os governantes, ou os seus amigos dos falsos negócios, é rapidamente afastado e atacado nos meios de comunicação social deste país já muito ditatorial, com a mesma celeridade com que Putin ou Maduro o fazem aos seus críticos. 

Por exemplo, Sócrates consegue enormes e repetidos espaços em jornais pró-governamentais, como o “DN” ou o “Público”, antes e depois das decisões de Ivo Rosa, mesmo sabendo todos o estilo de vida que levou e o que fez contra o povo português, estando a soldo de certos amigos de negócios, em vez de defender o melhor interesse de milhões de portugueses. As nossas televisões também convivem bem com a presença de Sócrates, sempre sem oposição, com quase todos os comentadores políticos como seus herdeiros e a praticarem os mesmos vícios. 

Isto apesar de já serem poucos os portugueses que ainda têm dúvidas se muitos dos actuais deputados, governantes ou nomeados por este governo, foram cúmplices activos ou passivos da corrupção de Sócrates e se têm os mesmos vícios. António José Seguro, que conviveu quase 30 anos bem de perto com toda esta gente ligada a Sócrates, ou que o imitaram, quer nos governos deste, quer nos governos de Costa, não hesitou em denunciar que estas rosas podres, que desonram os fundadores e princípios do PS, são na maioria membros de um partido invisível, com negócios misturados com política.

Como resolver este problema? A Assembleia da República tem que aprovar uma lei sobre o enriquecimento ilícito, que impeça magistrados malabaristas da ilibação ou da prescrição da corrupção utilizando um qualquer pretexto. Tal lei não pode ser chumbada na Assembleia pelas rosas corruptas, como tem sido até agora. Infelizmente, essa inversão do ônus da prova, para os políticos corruptos nos terem de começar a explicar de onde vem o dinheiro que fazem na política (o inferno deles), não vai acontecer enquanto a grande maioria dos 13 milhões de Portugueses dentro e fora do país (somos o país europeu com mais refugiados económicos emigrados, cerca de um terço da população no activo) continuar passiva e/ou não acorrer às urnas, em massa, para desalojar do poder o partido invisível – mas de névoa rosada – que nos arruína.

Há 10,8 milhões de eleitores inscritos, mas apenas 1,9 milhões votaram no PS; apenas 17,6 por cento de adultos. Esta larga maioria de portugueses tem de começar a votar massivamente nos vários partidos existentes que repudiam a rosada e degradada direcção e governo do PS. Só assim enviaremos, finalmente, para o inferno da punição, por enriquecimento ilícito, aqueles que destroem o nosso presente e futuro. ■