Ainda não destruíram o Padrão dos Descobrimentos?!

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“Mesmo o Padrão [dos Descobrimentos], num país respeitável, devia ter sido destruído” (Ascenso Simões, Deputado do Partido Socialista, in ‘Público’, 19 de Fevereiro de 2021)

Era decerto inevitável. Mais cedo ou mais tarde, o Talibanismo Politicamente Correcto iria ter a tentação de dar o “salto em frente”, depois de ter conseguido a sua vitória (de Pirro) nos arranjos florais da Praça do Império, em Lisboa.

Uma coisa, porém, são arranjos florais – outra, muito diferente, são monumentos em pedra. Por isso, apesar de não nos surpreender a “sugestão”, não estamos minimamente preocupados. Nenhum Governo, jamais, se atreverá a demolir o Padrão dos Descobrimentos.

Acreditamos até que o Deputado do Partido Socialista em questão tenha alguma consciência disso. Mesmo que não a tenha, o seu Secretário-Geral, notável descente do Império, tê-la-á por ele. Se algum dia o Partido Socialista assumisse esta “sugestão” como sua, nesse mesmo dia o Partido Socialista morreria para sempre em Portugal. Acreditamos que maioria do Partido Socialista tenha plena consciência disso.

A forma como o Partido Socialista foi gerindo a famosa “geringonça” prova bem isso. Também aí, uma coisa são os “arranjos florais” – leia-se: a retórica inconsequente –, outra, muito diferente, são os “monumentos em pedra” – leia-se: as políticas de fundo. Por isso, o Partido Socialista, no tempo da “gerigonça”, nunca cedeu no que era realmente importante.

O Partido Socialista sabe muito bem que o país real não tem nenhum problema de fundo com a sua História. No essencial, orgulha-se dela – apesar de, obviamente, ter consciência de que vivemos outros tempos. Isto apesar de todas as vozes que, ao mínimo pretexto, procuram “revolucionar” essa situação. Mais recentemente, a propósito da morte de Marcelino da Mata, em que, uma vez mais, se fizeram mil e uma comparações imbecis (é mesmo o termo) entre o colonialismo português e o colonialismo nazi.

Insinuaram algumas dessas vozes que Marcelino da Mata foi, apenas, o “nosso judeu”. Como se, no colonialismo nazi, algum judeu tivesse tido alguma condecoração oficial. Bizarros tempos estes em que tanto tem que se insistir no óbvio: no colonialismo nazi, os judeus ou fugiram ou foram mortos; não foram incorporados nas forças armadas nem, muito menos, condecorados. Por isso, muito bem esteve o nosso Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, em ter estado presente no funeral de Marcelino da Mata. Gratos, também por isso. ■