Recordando o 25 de abril

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Daqui a pouco mais de um mês, o aniversário do movimento denominado de Cravos, assim chamado certamente por ter inspiração vermelha, vai ser pretexto para louvações à derrubada do antigo regime, composto de gente de mãos e mentes limpas. Os bem-intencionados, realmente democratas, foram logo alijados, como os casos de António de Spínola, Galvão de Mello, Pinto Balsemão e muitos empresários. Na verdade, o movimento se destinava a substituir um regime autoritário por uma ditadura do proletariado. Os mesmos ideais dos que participavam da luta armada no Brasil, treinada e financiada por Cuba, mas transmitindo que lutavam “contra a ditadura”. Muitos destes combatentes já admitiram, em depoimentos e livros, que queriam mesmo implantar a “ditadura do proletariado”.

O capitalismo peca pela covardia no campo político. Os capitalistas mais responsáveis, os grandes empresários, gostam de agradar às esquerdas, não se preocupam em preservar o regime democrático, que garante sua existência. No mundo, hoje são as classes médias e proletárias que se insurgem contra as esquerdas predatórias.

As novas gerações ignoram o que foram as ocupações de empresas, de herdades, de empreendimentos imobiliários. Muito menos dos milhares que foram presos sem culpa formada, muitos libertados meses depois, sem jamais terem sido ouvidos. Os que perderam seus empregos. Quantas famílias foram roubadas em seu património, muitas das vezes construídos por gerações na indústria, na agricultura e no sector de serviços, como bancos e seguradoras. As reservas de ouro, que faziam da moeda portuguesa estável e respeitada, foram vendidas no desvario da demagogia e da corrupção. E, infelizmente, são poucos a informar corretamente que, se não fosse a protecção divina e a coragem de alguns verdadeiros heróis, Portugal teria sucumbido nas trevas de uma real ditadura, com inevitáveis perdas na qualidade de vida de seu povo. Neste particular, é justo reconhecer o acordar de Mário Soares, que percebeu em tempo que seria logo engolido pelos comunistas. Mas a retomada económica ainda demorou bons anos, tal a desarrumação da economia e a desconfiança dos investidores.

O mundo vive uma inesperada crise oriunda dos problemas com a produção na China. Campo fértil para a proliferação das promessas desonestas de demagogos e activistas de esquerda. Todo cuidado neste momento é pouco para vigiar a manutenção da ordem e do trabalho. A hora da verdade está próxima.

As propostas para tumultuar as fábricas e as ruas estão aí. A defesa do trabalho, disciplina, austeridade nos gastos, para minorar o sofrimento do povo anda cada vez mais escassa. E o Estado parece ter prazer em afastar quem queira investir na produção. Ou trazer recursos pessoais para uma reforma sob o sol e a hospitalidade dos portugueses. A gula fiscal não tem limites.

Talvez a nova oposição democrática, CDS-PP e o CHEGA, possa marcar o 25 de abril com a divulgação real dos acontecimentos que, em nome da liberdade, tanto mal fizeram aos portugueses e que ficaram impunes nos seus excessos. ■